Citada em reportagem do jornal O Globo sobre 'a nova rotina de tensão e
medo na estatal', a petroleira Michelle Daher Vieira publicou uma carta
aberta ao jornal O Globo e sua repórter que desnuda as intenções dos
Marinho na cobertura da Lava Jato; "Não é de hoje que as Organizações
Globo têm objetivo muito bem definido em relação à Petrobras: entregar
um patrimônio que pertence à população brasileira a interesses privados
internacionais", diz ela; Michelle enfatiza, ainda, a necessidade de
democratização da mídia; "cada vez fica ainda mais evidente a
necessidade de uma democratização da mídia, que proporcionará acesso a
uma diversidade de informação maior à população que atualmente é refém
de uma mídia que não tem respeito com o seu leitor e manipula a notícia
em prol de seus interesses"
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Por Michele Daher Vieira
Antes de tudo, gostaria de deixar bem claro que não estou falando
em nome da Petrobras, nem em nome dos organizadores do movimento “Sou
Petrobras”, nem em nome de ninguém que aparece nas fotos da matéria.
Falo, exclusivamente, em meu nome e escrevo esta carta porque apareço em
uma das fotos que ilustram a reportagem publicada no jornal O Globo do
dia 15 de fevereiro, intitulada “Nova Rotina de Medo e Tensão”.
Fico imaginando como a dita jornalista sabe tão detalhadamente a
respeito do nosso cotidiano de trabalho para escrever com tanta
propriedade, como se tudo fosse a mais pura verdade, e afirmar com
tamanha certeza de que vivemos uma rotina de medo, assombrados por
boatos de demissões, que passamos o dia em silêncio na ponta das
cadeiras atualizando os e-mails apreensivos a cada clique, que
trabalhamos tensos com medo de receber e-mails com represálias, assim
criando uma ideia, para quem lê, a respeito de como é o clima no dia a
dia de trabalho dentro da Petrobras como se a mesma o estivesse vivendo.
Acho que tanta criatividade só pode ser baseada na própria
realidade de trabalho da Letícia, que em sua rotina passa por todas
estas experiências de terror e a utiliza para descrever a nossa como se
vivêssemos a mesma experiência. Ameaças de demissão assombram o jornal
em que ela trabalha, já tendo vários colegas sendo demitidos[1], a
rotina de e-mails com represálias e determinando que tipo de informação
deve ser publicada ou escondida devem ser rotina em seu trabalho[2],
sempre na intenção de desinformar a população e transmitir só o que
interessa, mantendo a população refém de informações mentirosas e
distorcidas.
Fico impressionada com o conteúdo da matéria e não posso deixar
de pensar como a Letícia não tem vergonha de a ter escrito e assinado.
Com tantas coisas sérias acontecendo em nosso país ela está preocupada
com o andar onde fica localizada a máquina que faz o café que nós
tomamos e com a marca do papel higiênico que usamos. Mas dá para
entender o porque disto, fica claro para quem lê o seu texto com um
mínimo de senso crítico: o conteúdo é o que menos importa, o negócio do
jornal é falar mal, é dar uma conotação negativa, denegrir a empresa na
sua jornada diária de linchamento público da Petrobras. Não é de hoje
que as Organizações Globo tem objetivo muito bem definido[3] em relação à
Petrobras: entregar um patrimônio que pertence à população brasileira à
interesses privados internacionais. É a este propósito que a Leticia
Fernandes serve quando escreve sua matéria.
Leticia, não te vejo, nem você nem O Globo, se escandalizado com
outros casos tão ou mais graves quanto o da Petrobras. O único escândalo
que me lembro ter ganho as mesma proporção histérica nas páginas deste
jornal foi o da AP 470, por que? Por que não revelam as provas
escondidas no Inquérito 2474[4] e não foi falado nisto? Por que não leio
nas páginas do jornal, onde você trabalha, sobre o escândalo do
HSBC[5]? Quem são os protegidos? Por que o silêncio sobre a dívida da
sonegação[6] da Globo que é tanto dinheiro, ou mais, do que os partidos
“receberam” da corrupção na Petrobras? Por que não é divulgado que as
investigações em torno do helicoca[7] foram paralisadas, abafadas e
arquivadas, afinal o transporte de quase 500 quilos de cocaína deveria
ser um escândalo, não? E o dinheiro usado para construção de certos
aeroportos em fazendas privadas em Minas Gerais [8]? Afinal este
dinheiro também veio dos cofres públicos e desviados do povo. Já está
tudo esclarecido sobre isto? Por que não se fala mais nada? E o caso
Alstom[9], por que as delações não valem? Por que não há um estardalhaço
em torno deste assunto uma vez que foi surrupiado dos cofres públicos
vultosas quantias em dinheiro? Por que você e seu jornal não se
escandalizam com a prescrição e impunidade dos envolvidos no caso do
Banestado[10] e a participação do famoso doleiro neste caso? Onde estão
as manchetes sobre o desgoverno no Estado do Paraná[11]? Deixo estas
perguntas como sugestão e matérias para você escrever já que anda tão
sem assunto que precisou dar destaque sobre o cafezinho e o papel
higiênico dos funcionários da Petrobras.
A você, Leticia, te escrevo para dizer que tenho muito orgulho de
trabalhar na Petrobras, que farei o que estiver ao meu alcance para que
uma empresa suja e golpista como a que você trabalha não atinja seu
objetivo. Já você não deve ter tanto orgulho de trabalhar onde trabalha,
que além de cercear o trabalho de seus jornalistas determinando “as
verdades” que devem publicar, apoiou a Ditadura no Brasil[12], cresceu e
chegou onde está graças a este apoio. Ao contrário da Petrobras, a
empresa que você se esforça para denegrir a imagem, que chegou ao seu
gigantismo graças a muito trabalho, pesquisa, desenvolvimento de
tecnologia própria e trazendo desenvolvimento para todo o Brasil.
Quanto às demissões que estão ocorrendo, é muito triste que
tantas pessoas percam seu trabalho, mas são funcionários de empresas
prestadoras de serviço e não da Petrobras. Você não pode culpar a
Petrobras por todas as mazelas do país, e nem esperar que ela sustente o
Brasil, ou você não sabe que não existe estabilidade no trabalho no
mundo dos negócios? Não sabe que todo negócio tem seu risco? Você culpa a
Petrobras por tanta gente ter aberto negócios próximos onde haveria
empreendimentos da empresa, mas a culpa disto é do mal planejamento de
quem investiu. Todo planejamento para se abrir um negócio deveria conter
os riscos envolvidos bem detalhados, sendo que o maior deles era não
ficar pronta a unidade da Petrobras, que só pode ser culpada de ter
planejado mal o seu próprio negócio, não o de terceiros. Imputar à
Petrobras o fracasso de terceiros é de uma enorme desonestidade
intelectual.
Quando fui posar para a foto, que aparece na reportagem, minha
intenção não era apenas defender os empregados da injustiça e
hostilidades que vem sofrendo sendo questionados sobre sua honestidade,
porque quem faz isto só me dá pena pela demonstração de ignorância.
Minha intenção era mostrar que a Petrobras é um patrimônio brasileiro,
maior que tudo isto que está acontecendo, que não pode ser destruída por
bandidos confessos que posam neste jornal como heróis, por juízes que
agem por vaidade e estrelismos apoiados pelo estardalhaço e holofotes
que vocês dão a eles, pelo mercado que só quer lucrar com especulação e
nunca constrói nada de concreto e por um jornal repulsivo como O Globo
que não tem compromisso com a verdade nem com o Brasil.
Por fim, digo que cada vez fica ainda mais evidente a necessidade
de uma democratização da mídia, que proporcionará acesso a uma
diversidade de informação maior à população que atualmente é refém de
uma mídia que não tem respeito com o seu leitor e manipula a notícia em
prol de seus interesses, no qual tudo que publica praticamente não é
contestado por não haver outros veículos que o possa contradizer devido à
concentração que hoje existe. Para não perder um poder deste tamanho
vocês urram contra a reforma, que se faz cada vez mais urgente, dizendo
ser censura ou contra a liberdade de imprensa, mas não é nada além de
aplicar o que já está escrito na Constituição Federal[12], sendo a
concentração de poder que algumas famílias, como a Marinho detém,
totalmente inconstitucional.
Sendo assim, deixo registrado a minha repugnância em relação à
matéria por você escrita, utilizando para ilustrá-la uma foto na qual eu
estou presente com uma intenção radicalmente oposta a que ela foi
utilizada por você.
Fontes:
[1] Demissões nas Organizações Globo:
http://www.conexaojornalismo.com.br/…/demissoes-do-globo-es…
http://radiodeverdade.com/tag/demissoes-na-radio-globo/
http://www.parana-online.com.br/editor…/almanaque/…/836519/…
http://www.portalimprensa.com.br/…/o+globo+faz+cortes+na+re…
http://blogs.odia.ig.com.br/…/globo-inicia-demissoes-no-jo…/
[2] Exemplos de o que deve e não deve ser publicado
http://www.brasildefato.com.br/node/31315
http://www.pragmatismopolitico.com.br/…/globo-ordena-que-no…
http://www.conversaafiada.com.br/…/globo-censura-reporter-…/
[3] Objetivos
http://www.municipiosbaianos.com.br/noticia01.asp…
http://www.aepet.org.br/…/Prezado-a-companheiro-a-da-Petrob…
http://www.viomundo.com.br/…/sordida-campanha-dos-marinho-c…
https://petroleiroanistiado.wordpress.com/…/petrobras-sob-…/
https://fichacorrida.wordpress.com/…/rede-globo-de-corrupc…/
[4] Inquérito 2474
http://www.cartacapital.com.br/…/em-sigilo-ha-7-anos-inquer…
http://www.ocafezinho.com/…/inquerito-2474-ja-esta-na-inte…/
http://www.istoe.com.br/…/…/345927_ERRO+HISTORICO+NA+AP+470+
http://www.brasil247.com/…/Nassif-STF-vai-abrir-segredo-de-…
[5] Escândalo do HSBC
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-assombroso-silen…/
http://economia.ig.com.br/…/reino-unido-investiga-hsbc-por-…
http://economia.estadao.com.br/…/hsbc-entenda-o-escandalo-…/
http://economia.ig.com.br/…/receita-esta-de-olho-em-corrent…
http://www.brasil247.com/…/Sonega%C3%A7%C3%A3o-no-HSBC-%C3%…
[6] Sonegação Globo
http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=4664
http://www.ocafezinho.com/…/os-documentos-da-fraude-da-glo…/
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/injusto-e-pagar-im…/
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/como-o-processo-de…/
[7] Helicoca
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-dcm-apresenta-no…/
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-papel-cada-vez-m…/
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/categorias/helicoca/
[8] Aeroportos Mineiros
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/por-que-a-midia-na…/
http://www1.folha.uol.com.br/…/1493571-aecio-neves-a-verdad…
http://www1.folha.uol.com.br/…/1488587-governo-de-minas-fez…
http://www.pragmatismopolitico.com.br/…/trafico-de-cocaina-…
http://www.plantaobrasil.com.br/news.asp?nID=82339
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/aecio-nomeou-desem…/
[9] Alstom
http://www1.folha.uol.com.br/…/1281123-brasil-e-unico-que-n…
http://tijolaco.com.br/blog/?p=24684
[10] Banestado
http://www.redebrasilatual.com.br/…/o-caso-banestado-a-petr…
http://www1.folha.uol.com.br/…/1267100-justica-anula-punica…
http://ultimosegundo.ig.com.br/…/lentidao-da-justica-livrou…
[11] Beto Richa e o Paraná
http://www.pragmatismopolitico.com.br/…/beto-richa-quebrou-…
http://www.redebrasilatual.com.br/…/curitiba-a-pauta-da-reb…
[12] Globo e a Ditadura
http://www.pragmatismopolitico.com.br/…/editorial-globo-cel…
http://www.brasildefato.com.br/node/25869
http://altamiroborges.blogspot.com.br/…/as-diretas-ja-e-o-c…
http://www.viomundo.com.br/…/faz-30-anos-bom-jornalismo-da-…
http://www.viomundo.com.br/…/fabio-venturini-no-golpe-dos-e…
http://www.viomundo.com.br/…/exclusivo-as-entrevistas-feroz…
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/abrir-empresa-em-p…/
[12] CF/88
Diz o artigo 220 da Carta, no inciso II do parágrafo 3°:
II
– estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a
possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e
televisão que contrariem o disposto no art. 221, bem como da propaganda
de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao
meio ambiente.
Já o parágrafo 5° diz:
Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio.
E o artigo 221. por sua vez, prescreve:
Art. 221. A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:
I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
II – promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;
III – regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;
IV – respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.
Todo acto o voz genial, viene del pueblo y vá hacia él. Cesar vallejo. “El arte que se nutre del alma de nuestro pueblo, de sus sufrimientos y esperanzas es un arte que no muere, que vive eternamente en los corazones que luchan y cantan”. Jose carlos mariategui
musica con sentido e sentimiento
domingo, fevereiro 22, 2015
terça-feira, fevereiro 17, 2015
lista sinistra de gente do mundo inteiro, que mantem conta segreta no hsbc
A lista de nomes de mais de 100 mil correntistas da filial do HSBC em
Genebra, que construiu uma indústria de lavagem de dinheiro,
intermediada por empresas offshore como forma de fugir da fiscalização
dos países de origem, está correndo pelo mundo. Aos poucos, cada uma das
pessoas e entidades estão sendo reveladas. França, Espanha, Suíça,
Dinamarca, Índia, Angola, Bélgica, Chile, Argentina, e outros países,
divulgam reportagens detalhadas a cada dia, com novas informações. Menos
o Brasil.
O primeiro jornal a ter conhecimento foi o francês Le Monde. Ele teve acesso aos dados secretos de uma investigação iniciada em 2008, pelo governo da França, por meio de informações vazadas do ex-funcionário do HSBC, franco-italiano especialista em informática, Hervé Falciani.
Percebendo que o esquema envolvia mais de 200 países, o Le Monde decidiu compartilhar todo o material com o ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos), uma rede que integra 185 jornalistas de mais de 65 países, que investigam casos em profundidade. Do Brasil, são cinco membros: Angelina Nunes, Amaury Ribeiro Jr., Fernando Rodrigues, Marcelo Soares e Claudio Tognolli.
Os cinco, portanto, teriam acesso à considerada maior base de investigações fiscais do mundo, até hoje, de posse inicial do Le Monde. Nesses arquivos estão os nomes, profissões e valores de ativos de todos os clientes da filial do HSBC na Suíça. O ponto fraco dos documentos é delimitar quando houve indícios de participação de ilegalidades, uma vez que não é proibido ter uma conta bancária na Suíça. Estão incluídos nomes da realeza, figuras públicas, políticos, celebridades, empresários.
O ICIJ formou um grupo menor de jornalistas para investigar os documentos do projeto denominado como Swiss Leaks. Participam todos os países do Consórcio. Do Brasil, Fernando Rodrigues, do Uol, é o único que tem em mãos as apurações dos clientes brasileiros.
Até o momento, as informações divulgadas pelo ex-repórter da Folha de S. Paulo são de que os dados do HSBC indicam 5.549 contas bancárias secretas de brasileiros, entre pessoas físicas e jurídicas, em um saldo total de US$ 7 bilhões. Nenhum nome. Fernando Rodrigues explica que entrou em contato com autoridades brasileiras, para saber se há ilegalidade nessas operações bancárias, ou se os valores foram declarados à Receita. E que estaria desde novembro aguardando a resposta.
Essa desculpa não bate com o histórico do jornalista. O fato de divulgar a existência da lista e segurar os nomes dá margem a toda sorte de interpretações.
Enquanto isso, o jornalista investigativo argentino, Daniel Santoro, também membro do ICIJ,publica nomes e sobrenomes: os empresários Juan Carlos Relats, Raúl Moneta, e pessoas próximas ao governo, como o grupo Werthein. Os chilenos Francisca Skoknic e Juan Andrés Guzmán, também jornalistas, divulgam os conhecidos de alto patrimônio local: Andrónico Luksic, José Yuraszeck, Ricardo Abumohor, Óscar Lería, Álvaro Saieh, José Miguel Gálmez e o clã Kreutzberger, com filhos e parentes do apresentador de televisão “Don Francisco”.

“O Instituto de Religiosas de San José de Gerona chegou a ter 2,7 milhões na Suíça”, foi aúltima manchete do jornal espanhol El Confidencial, que horas antes também publicou que a família de empresários Prado figuravam na lista. Nas reportagens, o jornal indica: “a lista Falciani foi descoberta”.

Da Bélgica, o Mondiaal Nieuws mancheta: “entre os 722 belgas da lista do HSBC, estão novamente um monte de diamantes industriais bem conhecidos e descendentes de famílias nobres”. A mesma linha segue o folhetim indiano The Indian Express: “77 dos 1.195 indianos na lista suíça do HSBC estão ligados à indústria de diamantes. O jornalista Appu Esthose Suresh viajou à Mumbai para descobrir como uma pequena empresa familiar controla a indústria”.
O Paraguai denunciou o próprio presidente Horacio Cartes, que tem uma conta na filial do banco na Suíça. Egito, Dinamarca, Rússia, os países não param. O que pode ser o maior esquema de rombo fiscal está paralisando o noticiário mundial.

No Brasil, o jornalista que poderia trazer as melhores investigações publicou quatro reportagens em sua página do blog. Três delas (aqui, aqui e aqui) são a tradução de artigos de outros jornalistas estrangeiros, sem nenhuma referência ao que ocorre aqui, e quem está envolvido.
Na quarta reportagem, enquanto aguarda a resposta das autoridades brasileiras, Fernando Rodrigues deu espaço a dados latino-americanos: “na América Latina, nacionais de vários países estão na lista do HSBC. (…) O saldo total máximo mantido nessas contas secretas de latino-americanos ultrapassa US$ 31 bilhões”.
O Brasil figura como o 9º no ranking de países com a maior remessa de dólares, de acordo com os arquivos vazados da Suíça. A quantia máxima de dinheiro associada a um cliente ligado ao Brasil foi de US$ 302 milhões. Foram abertas 5.549 contas de clientes brasileiros entre 1970 e 2006. Essas informações estão no site do ICIJ.

Os documentos ainda mostram que 8.667 clientes são vinculados ao Brasil. Destes, 55% tem um passaporte brasileiro ou a nacionalidade. No gráfico, é destacada a distribuição entre os tipos de contas: 70% numeradas, 10% contas vinculadas a companhias Offshore, e 20% vinculadas a uma pessoa.

As investigações, partindo de jornalistas pelo mundo, está permitindo recuperar centenas de milhões de dólares em impostos não pagos.
Como bem frisaram os jornalistas chilenos Francisca Skoknic e Juan Andrés Guzmán, “o interesse em divulgar o conteúdo destas contas não é baseado na curiosidade em conhecer os segredos dos milionários. Este projeto de jornalismo internacional – que participam mais de 140 jornalistas de 45 países – busca trazer luz sobre o dinheiro depositado na Suíça, uma jurisdição utilizada pelo alto sigilo sobre os ativos, que os protege e, em particular, sobre os clientes do HSBC, o banco que já foi objeto de uma investigação do Senado dos EUA que revelou que tem sido usado para proteger os fundos de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, entre outras irregularidades. Além disso, um grande número de contas – incluindo as de muitos chilenos – estão ligados ao uso de empresas sediadas em paraísos fiscais, uma das maneiras mais comuns de esconder quem são os verdadeiros donos”.
fonte
O primeiro jornal a ter conhecimento foi o francês Le Monde. Ele teve acesso aos dados secretos de uma investigação iniciada em 2008, pelo governo da França, por meio de informações vazadas do ex-funcionário do HSBC, franco-italiano especialista em informática, Hervé Falciani.
Percebendo que o esquema envolvia mais de 200 países, o Le Monde decidiu compartilhar todo o material com o ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos), uma rede que integra 185 jornalistas de mais de 65 países, que investigam casos em profundidade. Do Brasil, são cinco membros: Angelina Nunes, Amaury Ribeiro Jr., Fernando Rodrigues, Marcelo Soares e Claudio Tognolli.
Os cinco, portanto, teriam acesso à considerada maior base de investigações fiscais do mundo, até hoje, de posse inicial do Le Monde. Nesses arquivos estão os nomes, profissões e valores de ativos de todos os clientes da filial do HSBC na Suíça. O ponto fraco dos documentos é delimitar quando houve indícios de participação de ilegalidades, uma vez que não é proibido ter uma conta bancária na Suíça. Estão incluídos nomes da realeza, figuras públicas, políticos, celebridades, empresários.
O ICIJ formou um grupo menor de jornalistas para investigar os documentos do projeto denominado como Swiss Leaks. Participam todos os países do Consórcio. Do Brasil, Fernando Rodrigues, do Uol, é o único que tem em mãos as apurações dos clientes brasileiros.
Até o momento, as informações divulgadas pelo ex-repórter da Folha de S. Paulo são de que os dados do HSBC indicam 5.549 contas bancárias secretas de brasileiros, entre pessoas físicas e jurídicas, em um saldo total de US$ 7 bilhões. Nenhum nome. Fernando Rodrigues explica que entrou em contato com autoridades brasileiras, para saber se há ilegalidade nessas operações bancárias, ou se os valores foram declarados à Receita. E que estaria desde novembro aguardando a resposta.
Essa desculpa não bate com o histórico do jornalista. O fato de divulgar a existência da lista e segurar os nomes dá margem a toda sorte de interpretações.
Enquanto isso, o jornalista investigativo argentino, Daniel Santoro, também membro do ICIJ,publica nomes e sobrenomes: os empresários Juan Carlos Relats, Raúl Moneta, e pessoas próximas ao governo, como o grupo Werthein. Os chilenos Francisca Skoknic e Juan Andrés Guzmán, também jornalistas, divulgam os conhecidos de alto patrimônio local: Andrónico Luksic, José Yuraszeck, Ricardo Abumohor, Óscar Lería, Álvaro Saieh, José Miguel Gálmez e o clã Kreutzberger, com filhos e parentes do apresentador de televisão “Don Francisco”.
“O Instituto de Religiosas de San José de Gerona chegou a ter 2,7 milhões na Suíça”, foi aúltima manchete do jornal espanhol El Confidencial, que horas antes também publicou que a família de empresários Prado figuravam na lista. Nas reportagens, o jornal indica: “a lista Falciani foi descoberta”.
Da Bélgica, o Mondiaal Nieuws mancheta: “entre os 722 belgas da lista do HSBC, estão novamente um monte de diamantes industriais bem conhecidos e descendentes de famílias nobres”. A mesma linha segue o folhetim indiano The Indian Express: “77 dos 1.195 indianos na lista suíça do HSBC estão ligados à indústria de diamantes. O jornalista Appu Esthose Suresh viajou à Mumbai para descobrir como uma pequena empresa familiar controla a indústria”.
O Paraguai denunciou o próprio presidente Horacio Cartes, que tem uma conta na filial do banco na Suíça. Egito, Dinamarca, Rússia, os países não param. O que pode ser o maior esquema de rombo fiscal está paralisando o noticiário mundial.
No Brasil, o jornalista que poderia trazer as melhores investigações publicou quatro reportagens em sua página do blog. Três delas (aqui, aqui e aqui) são a tradução de artigos de outros jornalistas estrangeiros, sem nenhuma referência ao que ocorre aqui, e quem está envolvido.
Na quarta reportagem, enquanto aguarda a resposta das autoridades brasileiras, Fernando Rodrigues deu espaço a dados latino-americanos: “na América Latina, nacionais de vários países estão na lista do HSBC. (…) O saldo total máximo mantido nessas contas secretas de latino-americanos ultrapassa US$ 31 bilhões”.
O Brasil figura como o 9º no ranking de países com a maior remessa de dólares, de acordo com os arquivos vazados da Suíça. A quantia máxima de dinheiro associada a um cliente ligado ao Brasil foi de US$ 302 milhões. Foram abertas 5.549 contas de clientes brasileiros entre 1970 e 2006. Essas informações estão no site do ICIJ.
Os documentos ainda mostram que 8.667 clientes são vinculados ao Brasil. Destes, 55% tem um passaporte brasileiro ou a nacionalidade. No gráfico, é destacada a distribuição entre os tipos de contas: 70% numeradas, 10% contas vinculadas a companhias Offshore, e 20% vinculadas a uma pessoa.
As investigações, partindo de jornalistas pelo mundo, está permitindo recuperar centenas de milhões de dólares em impostos não pagos.
Como bem frisaram os jornalistas chilenos Francisca Skoknic e Juan Andrés Guzmán, “o interesse em divulgar o conteúdo destas contas não é baseado na curiosidade em conhecer os segredos dos milionários. Este projeto de jornalismo internacional – que participam mais de 140 jornalistas de 45 países – busca trazer luz sobre o dinheiro depositado na Suíça, uma jurisdição utilizada pelo alto sigilo sobre os ativos, que os protege e, em particular, sobre os clientes do HSBC, o banco que já foi objeto de uma investigação do Senado dos EUA que revelou que tem sido usado para proteger os fundos de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, entre outras irregularidades. Além disso, um grande número de contas – incluindo as de muitos chilenos – estão ligados ao uso de empresas sediadas em paraísos fiscais, uma das maneiras mais comuns de esconder quem são os verdadeiros donos”.
fonte
sábado, fevereiro 14, 2015
Francia: el ocaso estratégico de una potencia media
En la primera página de sus “Memorias de guerra”, el general Charles
de Gaulle considera que “Francia no puede ser Francia sin grandeza”.
Estaba convencido de ello, y, mientras pudo, procuró que Francia fuera
Francia. Al menos en tres oportunidades lo consiguió: en 1940, cuando
lanzó su célebre “llamamiento” tomó la decisión de proseguir la lucha
tras la “extraña derrota” de Francia ante la Alemania nazi; cuando
demandó y obtuvo ser parte de la ocupación de Alemania, en 1945; y
cuando en 1966 retiró a su país del comando estratégico de la OTAN por
considerar que integrándolo a la Alianza se subordinaba al poder de
Estados Unidos.

En
rigor, la última decisión fue la de mayor gravitación estratégica; no
solamente porque ello fue determinante para que el país desarrollara su
propia capacidad nuclear (que Estados Unidos se había negado a asistir
en tanto Francia no aceptara misiles en su territorio), sino porque
mantuvo a Francia más allá de la “derrota” que le significó la Segunda
Guerra Mundial.
En efecto, cuando concluyó la guerra, en 1945, Charles de Gaulle sentenció que en Europa “dos países habían perdido la guerra mientras que los demás fueron derrotados”. Desde los términos de pérdidas humanas y materiales, la guerra había sido una catástrofe para Europa. Pero el estadista francés quería significar algo más que la ruina visual que ofrecía entonces el continente.
Si bien Francia era parte de las potencias que habían derrotado a Alemania e incluso por ello obtuvo lo que se denominó el “dividendo de Yalta”, es decir, sin haber sido parte de la célebre conferencia, a Francia le fue asignado un sector de ocupación en territorio alemán, el líder galo supo ver que en el orden de la post guerra Europa (y Francia) ya no se desempeñaría en el rango de actores estratégicos mayores.
La guerra no solamente implicó el final de la predominancia extra-continental de Europa, sino el establecimiento y la aceptación de una condición de “vasallaje estratégico” en relación con el auténtico y contundente ganador de la contienda mundial, Estados Unidos. Definido el nuevo rol estratégico, en las décadas siguientes Europa se consagró a su integración política-económica-social, proceso del que Francia fue parte medular desde su mismo inicio, aunque siempre remarcando (en clave gaullista) la confederación como horizonte.
La impugnación a la situación sub-estratégica o “americanización” de la defensa de Europa, pero sobre todo el desarrollo estratégico de Francia, es decir, de la “force de frappe”, representó una situación de “reparación nacional” en relación con la “derrota” de 1945 y con las catástrofes de los años cincuenta en Indochina, Suez y Argelia.
En el mundo estático de la Guerra Fría, el estatus nuclear de Francia le proporcionó una condición interestatal de excepcionalidad, autonomía y deferencia estratégica. Si bien desde los centros de reflexión occidental se consideraba que una pequeña fuerza nuclear independiente implicaba un esfuerzo poco útil y hasta una incongruencia en el orden interestatal centralmente bipolar, para los teóricos de la disuasión nuclear, por caso, André Beaufré, Francia bien podía ser un factor de estabilidad internacional en calidad de “tercer partícipe” aliado de uno de los adversarios mayores contra el otro.
El final de la contienda bipolar impulsó cambios, particularmente en materia de flexibilización doctrinaria y reorientación de blancos del componente nuclear. Aunque la retórica francesa en relación a la necesidad europea de emancipar su defensa de Estados Unidos prosiguió, la desaparición del enemigo, la globalización, los nuevos retos y la notable dependencia europea (incluida Francia) de las capacidades estadounidenses (particularmente logísticas y de inteligencia) en las guerras del Golfo, Bosnia y Kosovo, fueron atenuando la orientación gaullista que (en mayor o menor grado) se mantuvo durante todas las administraciones francesas.
Pero no fue hasta la llegada de Nicolas Sarkozy a la presidencia, en 2007, cuando se produjo un cambio esencial en el enfoque externo del país. Para el nuevo mandatario, era imperioso “renovar una Francia adormilada” y poner fin a una postura internacional que, tras el final de la Guerra Fría, prácticamente había dejado de tener razón estratégica.
En otros términos, el fin de un mundo de bloques geoestratégicos, de acumulación militar y la irrupción de múltiples dimensiones de la seguridad, “vaciaba” el enfoque nacional-nuclear, es decir, la consideración francesa relativa a que una “OTAN americanizada” no amparaba la seguridad nacional de Francia.
El retorno de Francia al comando militar de la OTAN, en 2009, no fue criticado tanto porque se abandonaba el enfoque soberano en materia de defensa, sino porque dicho retorno no modificó prácticamente en nada el ascendente estratégico de Washington en Europa. Más aún, desde entonces Francia en la OTAN no sólo no ha implicado “más Europa” en materia de defensa, sino que ha afianzado el papel de Europa como sostén o refuerzo de Estados Unidos en el combate de este país contra su principal amenaza, el terrorismo global, y, por tanto, ha mantenido a Europa como una suerte de prolongación del espacio estadounidense como objetivo de ataque de este letal actor.
En efecto, desde “el retorno antes del retorno” a la OTAN, es decir, desde la participación de Francia ya en tiempos de Mitterrand y luego de Chirac en misiones internacionales, y desde el efectivo retorno bajo mandato de Sarkozy, no se ha registrado en Europa una tendencia en dirección de una mayor potestad en materia de defensa: a casi 25 años del final de la Guerra Fría, la estructura de mando en la OTAN continúa bajo predominancia estadounidense (el comandante supremo de las fuerzas aliadas en Europa es norteamericano), e incluso “lo nuevo” en la Alianza, por caso, el Grupo de Expertos, encargado de la prospectiva o nueva concepción estratégica de la Alianza, tampoco quedó en manos de una autoridad europea.
En breve, a pesar de haber desaparecido el factor que por décadas hizo imperativa la presencia de Estados Unidos en el espacio continental más sensible de la rivalidad bipolar, la continuidad de la organización político-militar, la “pluralización de sus misiones y el ascendente estadounidense dentro de la misma, corroboran que, más allá de dicha rivalidad, el propósito también ha sido (y es) evitar el surgimiento de actores cuestionadores o retadores dentro del propio bloque; es decir, mantener la condición de “pacificador” o “equilibrador de ultramar”, para utilizar los términos apropiados, a fin de garantizar el “statu quo” regional.
Desde estos términos, la continuidad de la Alianza Atlántica más allá del fin para la que fue creada no sería tanto una anomalía en relación a la experiencia, sino una suerte de “regularidad” en relación a la preservación de una condición de hegemonía interestatal.
Por otra parte, la condición estratégica subalterna de Europa implica un automatismo en relación con la principal amenaza al actor hegémono de Occidente y, por consiguiente, empeño en enfrentarla.
En otras palabras, el “nuevo terrorismo” que surge en los años noventa, que es aquel que adopta una concepción geopolítica ofensiva a escala global como respuesta a la política externa de Estados Unidos, tuvo (y tiene) como objetivo central “matar a ciudadanos estadounidenses en cualquier parte del mundo”, según reza la “fatwa” (o pronunciamiento legal en el Islam) difundida por Al Qaeda en 1998. Es decir, no se refirió entonces a Europa, si bien es cierto que antes habían ocurrido acontecimientos de violencia en algunos países.
Tras los ataques perpetrados el 11-S, se activó el mecanismo de defensa colectiva de la OTAN, y a partir de allí la suerte de Europa quedó fijada a la del “primus inter pares” de la Alianza, Estados Unidos, que durante la primera década del siglo XXI pasó a ejercer un papel hegemónico tan concluyente que el mismo interés del sistema o de la comunidad internacional pareció identificarse con los intereses de este actor.
¿Había otras opciones para el Occidente no estadounidense? Posiblemente no demasiadas, pero los actores europeos que pudieron realizar observaciones estratégicas relativas a las reservas con que había que proceder sobre el mundo árabe-islámico en el “combate global contra el terrorismo transnacional”, como la propia Francia que en otros tiempos había sido cautelosa en su política hacia los países árabes, no lo hicieron.
Así, Europa volvió a ser objetivo del terrorismo en función de su asociación con Estados Unidos a través del instrumento estratégico de este país en el continente, la OTAN. Pero a diferencia del “viejo terrorismo”, que operaba en los diferentes países de acuerdo a las políticas nacionales de cada país, ahora el “nuevo terrorismo” lo hacía en función de la política exterior global del principal actor occidental. Se trata de una importante diferencia, aunque se mantiene la cuestión de la (in) seguridad nacional en un alto nivel.
El seguimiento del “libreto” estratégico estadounidense por parte de Europa, que implicó el involucramiento de fuerzas nacionales a miles de kilómetros de los territorios nacionales, ha sido frustrante para Europa en general y para Francia en particular. El experto Olivier Zajec, del Instituto de Conflictos Estratégicos, de París, ha definido en términos categóricos los resultados de dicho seguimiento: “Detrás de las incertidumbres del Elíseo, se encuentra obviamente el pantano afgano. Este fracaso es sobre todo el de una teoría culturalista estadounidense, la ‘contra insurrección con enfoque global’, que amplió demasiado el marco temporal de la ‘estabilización’, confundiendo modos de acción tácticos con una política, moralizando en exceso los objetivos de la guerra y cerrándose por esa misma razón a cualquier salida digna. Lo cierto es que esta derrota del pensamiento estratégico, que inmovilizó a cien mil hombres en un teatro de operaciones durante diez años sin un objetivo final alcanzable, no hace desaparecer ‘ipso facto’ la necesidad de intervenciones de estabilización o de mediación, como lo demuestra Malí”.
Otros franceses han sido menos cuidadosos en sus críticas. En su incisivo trabajo sobre los contrariedades que ha significado el “sarkozismo” para Francia, el siempre vigente Emmanuel Todd ha afirmado que “Con sus amenazas de bombardeos selectivos al Golfo Pérsico y a Afganistán, Sarkozy ha puesto en acción su incompetencia diplomática: transformar a los soldados franceses en refuerzos del ejército estadounidense sólo puede arruinar la posición de nuestro país en el mundo. El planeta no tiene ninguna necesidad de una Francia obediente, de una potencia media que, conforme a la teoría diplomática, deja de existir al alinearse con una potencia dominante”.
Por último, el regreso de Francia a la OTAN tampoco ha implicado cambio alguno en relación con la estrategia que desde el mismo final de la Guerra Fría Estados Unidos llevó adelante ante el “Estado continuador” de la URSS, la Federación Rusa; en buena medida, ello explica la compleja situación de la relación entre Europa y Rusia por la crisis en Ucrania.
También en esta cuestión Europa terminó siguiendo una geopolítica no propia, y tampoco Francia, que siempre defendió el entendimiento con Moscú, particularmente durante la presidencia de Chirac, intentó que Europa quedara siquiera algo desmarcada en una situación centralmente basada en una concepción estratégica que maximizó el poder no precisamente de los socios europeos.
Más aún, la relación con Rusia no se deterioró a partir de los acontecimientos de Ucrania sino a partir del momento que la intervención militar de la OTAN en Libia, habilitada gracias a que Francia impulsó las resoluciones en el Consejo de Seguridad de la ONU, modificó su propósito inicial dirigido a proteger al pueblo libio y acabó apoyando a las fuerzas que combatían al régimen, situación que fue crucial para que posteriormente Rusia no estuviera dispuesta a apoyar la injerencia internacional en Siria.
En suma, sin duda que el mundo ha cambiado y posiblemente hoy ya no tiene sentido celosos planteamientos nacional-soberanos como los que realizara Charles de Gaulle, cuando intento preservar algo de grandeza nacional tras la guerra y luego de los fracasos militares en los años cincuenta. Acaso el estadista haya alcanzado más que ello puesto que por un largo tiempo logró que un actor de talla media como Francia desempeñara un papel sin duda exagerado.
Sin embargo, la predominancia estadounidense en (o sobre) Europa se ha mantenido más allá de la Guerra Fría, y en buena medida ello se debe a la impotencia de Europa para fijar y ejecutar políticas que gradualmente la distancien de su condición de subordinación estratégica o, para decirlo menos peyorativamente, de “potencia civil” (por cierto, una categoría irrelevante -cuando no inexistente- en las relaciones interestatales).
Se esperaba que el regreso de Francia al comando estratégico coadyuvara a ese propósito estratégico mayor. Pero no sólo que ello no ha ocurrido, sino que la propia Francia parece consentir aquella condición, realidad que implica que Europa continuará desplegando recursos y capacidades pero sin geopolítica propia, es decir, definiendo de modo insuficiente o erróneo sus objetivos, involucrándose en sitios donde no estén en juego sus intereses y corriendo los riesgos que ello acarrea.
fonte(RT-español)
En efecto, cuando concluyó la guerra, en 1945, Charles de Gaulle sentenció que en Europa “dos países habían perdido la guerra mientras que los demás fueron derrotados”. Desde los términos de pérdidas humanas y materiales, la guerra había sido una catástrofe para Europa. Pero el estadista francés quería significar algo más que la ruina visual que ofrecía entonces el continente.
Si bien Francia era parte de las potencias que habían derrotado a Alemania e incluso por ello obtuvo lo que se denominó el “dividendo de Yalta”, es decir, sin haber sido parte de la célebre conferencia, a Francia le fue asignado un sector de ocupación en territorio alemán, el líder galo supo ver que en el orden de la post guerra Europa (y Francia) ya no se desempeñaría en el rango de actores estratégicos mayores.
La guerra no solamente implicó el final de la predominancia extra-continental de Europa, sino el establecimiento y la aceptación de una condición de “vasallaje estratégico” en relación con el auténtico y contundente ganador de la contienda mundial, Estados Unidos. Definido el nuevo rol estratégico, en las décadas siguientes Europa se consagró a su integración política-económica-social, proceso del que Francia fue parte medular desde su mismo inicio, aunque siempre remarcando (en clave gaullista) la confederación como horizonte.
La impugnación a la situación sub-estratégica o “americanización” de la defensa de Europa, pero sobre todo el desarrollo estratégico de Francia, es decir, de la “force de frappe”, representó una situación de “reparación nacional” en relación con la “derrota” de 1945 y con las catástrofes de los años cincuenta en Indochina, Suez y Argelia.
En el mundo estático de la Guerra Fría, el estatus nuclear de Francia le proporcionó una condición interestatal de excepcionalidad, autonomía y deferencia estratégica. Si bien desde los centros de reflexión occidental se consideraba que una pequeña fuerza nuclear independiente implicaba un esfuerzo poco útil y hasta una incongruencia en el orden interestatal centralmente bipolar, para los teóricos de la disuasión nuclear, por caso, André Beaufré, Francia bien podía ser un factor de estabilidad internacional en calidad de “tercer partícipe” aliado de uno de los adversarios mayores contra el otro.
El final de la contienda bipolar impulsó cambios, particularmente en materia de flexibilización doctrinaria y reorientación de blancos del componente nuclear. Aunque la retórica francesa en relación a la necesidad europea de emancipar su defensa de Estados Unidos prosiguió, la desaparición del enemigo, la globalización, los nuevos retos y la notable dependencia europea (incluida Francia) de las capacidades estadounidenses (particularmente logísticas y de inteligencia) en las guerras del Golfo, Bosnia y Kosovo, fueron atenuando la orientación gaullista que (en mayor o menor grado) se mantuvo durante todas las administraciones francesas.
Pero no fue hasta la llegada de Nicolas Sarkozy a la presidencia, en 2007, cuando se produjo un cambio esencial en el enfoque externo del país. Para el nuevo mandatario, era imperioso “renovar una Francia adormilada” y poner fin a una postura internacional que, tras el final de la Guerra Fría, prácticamente había dejado de tener razón estratégica.
En otros términos, el fin de un mundo de bloques geoestratégicos, de acumulación militar y la irrupción de múltiples dimensiones de la seguridad, “vaciaba” el enfoque nacional-nuclear, es decir, la consideración francesa relativa a que una “OTAN americanizada” no amparaba la seguridad nacional de Francia.
El retorno de Francia al comando militar de la OTAN, en 2009, no fue criticado tanto porque se abandonaba el enfoque soberano en materia de defensa, sino porque dicho retorno no modificó prácticamente en nada el ascendente estratégico de Washington en Europa. Más aún, desde entonces Francia en la OTAN no sólo no ha implicado “más Europa” en materia de defensa, sino que ha afianzado el papel de Europa como sostén o refuerzo de Estados Unidos en el combate de este país contra su principal amenaza, el terrorismo global, y, por tanto, ha mantenido a Europa como una suerte de prolongación del espacio estadounidense como objetivo de ataque de este letal actor.
En efecto, desde “el retorno antes del retorno” a la OTAN, es decir, desde la participación de Francia ya en tiempos de Mitterrand y luego de Chirac en misiones internacionales, y desde el efectivo retorno bajo mandato de Sarkozy, no se ha registrado en Europa una tendencia en dirección de una mayor potestad en materia de defensa: a casi 25 años del final de la Guerra Fría, la estructura de mando en la OTAN continúa bajo predominancia estadounidense (el comandante supremo de las fuerzas aliadas en Europa es norteamericano), e incluso “lo nuevo” en la Alianza, por caso, el Grupo de Expertos, encargado de la prospectiva o nueva concepción estratégica de la Alianza, tampoco quedó en manos de una autoridad europea.
En breve, a pesar de haber desaparecido el factor que por décadas hizo imperativa la presencia de Estados Unidos en el espacio continental más sensible de la rivalidad bipolar, la continuidad de la organización político-militar, la “pluralización de sus misiones y el ascendente estadounidense dentro de la misma, corroboran que, más allá de dicha rivalidad, el propósito también ha sido (y es) evitar el surgimiento de actores cuestionadores o retadores dentro del propio bloque; es decir, mantener la condición de “pacificador” o “equilibrador de ultramar”, para utilizar los términos apropiados, a fin de garantizar el “statu quo” regional.
Desde estos términos, la continuidad de la Alianza Atlántica más allá del fin para la que fue creada no sería tanto una anomalía en relación a la experiencia, sino una suerte de “regularidad” en relación a la preservación de una condición de hegemonía interestatal.
Por otra parte, la condición estratégica subalterna de Europa implica un automatismo en relación con la principal amenaza al actor hegémono de Occidente y, por consiguiente, empeño en enfrentarla.
En otras palabras, el “nuevo terrorismo” que surge en los años noventa, que es aquel que adopta una concepción geopolítica ofensiva a escala global como respuesta a la política externa de Estados Unidos, tuvo (y tiene) como objetivo central “matar a ciudadanos estadounidenses en cualquier parte del mundo”, según reza la “fatwa” (o pronunciamiento legal en el Islam) difundida por Al Qaeda en 1998. Es decir, no se refirió entonces a Europa, si bien es cierto que antes habían ocurrido acontecimientos de violencia en algunos países.
Tras los ataques perpetrados el 11-S, se activó el mecanismo de defensa colectiva de la OTAN, y a partir de allí la suerte de Europa quedó fijada a la del “primus inter pares” de la Alianza, Estados Unidos, que durante la primera década del siglo XXI pasó a ejercer un papel hegemónico tan concluyente que el mismo interés del sistema o de la comunidad internacional pareció identificarse con los intereses de este actor.
¿Había otras opciones para el Occidente no estadounidense? Posiblemente no demasiadas, pero los actores europeos que pudieron realizar observaciones estratégicas relativas a las reservas con que había que proceder sobre el mundo árabe-islámico en el “combate global contra el terrorismo transnacional”, como la propia Francia que en otros tiempos había sido cautelosa en su política hacia los países árabes, no lo hicieron.
Así, Europa volvió a ser objetivo del terrorismo en función de su asociación con Estados Unidos a través del instrumento estratégico de este país en el continente, la OTAN. Pero a diferencia del “viejo terrorismo”, que operaba en los diferentes países de acuerdo a las políticas nacionales de cada país, ahora el “nuevo terrorismo” lo hacía en función de la política exterior global del principal actor occidental. Se trata de una importante diferencia, aunque se mantiene la cuestión de la (in) seguridad nacional en un alto nivel.
El seguimiento del “libreto” estratégico estadounidense por parte de Europa, que implicó el involucramiento de fuerzas nacionales a miles de kilómetros de los territorios nacionales, ha sido frustrante para Europa en general y para Francia en particular. El experto Olivier Zajec, del Instituto de Conflictos Estratégicos, de París, ha definido en términos categóricos los resultados de dicho seguimiento: “Detrás de las incertidumbres del Elíseo, se encuentra obviamente el pantano afgano. Este fracaso es sobre todo el de una teoría culturalista estadounidense, la ‘contra insurrección con enfoque global’, que amplió demasiado el marco temporal de la ‘estabilización’, confundiendo modos de acción tácticos con una política, moralizando en exceso los objetivos de la guerra y cerrándose por esa misma razón a cualquier salida digna. Lo cierto es que esta derrota del pensamiento estratégico, que inmovilizó a cien mil hombres en un teatro de operaciones durante diez años sin un objetivo final alcanzable, no hace desaparecer ‘ipso facto’ la necesidad de intervenciones de estabilización o de mediación, como lo demuestra Malí”.
Otros franceses han sido menos cuidadosos en sus críticas. En su incisivo trabajo sobre los contrariedades que ha significado el “sarkozismo” para Francia, el siempre vigente Emmanuel Todd ha afirmado que “Con sus amenazas de bombardeos selectivos al Golfo Pérsico y a Afganistán, Sarkozy ha puesto en acción su incompetencia diplomática: transformar a los soldados franceses en refuerzos del ejército estadounidense sólo puede arruinar la posición de nuestro país en el mundo. El planeta no tiene ninguna necesidad de una Francia obediente, de una potencia media que, conforme a la teoría diplomática, deja de existir al alinearse con una potencia dominante”.
Por último, el regreso de Francia a la OTAN tampoco ha implicado cambio alguno en relación con la estrategia que desde el mismo final de la Guerra Fría Estados Unidos llevó adelante ante el “Estado continuador” de la URSS, la Federación Rusa; en buena medida, ello explica la compleja situación de la relación entre Europa y Rusia por la crisis en Ucrania.
También en esta cuestión Europa terminó siguiendo una geopolítica no propia, y tampoco Francia, que siempre defendió el entendimiento con Moscú, particularmente durante la presidencia de Chirac, intentó que Europa quedara siquiera algo desmarcada en una situación centralmente basada en una concepción estratégica que maximizó el poder no precisamente de los socios europeos.
Más aún, la relación con Rusia no se deterioró a partir de los acontecimientos de Ucrania sino a partir del momento que la intervención militar de la OTAN en Libia, habilitada gracias a que Francia impulsó las resoluciones en el Consejo de Seguridad de la ONU, modificó su propósito inicial dirigido a proteger al pueblo libio y acabó apoyando a las fuerzas que combatían al régimen, situación que fue crucial para que posteriormente Rusia no estuviera dispuesta a apoyar la injerencia internacional en Siria.
En suma, sin duda que el mundo ha cambiado y posiblemente hoy ya no tiene sentido celosos planteamientos nacional-soberanos como los que realizara Charles de Gaulle, cuando intento preservar algo de grandeza nacional tras la guerra y luego de los fracasos militares en los años cincuenta. Acaso el estadista haya alcanzado más que ello puesto que por un largo tiempo logró que un actor de talla media como Francia desempeñara un papel sin duda exagerado.
Sin embargo, la predominancia estadounidense en (o sobre) Europa se ha mantenido más allá de la Guerra Fría, y en buena medida ello se debe a la impotencia de Europa para fijar y ejecutar políticas que gradualmente la distancien de su condición de subordinación estratégica o, para decirlo menos peyorativamente, de “potencia civil” (por cierto, una categoría irrelevante -cuando no inexistente- en las relaciones interestatales).
Se esperaba que el regreso de Francia al comando estratégico coadyuvara a ese propósito estratégico mayor. Pero no sólo que ello no ha ocurrido, sino que la propia Francia parece consentir aquella condición, realidad que implica que Europa continuará desplegando recursos y capacidades pero sin geopolítica propia, es decir, definiendo de modo insuficiente o erróneo sus objetivos, involucrándose en sitios donde no estén en juego sus intereses y corriendo los riesgos que ello acarrea.
fonte(RT-español)
terça-feira, janeiro 27, 2015
Herida abierta de la historia: ¿Quién liberó la 'fábrica de la muerte' de Auschwitz?
El 27 de enero de 1945 fue liberado por el Ejército Rojo el campo de
concentración de Auschwitz, cuya historia nunca ha causado desacuerdos o
discusiones hasta que la semana pasada el canciller polaco, Grzegorz
Schetuna, declarara que Auschwitz fue liberado por los ucranianos
desatando una gran polémica. Lo más correcto sería hacer la vista gorda a
esta declaración o atribuirla a la falta de conocimientos históricos
siempre y cuando la historia no doliera tanto.
Ria Novosti. Transportan a los primeros prisioneros al campo de concentración.
Según documentos desclasificados,
a principios de 1943 el 64,6% del personal de las divisiones de
fusileros soviéticos eran rusos, el 11,8% eran ucranianos. En 1944,
cuando la mayor parte de la República Socialista Soviética de Ucrania
fue liberada, el porcentaje cambió un poco: había un 58,3% de rusos y un 22,2% de ucranianos. En general, si hablamos de las bajas entre diferentes nacionalidades, se trata del 66,4% de rusos y un 15,9% de ucranianos.
Los rusos fueron el único pueblo entre los principales de la URSS, donde la proporción de los soldados fallecidos fue significativamente mayor que la proporción del grupo étnico en la población de la URSS. Pues, según un censo, la población de los rusos en 1939 ascendía a 99.591.520 de personas (el 58,39% de la población de la URSS), mientras que el porcentaje de los rusos fallecidos asciende al 66,40% de un número total de los soldados soviéticos fallecidos.
Las cifras hablan por sí mismas: más de la mitad del Ejército Rojo estaba compuesto por rusos, mientras que los ucranianos llegaban a una cuarta parte. De ninguna manera quiero disminuir el papel de los ucranianos en la lucha contra el fascismo, solo quiero enfatizar que en aquel entonces se trataba de una invencible amistad de los pueblos, cuando codo a codo los rusos luchaban junto con ucranianos, bielorrusos, armenios, georgianos, kazajos, uzbekos y decenas de otros pueblos. Parece que de lo que se olvida el ministro polaco es el hecho de que durante la Segunda Guerra Mundial miles de ucranianos formaron parte del Ejército Insurgente Ucraniano que colaboraba con los fascistas alemanes y que exterminó a centenares de miles de polacos.
Ria Novosti/ Yudin. Sacos con el pelo de las mujeres quemadas
"Cuando vimos hornos, el primer
pensamiento fue que era un crematorio. Que la gente se moría, y en lugar
de enterrar los cuerpos, los quemaban. Nunca se nos habría ocurrido que
los hornos fueron construidos para matar a la gente. Era parte de la
destrucción sistemática", agrega.
Leonti Brant, unos de los libertadores del campo de concentración, relata: "Había un montón de plantas de zapatos de soldados, de zapatos masculinos y de botas femeninas, así como de zapatillas infantiles. Había un montón de pelo, sobre todo de mujeres. Los sacos estaban llenos de piel humana".
Ria Novosti. Zapatos de los prisioneros del campo de concentración
El veterano Mijaíl Kabanov también fun uno de los libertadores de Auschwitz. "¡Qué asco!", comentó sobre las palabras del ministro polaco. "Es un verdadero insulto",
enfatizó. El veterano explica que el primer frente ucraniano que entró
en el campo de concentración fue una unidad militar del Ejército Rojo y
que al principio se llamaba Frente de Vorónezh, luego Frente de Briansk y
recién luego Frente Ucraniano. "Por supuesto, había ucranianos también,
luchábamos todos juntos. Los polacos han olvidado muchas cosas.
Han olvidado que 600.000 ciudadanos soviéticos murieron durante la
liberación de Polonia de los nazis", agrega.
Ria Novosti. El banco para las ejecuciones
De 1.300.000 de los reclusos de Auschwitz
casi 234.000 eran niños. El día de la liberación del campo de
concentración quedaban sólo 611 niños. El destino de todos los recién
nacidos era trágico: los ahogaban y tiraban sus cuerpos a la calle.
Ria Novosti/ Fishman. Niños en el campo de Auschwitz
En el momento de la liberación del campo de
concentración, además de los niños, ahí se encontraban sólo 2.500
adultos. Pero ahora para algunos políticos es, al parecer, más
importante atribuir la contribución de la hazaña más a unos que a otros
en vez de honrar la memoria de las víctimas y decir mil gracias a los
pocos veteranos del Ejército Rojo que están vivos. Lamentablemente,
algunos, en busca de la defensa de sus ideales políticos, optan por
'pisar' los corazones valientes de los soldados abriendo las heridas aún
no cicatrizados de la historia.
Reuters. La llamada 'puerta de la muerte' de Auschwitz-Birkenau
Los rusos fueron el único pueblo entre los principales de la URSS, donde la proporción de los soldados fallecidos fue significativamente mayor que la proporción del grupo étnico en la población de la URSS. Pues, según un censo, la población de los rusos en 1939 ascendía a 99.591.520 de personas (el 58,39% de la población de la URSS), mientras que el porcentaje de los rusos fallecidos asciende al 66,40% de un número total de los soldados soviéticos fallecidos.
Las cifras hablan por sí mismas: más de la mitad del Ejército Rojo estaba compuesto por rusos, mientras que los ucranianos llegaban a una cuarta parte. De ninguna manera quiero disminuir el papel de los ucranianos en la lucha contra el fascismo, solo quiero enfatizar que en aquel entonces se trataba de una invencible amistad de los pueblos, cuando codo a codo los rusos luchaban junto con ucranianos, bielorrusos, armenios, georgianos, kazajos, uzbekos y decenas de otros pueblos. Parece que de lo que se olvida el ministro polaco es el hecho de que durante la Segunda Guerra Mundial miles de ucranianos formaron parte del Ejército Insurgente Ucraniano que colaboraba con los fascistas alemanes y que exterminó a centenares de miles de polacos.
"Polonia ha olvidado muchas cosas"
Cuando el 27 de enero de 1945 los soldados del Ejército Rojo entraron en Auschwitz, Iván Martýnuskin fue uno de los primeros que vio el infierno que representaba el campo de concentración."Ellos vivían en un infierno, bajo la amenaza constante de la muerte. Estaban cansados, agotados. Pero en sus ojos se veía una alegría. La alegría de la liberación, la alegría de que ese infierno había terminado", recuerda el veterano.Leonti Brant, unos de los libertadores del campo de concentración, relata: "Había un montón de plantas de zapatos de soldados, de zapatos masculinos y de botas femeninas, así como de zapatillas infantiles. Había un montón de pelo, sobre todo de mujeres. Los sacos estaban llenos de piel humana".
Campo de la muerte
Auschwitz es el lugar donde fueron cometidos más asesinatos en masa en la historia de la humanidad. Según diferentes fuentes, en Auschwitz han muerto de 1 millón a 4 millones de personas. Los prisioneros fueron asesinados en los crematorios, fallecieron debido a las condiciones inhumanas de trabajo, hambre, frío, epidemias o experimentos médicos.domingo, janeiro 11, 2015
Je ne suis pas Charlie (Eu não sou Charlie)
Não me identifico com a representação degradante e 'caricatural' que Charlie Hebdo faz do mundo islâmico com toda a carga racista e colonialista.
Começo esclarecendo, antes de mais nada, que
considero uma atrocidade o ataque às redações da revista satírica
Charlie Hebdo em Paris e que não acredito, em qualquer circunstância,
ser justificável transformar um jornalista, por mais duvidosa que seja
sua qualidade profissional, em um objetivo militar. O mesmo é válido na
França, assim como na Colômbia ou na Palestina. Tampouco me identifico
com qualquer fundamentalismo, nem cristão, nem judeu, nem muçulmano, nem
tampouco com o bobo-secularismo afrancesado, que considera a sagrada
“République” uma deusa.
Faço
esses esclarecimentos necessários porque, por mais que insistam os
gurus da alta política que na Europa vivemos em uma “democracia
exemplar” com “grandes liberdades”, sabemos que o Grande Irmão nos vigia
e que qualquer discurso que fuja à cartilha é castigado duramente. Mas
não acredito que censurar o ataque contra a Charlie Hebdo seja sinônimo
de celebrar uma revista que é, fundamentalmente, um monumento à
intolerância, ao racismo e à arrogância colonial.
Milhares
de pessoas, compreensivelmente afetadas por esse atentado, fizeram
circular mensagens em francês dizendo “Je suis Charlie” (Eu sou
Charlie), como se esta mensagem fosse o último grito em defesa da
liberdade. Pois então, eu não sou Charlie. Não me identifico com a
representação degradante e “caricatural” faz do mundo islâmico em plena
época da chamada “guerra contra o terror”, com toda a carga racista e
colonialista que isso traz. Não posso ver com bons olhos essa constante
agressão simbólica que tem como contrapartida uma agressão física e
real, mediante os bombardeios e ocupações militares a países
pertencentes a esse horizonte cultural.
Tampouco
posso ver com bons olhos essas caricaturas e seus textos ofensivos
quando os árabes são um dos setores mais marginalizados, empobrecidos e
explorados da sociedade francesa, tendo recebido historicamente um trato
brutal: não me esqueço de que no metrô de Paris, no começo dos anos 60,
a polícia massacrou a pauladas 200 argelinos por demandar o fim da
ocupação francesa em seu país, algo que já havia deixado um saldo
estimado de um milhão de “incivilizados” árabes mortos.
Não
se trata de inocentes caricaturas feitas por livres pensadores, mas sim
de mensagens produzidas pelos meios de comunicação de massas (sim,
ainda que se coloque como alternativa, Charlie Hebdo pertence aos meios
de massas) carregadas de estereótipos e ódios, que reforçam um discurso
que entende os árabes como bárbaros aos quais é preciso conter,
desaraigar, controlar, reprimir, oprimir e exterminar.
Mensagens
cujo propósito implícito é justificar as invasões a países do Oriente
Médio assim como as múltiplas intervenções e bombardeios que, pelo o
Ocidente, são orquestradas em defesa da nova partilha imperial. O ator
espanhol Willy Toledo disse, em uma declaração polémica – por apenas
evidenciar o óbvio –, que “O Ocidente mata todos os dias. Sem fazer
barulho”. E isso é o que Charlie e seu humor negro ocultam sob a forma
de sátira.
Não
me esqueço do número 1099 da Charlie Hebdo, na qual se banalizava o
massacre de mais de mil egípcios por uma brutal ditadura militar, que
tem o consentimento da França e dos EUA, mediante uma uma capa que diz
algo como: “Matança no Egito. O Corão é uma merda: não detém as balas”. A
caricatura era a de um homem muçulmano todo furado, enquanto se
protegia com o Corão. Haverá quem ache isso engraçado. Também, na sua
época, os colonos ingleses na Terra do Fogo acreditavam que era
engraçado tirar fotografias junto com indígenas que eles haviam
“caçado”, com amplos sorrisos, espingarda na mão, e com o pé sobre o
cadáver sangrento ainda quente.
Em
vez de engraçada, essa caricatura me parece violenta e colonial, um
abuso da tão fictícia como manipulada liberdade de imprensa ocidental. O
que aconteceria se eu fizesse agora uma revista cuja capa dissesse o
seguinte: “Matança em Paris. Charlie Hebdo é uma merda: não detém as
balas” e fizesse uma caricatura do falecido Jean Cabut perfurado com uma
cópia da revista em suas mãos? É claro que seria um escândalo: a vida
de um francês é sagrada. A de um egípcio (ou a de um palestino,
iraquiano, sírio etc.) é material “humorístico”. Por isso, não sou
Charlie, pois para mim a vida de cada um dos egípcios perfurados é tão
sagrada como a de qualquer desses caricaturistas hoje assassinados.
Já
sabemos o que vem de agora em diante: haverá discursos para defender a
liberdade de imprensa por parte dos mesmos países que em 1999 deram a
bênção ao bombardeio da OTAN, em Belgrado, da estação de TV Pública
sérvia por chamá-la de “o ministério de mentiras”; que se calaram quando
israel bombardeou em Beirute a estação de TV AL-Manar em 2006; que se
calam diante dos assassinatos de jornalistas críticos colombianos e
palestinos. Logo, da bela retórica pró-liberdade virá a ação
liberticida: mais macartismo dito “antiterrorismo”, mais intervenções
coloniais, mais restrições a essas “garantias democráticas” em vias de
extinção, e, é claro, mais racismo.
fonte
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E. islamico,
frança
Guerra entre fundamentalismos-tariq ali
Sacralizar um jornal satírico que dirige ataques a vítimas da
islamofobia é quase tão tolo quanto justificar os atos de terror contra a
publicação
Foi a qualidade, não a quantidade que eles procuravam. Eles não dão a mínima para o mundo dos incrédulos. Como Kirilov em "Os Demônios", romance de Dostoiévski, eles pensam que "se Deus não existisse, tudo seria permitido".
Ao contrário dos inquisidores medievais da Sorbonne, eles não têm a autoridade legal e teológica para assediar livreiros ou donos de gráficas, proibir livros ou torturar escritores, de modo que se sentem livres para dar um passo além.
E os soldados de infantaria? As circunstâncias que atraem homens e mulheres jovens para esses grupos não são escolhidas por eles, mas pelo mundo ocidental no qual vivem --ele próprio é resultado de longos anos de domínio colonial.
Os terroristas que realizaram o massacre no semanário satírico "Charlie Hebdo", em Paris, na quarta-feira (7), gritavam "Deus é grande". Não faço ideia se eles acreditavam que tinham sido acolhidos por Deus ou que estavam a mando dele, mas o que sabemos é que os dois irmãos parisienses --Chérif e Said Kouachi-- eram maconheiros cabeludos que viram imagens da Guerra do Iraque, em 2003, e, em particular, das torturas na prisão de Abu Ghraib e dos assassinatos a sangue frio de iraquianos em Fallujah.
Esses rapazes buscaram conforto na mesquita. Foram recrutados por radicais islâmicos que viram na "guerra ao terror" do Ocidente uma oportunidade de ouro para recrutar jovens tanto no mundo muçulmano como nos guetos da Europa e da América do Norte.
Enviados primeiro ao Iraque para matar americanos e, mais recentemente, à Síria (com a conivência do Estado francês?) a fim de derrubar Bashar al-Assad, eles foram ensinados a utilizar armamentos de forma eficaz. De volta à Europa, colocaram em prática os seus conhecimentos. Eram perseguidos e o semanário representava seus perseguidores. Deixar o horror nos cegar para essa realidade seria miopia.
O "Charlie Hebdo" nunca escondeu o fato de que continuaria provocando os muçulmanos com blasfêmias ao profeta. A maior parte dos muçulmanos estava com raiva, mas ignorou os insultos.
Para a publicação, era uma defesa dos valores seculares republicanos contra todas as religiões. O semanário atacava ocasionalmente o catolicismo, dificilmente --ou nunca-- o fazia contra o judaísmo, mas concentrou sua ira sobre o islã.
A secularidade francesa de hoje significa, essencialmente, qualquer coisa que não é islâmica. Defender o direito de publicar o que quiserem, independentemente das consequências, é uma coisa, mas sacralizar um jornal satírico que dirige ataques regulares àqueles que já são vítimas de uma islamofobia desenfreada nos EUA e na Europa é quase tão tolo quanto justificar os atos de terror contra a publicação.
A França tem leis para restringir liberdades se há alguma suspeita de que elas possam causar agitação social ou violência. Até agora elas têm sido usadas para proibir apenas as aparições públicas do comediante francês Dieudonne por causa de piadas antissemitas e proibir manifestações pró-palestinos.
Mas isso não é visto como algo problemático por uma maioria de franceses que chia bem alto. Também não houve vigílias pela Europa quando se soube há alguns meses que foi utilizada tortura contra prisioneiros muçulmanos entregues à CIA por países europeus.
Há um pouco mais que sátira em jogo. O que estamos testemunhando é um conflito entre fundamentalismos rivais, cada um mascarado por diferentes ideologias.
A economia política da Europa está confusa e, na ausência de uma alternativa real ao capitalismo (não apenas ao neoliberalismo), o vácuo político vai crescer e novas forças emergem na luta pelo poder.
A extrema direita está em ascensão na França. Marine Le Pen está na vanguarda, liderando as pesquisas para a próxima eleição presidencial, sempre relacionando os recentes acontecimentos à imigração desenfreada e dizendo que ela sempre havia alertado para isso.
Que pena que o filme de Gilli Pontecorvo "A Batalha de Argel" (1966) ainda tenha que ser visto em Marselha. Algumas liberdades são claramente mais preciosa que outras.
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tariq ali é um jornalista e escritor paquistanes, autor do libro "confronto de fundamentalismos"
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sábado, janeiro 10, 2015
Por que não sou Charlie Hebdo - Je ne suis pas Charlie
Por que não sou Charlie Hebdo - Je ne suis pas Charlie
AUTOR: Zuni
AUTOR: Zuni
Nada justifica o massacre na redação do jornal Charlie Hebdo, mas
algumas generalizações e relativizações na cabeça da sociedade são tão
perigosas quanto kalashnikovs na mão de fundamentalistas.
O caso Charlie Hebdo levantou grandes discussões. Há politicos, instituições, governos, jornalistas e comentaristas de facebook de todas as estirpes falando sobre o assunto em tribunas, periódicos e mesas de bar. Todos são unanimes em condenar a brutalidade dos ataques, porém as divergências de opinião são maiores do que as concordâncias.
Enquanto muitos discursos falam sobre o perigo da amplificação do ódio contra comunidades muçulmanas na França e ao redor do mundo, não faltam aqueles que de pronto condenem a “selvageria e brutalidade” da religião islâmica e dos povos árabes, engrossando as fileiras de fundamentalistas nacionalistas que organizam marchas xenófobas contra a “islamização da Europa”, a favor das intervenções militares criminosas dos estados ricos do Ocidente nos países do Oriente Médio e África e respaldando o racismo que tornou possível e aceitável a longa série de políticas coloniais e práticas exploratórias que sustentaram a economia e poder da França desde que esta se tornou um Estado-Nação.
Entretanto, não quero falar agora sobre as divergências de opinião, e sim sobre o consenso, expresso no slogan “Je suis Charlie” (Eu sou Charlie), que inundou as redes sociais e capas de jornais ao redor do planeta. O slogan é atrelado à ideia de que o que ocorreu ontem na França implica um atentado contra a liberdade de imprensa e valores democráticos ocidentais; implica dizer que toda imprensa é livre pra publicar irresponsavelmente qualquer conteúdo; implica dizer que o direito de zombar de uma religião é o mesmo que lutar pelo estado laico; e implica, principalmente, que o ataque foi simplesmente resultado do extremismo (ou da falta de senso de humor) religioso diante de uma crítica “ácida e sagaz”, excetuando-se todo o contexto de marginalização e discriminação da comunidade muçulmana na França. Principalmente, implica ignorar a que se propõe e quais os efeitos dessas charges no contexto político-ideológico de um país com níveis alarmantes de racismo.
O argumento mais comum que encontrei nas redes sociais e comentários de jornais on-line é o de que o Charlie Hebdo fazia charges ofensivas sobre todas as religiões, e que portanto, se cristãos conseguem ver charges com Jesus e levar como uma piada, então muçulmanos também deveriam. Esse é um argumento raso porque coloca no mesmo patamar a situação das comunidades muçulmanas e das comunidades cristãs na Europa, ao mesmo tempo que reforça a ideia de superioridade ocidental racionalista. É o mesmo simplismo de quem diz que chamar um branco de “palmito” tem o mesmo peso de chamar um negro de “macaco”. Não é só uma piada.
A quem serve a islamofobia?
No dia anterior ao massacre de Charlie Hebdo aconteceram duas marchas na Alemanha: uma pela expulsão de árabes e muçulmanos do país e outra contra o discurso xenófobo da direita ultra-nacionalista alemã. Esse tipo de manifestações populares contra minorias étnicas fica cada dia mais comum em toda a europa, e a França, sempre avant-garde, é um dos maiores focos de marchas e movimentos racistas, machistas e xenófobos na Europa.
Na França a “Questão Muçulmana” é uma obsessão prioritária dos grupos de direita. O jornalista Edwy Planel, autor do livro “Pelos Muçulmanos” (título dado em alusão ao artigo “Pelos Judeus”, escrito por Emile Zolá em sobre o caso Dreyfus) aponta os ataques à comunidade muçulmana com sendo a principal plataforma de discurso eleitoral na França de hoje.
Nicolas Sarkozy é um exemplo claro da presença do discurso racista na política francesa. Podemos citar seu discurso na Universidade de Dakar, em julho de 2007, quando disse:
“O drama da África é que o homem africano não entrou totalmente na história. O camponês africano, que desde milhares de anos vive conforme as estações, cujo ideal de vida é estar em harmonia com a natureza, só conhece o eterno recomeço do tempo ritmado pela repetição sem fim dos mesmos gestos e das mesmas palavras. Nesse imaginário onde tudo recomeça sempre, não há lugar nem para a aventura humana, nem para a ideia de progresso. Nesse universo onde a natureza comanda tudo, o homem escapa à inquietude da história que inquieta o homem moderno. Mas o homem permanece imóvel no meio de uma ordem imutável, onde tudo parece ser escrito antes. Nunca ele se lança em direção ao futuro. Nunca não lhe vem à ideia de sair da repetição para se inventar um destino “
Vamos lembrar que quando fala do “homem africano” (como se todos os povos de África fossem um único grupo homogêneo) Sarkozy alude especialmente à população muçulmana, uma vez que a França invadiu e colonizou a Argélia e o Marrocos, de onde vêm a maior parte dos imigrantes islâmicos da França.
Atualmente vem ganhando muito espaço ideológico o partido de extrema direita Frente Nacional, cuja principal voz é Marine Le Pen, famosa pelo discurso islamofóbico e pelas políticas anti-imigração. Le Pen, forte candidata para as próximas eleições presidenciais, declarou hoje, no embalo do ataque de ontem, que “a França está sendo atacada”, e aproveitou para reforçar sua proposta de instaurar a pena de morte no país.
O professor Reginaldo Nasser aponta, em artigo publicado ontem, pra o perigo do uso do caso Charlie para fortalecer as políticas ultra-nacionalistas francesas:
“Há de fato uma situação conturbada na França e que vai piorar a partir de agora, os preconceitos com os imigrantes podem aumentar e reforçar um sentimento nacionalista. Le Pen é a representante de um pensamento xenófobo no país. Mas temos que esperar ainda pra ver quais serão dos desdobramentos quando se descobrir os culpados”
Portanto, a mobilização massiva criada em torno do slogan "Je suis Charlie", se for ausente de uma crítica séria sobre a situação dos muçulmanos na Europa e as razões da islamofobia na França, tende a ser apenas combustível para a xenofobia e os partidos ultra-conservadores.
A quem serve a liberdade de expressão?
Aqueles que ostentam orgulhosos o slogan “Eu sou Charlie” se dizem advogar pela liberdade de expressão, porém não questionam o que significa essa liberdade de expressão nem tampouco quem tem direito a essa liberdade. Ninguém se preocupa com a censura à liberdade de expressão religiosa islâmica na França.
Em 1989 o jornal “Le Nouvel Observateur” publicou uma capa contra o uso do hijab, o véu muçulmano, nas escolas. Isso levou a uma discussão que culminou na lei de 2004 proibindo que meninas islâmicas usando lenços frequentassem as aulas, e desde 2011 há uma circular do Ministério da Educação recomendando que se impeça a presença de mães usando hijabs na área em torno dos colégios. Nunca houve proibição do uso de crucifixos ou camisas com slogans cristãos. A esquerda francesa (e a maior parte da esquerda ocidental) se mostrou favorável a esta lei ou, na melhor das hipóteses, silenciou sobre ela, sob o pretexto da defesa do Estado Laico. Esquecem-se que o laicismo serve para preservar o direito à liberdade de exercício de pensamento religioso ou à liberdade de não exercer nenhuma crença religiosa. E esquecem-se de que o islã não é apenas uma crença religiosa, mas também um referencial de identidade de toda uma comunidade historicamente oprimida, remetendo a questões religiosas, culturais, étnicas e políticas.
Proibir a expressão de sua religião é censura. Proibir a expressão de sua identidade cultural é eugenia. Imaginem, por exemplo, uma lei brasileira proibindo o uso de turbantes e símbolos da Umbanda e Candomblé em áreas públicas. Seria uma conquista do estado laico ou (mais) um ataque às crenças afro-brasileiras?
Na esteira das liberdades de expressão negadas pelo governo francês intrinsecamente conectadas ao Islã está a abominação legislativa sancionada no ano passado, quando a França tornou-se o primeiro país do mundo a proibir manifestações de apoio à Palestina, durante os bombardeios israelenses à Faixa de Gaza, que assassinaram 1.951 pessoas e feriram 10.193 civis. Qualquer pessoa que participasse de um protesto contra os crimes de guerra de Israel, práticas de Terrorismo de Estado respaldadas ideologicamente por políticos e formadores de opinião entre a população israelense através de fundamentalismo nacionalista e argumentos de fundamentalismo religioso judaico e islamofobia, seria preso por um ano ou pagaria multa de 15 mil euros. Se o manifestante cobrisse o rosto durante o protesto, a pena subia para três anos de detenção.
Cabe ressaltar aqui que não sei qual foi o posicionamento do jornal Charlie Hebdo sobre esse caso em particular, mas certamente a comunidade internacional não se manifestou tão passionalmente sobre o direito dos franceses à liberdade de expressar apoio aos palestinos.
Então, cabe a pergunta:
A quem faz rir o humor de Charlie Hebdo?
Não existe piada sem um alvo, e o senso de humor tem poder político por natureza. Piadas podem ser um meio de constestação ou de sedimentação do senso comum, do status quo dominante. Quando um humorista faz uma piada racista, está endossando o racismo de quem ri, criando no riso um lugar seguro pra que os estereótipos racistas cresçam, legitimando ignorância e raiva disfarçados de senso de humor. As pessoas formam suas concepções de mundo, de certo e errado, de verdade e justiça, muito mais através de piadas e slogans simplistas do que de resoluções da ONU e tratados de sociologia.
Me lembro que, quando era criança, meu pai comprava livros de piadas em bancas de jornal e passava o dia atormentando minha mãe com piadas machistas sobre loiras burras e mulheres caricaturizadas da pior forma possível. Eram sessões ininterruptas de ofensas, mas que ela ouvia com um sorriso amarelo, uma vez que “era só piada”. Da mesma forma, ele contava as piadas mais ofensivas possíveis sobre negros, sempre respaldado pelo fato de que “não era o que ele pensava”, e sim “só o que estava escrito nos livros de piada”. Foram anos desse tipo de piada “inocente”, até o dia em que, sem tom de piada ou riso suave, ele me proibiu de namorar mulheres negras.
É muito comum que se veja, no Brasil, “humoristas” como Danilo Gentili e Rafinha Bastos, vindos de uma mesma escola de racismo, machismo e homofobia que geraram o riso bobo de Costinha e Renato Aragão, defenderem seu direito de ser promover discurso de ódio como se isso fosse “liberdade de expressão”. E, mais triste ainda, é muito comum ver a população brasileira defendendo essa “liberdade” de humilhar, ofender e sedimentar preconceitos contra minorias, sob o rótulo falsamente liberal (e bastante estúpido) de “politicamente incorreto”. Muitas vezes eles dizem que estão fazendo humor político, “expondo o racismo” ao fazer piadas racistas. Esse é um argumento preguiçoso e altamente hipócrita para manter seu direito de ser um racista alegre e ainda posar de Voltaire do facebook.
O humor das charges do jornal Charlie Hebdo estão na mesma esteira de qualquer senso de humor racista. Os defensores do “Je suis Charlie” não cansam de dizer que são a revista é o Pasquim Francês. Dizem que as caricaturas são ácidas e corajosas, atacando todas as religiões e expondo a homofobia e o fundamentalismo do islã. Porém, o que as caricaturas de Mohammad fazem é respaldar o ódio e a ignorância sobre o islã, as comunidades muçulmanas francesas e os povos árabes.
Na caricatura em que o profeta Mohammad aparece beijando um cartunista branco não há contestação nem levantamento de discussão. Não é um canal de diálogo com as comunidades muçulmanas para contestar as posturas homofóbicas da religião e de suas muitas multi-culturais comunidades ao redor do mundo. É apenas um desenho de um homem branco europeu beijando o símbolo máximo de uma religião pertencente a outro povo. Não é assim que se levanta um debate, não é assim que se dialoga e não é assim que se contesta. Tudo o que a caricatura faz é zombar do Islã (cuja crença considera ofensivo representar graficamente seu profeta), cortar os possiveis canais de discussão com a comunidade que criticam e aumentar os preconceitos dos franceses islamofóbicos, que assim se sentem superiores aos seus vizinhos islâmicos. Não é um discurso que contesta a homofobia das comunidades islâmicas, e sim uma agressão que contesta a legitimidade de uma comunidade marginalizada e que não dá voz essa comunidade. Esse tipo de agressão só torna mais difícil que a sociedade em geral ouça a muçulmanos que buscam combater o discurso conservador dentro da sua religião a despeito de professarem sua fé.
Em outra caricatura, um muçulmano segura um Corão enquanto balas atravessam o livro e o seu corpo. A legenda diz “O Corão é uma merda”. Isso não levanta debate nenhum, apenas diz “sua religião é uma merda”, o que implica dizer, no caso, “sua sociedade muçulmana, sua história muçulmana, seus parentes e crenças muçulmanas, são uma merda”.
As caricaturas da Hebdo retratam muçulmanos como sendo terroristas, estúpidos e perigosos. As pessoas se acostumam a pensar nessas imagens quando pensam em muçulmanos, e isso gera medo, ódio, deboche e xenofobia. Eu, enquanto estudante de língua árabe, perdi a conta de quantas vezes ouvi tanto piadas imbecis quanto preocupações sérias de meus amigos que pensavam que eu vivia uma terra de selvagens e fundamentalistas perigosos.
Esse tipo de humor raso e infantil não é razão para que se assassinem seus perpetradores. Eu não defenderia que militantes feministas armadas invadissem o Comedians e assassinassem Rafinha Bastos. Ainda assim, elas têm todo o direito de se sentir ultrajadas, agredidas e ofendidas quando ele usa seu poder de discurso para convencer sua plateia de que mulheres feias devem ser estupradas e ficar agradecidas pela “caridade”. Mais importante, é preciso ter em mente que, sendo elas o grupo diretamente atingido pelas piadas infelizes dele, é a elas que a sociedade deve ouvir. Não me cabe o direito de julgar se uma mulher pode ou não se sentir ofendida com uma piada machista, e não me cabe dizer se um muçulmano deve se sentir ultrajado por uma piada islamofóbica, porque existe todo um contexto social por trás dessas piadas que eu não compreendo e do qual eu não sou a vítima.
Acreditar que as reações de muçulmanos às caricaturas é simples extremismo é dizer que “é só uma piada”. Não é. A reação tem a ver com todo o contexto de discriminação social e econômica, ás humilhações diárias que essa população sofre nos países europeus, à invisibilidade de sua identidade, ao histórico colonial e também com as atuais politicas intervencionistas dos países ocidentais no Oriente Médio e África, que se negam a ouvir as vozes árabes e africanas enquanto financiam grupos extremistas e assassinam populações civis com drones e “democracias”.
Um relatório do Observatório Europeu do racismo e Xenofobia aponta que, na França, a chance de alguém de origem árabe/muçulmana conseguir um emprego é cinco vezes menos do que um caucasiano com as mesmas qualificações, possuem menos acesso á educação formal, vivem nas áreas mais sucateadas das cidades e estão sujeitos a todo tipo de discriminação e violência física. O relatório aponta o sentimento de desespero e exclusão social do jovem muçulmano que vê sua possibilidade de progressão social dificultada por racismo e xenofobia.
O massacre que ocorreu ontem foi um crime horrível de terror e silenciamento, cometido por alguém que não sabemos ainda quem é (e nada impede que seja uma operação de false flag) nem com qual intenção. Um crime horrível e abominável, como foram horríveis e abomináveis os crimes de terror e silenciamento promovidos pelo Mossad quando assassinou o cartunista Naji Al-Ali, ou quando Bashar Al-Assad mandou quebrar as mãos do cartunista Ali Ferzat, ou todos os dias quando a polícia militar de Geraldo Alckmin, aterroriza e assassina os jovens que imprimem sua crítica e revolta com latas de spray nas paredes da minha cidade. Todos são crimes horríveis de silenciamento, e todos devem ser condenados, mas cada um tem suas particularidades, razões e contextos próprios e únicos, e não podemos cair no erro de diluir nossa crítica no simplismo maniqueísta, ou corremos o risco de que a voz que queremos dar à democracia seja um megafone para os absurdos da teoria de "choque de civilizações" de Huntington.
Por tudo isso, eu Não sou Charlie.
O caso Charlie Hebdo levantou grandes discussões. Há politicos, instituições, governos, jornalistas e comentaristas de facebook de todas as estirpes falando sobre o assunto em tribunas, periódicos e mesas de bar. Todos são unanimes em condenar a brutalidade dos ataques, porém as divergências de opinião são maiores do que as concordâncias.
Enquanto muitos discursos falam sobre o perigo da amplificação do ódio contra comunidades muçulmanas na França e ao redor do mundo, não faltam aqueles que de pronto condenem a “selvageria e brutalidade” da religião islâmica e dos povos árabes, engrossando as fileiras de fundamentalistas nacionalistas que organizam marchas xenófobas contra a “islamização da Europa”, a favor das intervenções militares criminosas dos estados ricos do Ocidente nos países do Oriente Médio e África e respaldando o racismo que tornou possível e aceitável a longa série de políticas coloniais e práticas exploratórias que sustentaram a economia e poder da França desde que esta se tornou um Estado-Nação.
Entretanto, não quero falar agora sobre as divergências de opinião, e sim sobre o consenso, expresso no slogan “Je suis Charlie” (Eu sou Charlie), que inundou as redes sociais e capas de jornais ao redor do planeta. O slogan é atrelado à ideia de que o que ocorreu ontem na França implica um atentado contra a liberdade de imprensa e valores democráticos ocidentais; implica dizer que toda imprensa é livre pra publicar irresponsavelmente qualquer conteúdo; implica dizer que o direito de zombar de uma religião é o mesmo que lutar pelo estado laico; e implica, principalmente, que o ataque foi simplesmente resultado do extremismo (ou da falta de senso de humor) religioso diante de uma crítica “ácida e sagaz”, excetuando-se todo o contexto de marginalização e discriminação da comunidade muçulmana na França. Principalmente, implica ignorar a que se propõe e quais os efeitos dessas charges no contexto político-ideológico de um país com níveis alarmantes de racismo.
O argumento mais comum que encontrei nas redes sociais e comentários de jornais on-line é o de que o Charlie Hebdo fazia charges ofensivas sobre todas as religiões, e que portanto, se cristãos conseguem ver charges com Jesus e levar como uma piada, então muçulmanos também deveriam. Esse é um argumento raso porque coloca no mesmo patamar a situação das comunidades muçulmanas e das comunidades cristãs na Europa, ao mesmo tempo que reforça a ideia de superioridade ocidental racionalista. É o mesmo simplismo de quem diz que chamar um branco de “palmito” tem o mesmo peso de chamar um negro de “macaco”. Não é só uma piada.
A quem serve a islamofobia?
No dia anterior ao massacre de Charlie Hebdo aconteceram duas marchas na Alemanha: uma pela expulsão de árabes e muçulmanos do país e outra contra o discurso xenófobo da direita ultra-nacionalista alemã. Esse tipo de manifestações populares contra minorias étnicas fica cada dia mais comum em toda a europa, e a França, sempre avant-garde, é um dos maiores focos de marchas e movimentos racistas, machistas e xenófobos na Europa.
Na França a “Questão Muçulmana” é uma obsessão prioritária dos grupos de direita. O jornalista Edwy Planel, autor do livro “Pelos Muçulmanos” (título dado em alusão ao artigo “Pelos Judeus”, escrito por Emile Zolá em sobre o caso Dreyfus) aponta os ataques à comunidade muçulmana com sendo a principal plataforma de discurso eleitoral na França de hoje.
Nicolas Sarkozy é um exemplo claro da presença do discurso racista na política francesa. Podemos citar seu discurso na Universidade de Dakar, em julho de 2007, quando disse:
“O drama da África é que o homem africano não entrou totalmente na história. O camponês africano, que desde milhares de anos vive conforme as estações, cujo ideal de vida é estar em harmonia com a natureza, só conhece o eterno recomeço do tempo ritmado pela repetição sem fim dos mesmos gestos e das mesmas palavras. Nesse imaginário onde tudo recomeça sempre, não há lugar nem para a aventura humana, nem para a ideia de progresso. Nesse universo onde a natureza comanda tudo, o homem escapa à inquietude da história que inquieta o homem moderno. Mas o homem permanece imóvel no meio de uma ordem imutável, onde tudo parece ser escrito antes. Nunca ele se lança em direção ao futuro. Nunca não lhe vem à ideia de sair da repetição para se inventar um destino “
Vamos lembrar que quando fala do “homem africano” (como se todos os povos de África fossem um único grupo homogêneo) Sarkozy alude especialmente à população muçulmana, uma vez que a França invadiu e colonizou a Argélia e o Marrocos, de onde vêm a maior parte dos imigrantes islâmicos da França.
Atualmente vem ganhando muito espaço ideológico o partido de extrema direita Frente Nacional, cuja principal voz é Marine Le Pen, famosa pelo discurso islamofóbico e pelas políticas anti-imigração. Le Pen, forte candidata para as próximas eleições presidenciais, declarou hoje, no embalo do ataque de ontem, que “a França está sendo atacada”, e aproveitou para reforçar sua proposta de instaurar a pena de morte no país.
O professor Reginaldo Nasser aponta, em artigo publicado ontem, pra o perigo do uso do caso Charlie para fortalecer as políticas ultra-nacionalistas francesas:
“Há de fato uma situação conturbada na França e que vai piorar a partir de agora, os preconceitos com os imigrantes podem aumentar e reforçar um sentimento nacionalista. Le Pen é a representante de um pensamento xenófobo no país. Mas temos que esperar ainda pra ver quais serão dos desdobramentos quando se descobrir os culpados”
Portanto, a mobilização massiva criada em torno do slogan "Je suis Charlie", se for ausente de uma crítica séria sobre a situação dos muçulmanos na Europa e as razões da islamofobia na França, tende a ser apenas combustível para a xenofobia e os partidos ultra-conservadores.
A quem serve a liberdade de expressão?
Aqueles que ostentam orgulhosos o slogan “Eu sou Charlie” se dizem advogar pela liberdade de expressão, porém não questionam o que significa essa liberdade de expressão nem tampouco quem tem direito a essa liberdade. Ninguém se preocupa com a censura à liberdade de expressão religiosa islâmica na França.
Em 1989 o jornal “Le Nouvel Observateur” publicou uma capa contra o uso do hijab, o véu muçulmano, nas escolas. Isso levou a uma discussão que culminou na lei de 2004 proibindo que meninas islâmicas usando lenços frequentassem as aulas, e desde 2011 há uma circular do Ministério da Educação recomendando que se impeça a presença de mães usando hijabs na área em torno dos colégios. Nunca houve proibição do uso de crucifixos ou camisas com slogans cristãos. A esquerda francesa (e a maior parte da esquerda ocidental) se mostrou favorável a esta lei ou, na melhor das hipóteses, silenciou sobre ela, sob o pretexto da defesa do Estado Laico. Esquecem-se que o laicismo serve para preservar o direito à liberdade de exercício de pensamento religioso ou à liberdade de não exercer nenhuma crença religiosa. E esquecem-se de que o islã não é apenas uma crença religiosa, mas também um referencial de identidade de toda uma comunidade historicamente oprimida, remetendo a questões religiosas, culturais, étnicas e políticas.
Proibir a expressão de sua religião é censura. Proibir a expressão de sua identidade cultural é eugenia. Imaginem, por exemplo, uma lei brasileira proibindo o uso de turbantes e símbolos da Umbanda e Candomblé em áreas públicas. Seria uma conquista do estado laico ou (mais) um ataque às crenças afro-brasileiras?
Na esteira das liberdades de expressão negadas pelo governo francês intrinsecamente conectadas ao Islã está a abominação legislativa sancionada no ano passado, quando a França tornou-se o primeiro país do mundo a proibir manifestações de apoio à Palestina, durante os bombardeios israelenses à Faixa de Gaza, que assassinaram 1.951 pessoas e feriram 10.193 civis. Qualquer pessoa que participasse de um protesto contra os crimes de guerra de Israel, práticas de Terrorismo de Estado respaldadas ideologicamente por políticos e formadores de opinião entre a população israelense através de fundamentalismo nacionalista e argumentos de fundamentalismo religioso judaico e islamofobia, seria preso por um ano ou pagaria multa de 15 mil euros. Se o manifestante cobrisse o rosto durante o protesto, a pena subia para três anos de detenção.
Cabe ressaltar aqui que não sei qual foi o posicionamento do jornal Charlie Hebdo sobre esse caso em particular, mas certamente a comunidade internacional não se manifestou tão passionalmente sobre o direito dos franceses à liberdade de expressar apoio aos palestinos.
Então, cabe a pergunta:
A quem faz rir o humor de Charlie Hebdo?
Não existe piada sem um alvo, e o senso de humor tem poder político por natureza. Piadas podem ser um meio de constestação ou de sedimentação do senso comum, do status quo dominante. Quando um humorista faz uma piada racista, está endossando o racismo de quem ri, criando no riso um lugar seguro pra que os estereótipos racistas cresçam, legitimando ignorância e raiva disfarçados de senso de humor. As pessoas formam suas concepções de mundo, de certo e errado, de verdade e justiça, muito mais através de piadas e slogans simplistas do que de resoluções da ONU e tratados de sociologia.
Me lembro que, quando era criança, meu pai comprava livros de piadas em bancas de jornal e passava o dia atormentando minha mãe com piadas machistas sobre loiras burras e mulheres caricaturizadas da pior forma possível. Eram sessões ininterruptas de ofensas, mas que ela ouvia com um sorriso amarelo, uma vez que “era só piada”. Da mesma forma, ele contava as piadas mais ofensivas possíveis sobre negros, sempre respaldado pelo fato de que “não era o que ele pensava”, e sim “só o que estava escrito nos livros de piada”. Foram anos desse tipo de piada “inocente”, até o dia em que, sem tom de piada ou riso suave, ele me proibiu de namorar mulheres negras.
É muito comum que se veja, no Brasil, “humoristas” como Danilo Gentili e Rafinha Bastos, vindos de uma mesma escola de racismo, machismo e homofobia que geraram o riso bobo de Costinha e Renato Aragão, defenderem seu direito de ser promover discurso de ódio como se isso fosse “liberdade de expressão”. E, mais triste ainda, é muito comum ver a população brasileira defendendo essa “liberdade” de humilhar, ofender e sedimentar preconceitos contra minorias, sob o rótulo falsamente liberal (e bastante estúpido) de “politicamente incorreto”. Muitas vezes eles dizem que estão fazendo humor político, “expondo o racismo” ao fazer piadas racistas. Esse é um argumento preguiçoso e altamente hipócrita para manter seu direito de ser um racista alegre e ainda posar de Voltaire do facebook.
O humor das charges do jornal Charlie Hebdo estão na mesma esteira de qualquer senso de humor racista. Os defensores do “Je suis Charlie” não cansam de dizer que são a revista é o Pasquim Francês. Dizem que as caricaturas são ácidas e corajosas, atacando todas as religiões e expondo a homofobia e o fundamentalismo do islã. Porém, o que as caricaturas de Mohammad fazem é respaldar o ódio e a ignorância sobre o islã, as comunidades muçulmanas francesas e os povos árabes.
Na caricatura em que o profeta Mohammad aparece beijando um cartunista branco não há contestação nem levantamento de discussão. Não é um canal de diálogo com as comunidades muçulmanas para contestar as posturas homofóbicas da religião e de suas muitas multi-culturais comunidades ao redor do mundo. É apenas um desenho de um homem branco europeu beijando o símbolo máximo de uma religião pertencente a outro povo. Não é assim que se levanta um debate, não é assim que se dialoga e não é assim que se contesta. Tudo o que a caricatura faz é zombar do Islã (cuja crença considera ofensivo representar graficamente seu profeta), cortar os possiveis canais de discussão com a comunidade que criticam e aumentar os preconceitos dos franceses islamofóbicos, que assim se sentem superiores aos seus vizinhos islâmicos. Não é um discurso que contesta a homofobia das comunidades islâmicas, e sim uma agressão que contesta a legitimidade de uma comunidade marginalizada e que não dá voz essa comunidade. Esse tipo de agressão só torna mais difícil que a sociedade em geral ouça a muçulmanos que buscam combater o discurso conservador dentro da sua religião a despeito de professarem sua fé.
Em outra caricatura, um muçulmano segura um Corão enquanto balas atravessam o livro e o seu corpo. A legenda diz “O Corão é uma merda”. Isso não levanta debate nenhum, apenas diz “sua religião é uma merda”, o que implica dizer, no caso, “sua sociedade muçulmana, sua história muçulmana, seus parentes e crenças muçulmanas, são uma merda”.
As caricaturas da Hebdo retratam muçulmanos como sendo terroristas, estúpidos e perigosos. As pessoas se acostumam a pensar nessas imagens quando pensam em muçulmanos, e isso gera medo, ódio, deboche e xenofobia. Eu, enquanto estudante de língua árabe, perdi a conta de quantas vezes ouvi tanto piadas imbecis quanto preocupações sérias de meus amigos que pensavam que eu vivia uma terra de selvagens e fundamentalistas perigosos.
Esse tipo de humor raso e infantil não é razão para que se assassinem seus perpetradores. Eu não defenderia que militantes feministas armadas invadissem o Comedians e assassinassem Rafinha Bastos. Ainda assim, elas têm todo o direito de se sentir ultrajadas, agredidas e ofendidas quando ele usa seu poder de discurso para convencer sua plateia de que mulheres feias devem ser estupradas e ficar agradecidas pela “caridade”. Mais importante, é preciso ter em mente que, sendo elas o grupo diretamente atingido pelas piadas infelizes dele, é a elas que a sociedade deve ouvir. Não me cabe o direito de julgar se uma mulher pode ou não se sentir ofendida com uma piada machista, e não me cabe dizer se um muçulmano deve se sentir ultrajado por uma piada islamofóbica, porque existe todo um contexto social por trás dessas piadas que eu não compreendo e do qual eu não sou a vítima.
Acreditar que as reações de muçulmanos às caricaturas é simples extremismo é dizer que “é só uma piada”. Não é. A reação tem a ver com todo o contexto de discriminação social e econômica, ás humilhações diárias que essa população sofre nos países europeus, à invisibilidade de sua identidade, ao histórico colonial e também com as atuais politicas intervencionistas dos países ocidentais no Oriente Médio e África, que se negam a ouvir as vozes árabes e africanas enquanto financiam grupos extremistas e assassinam populações civis com drones e “democracias”.
Um relatório do Observatório Europeu do racismo e Xenofobia aponta que, na França, a chance de alguém de origem árabe/muçulmana conseguir um emprego é cinco vezes menos do que um caucasiano com as mesmas qualificações, possuem menos acesso á educação formal, vivem nas áreas mais sucateadas das cidades e estão sujeitos a todo tipo de discriminação e violência física. O relatório aponta o sentimento de desespero e exclusão social do jovem muçulmano que vê sua possibilidade de progressão social dificultada por racismo e xenofobia.
O massacre que ocorreu ontem foi um crime horrível de terror e silenciamento, cometido por alguém que não sabemos ainda quem é (e nada impede que seja uma operação de false flag) nem com qual intenção. Um crime horrível e abominável, como foram horríveis e abomináveis os crimes de terror e silenciamento promovidos pelo Mossad quando assassinou o cartunista Naji Al-Ali, ou quando Bashar Al-Assad mandou quebrar as mãos do cartunista Ali Ferzat, ou todos os dias quando a polícia militar de Geraldo Alckmin, aterroriza e assassina os jovens que imprimem sua crítica e revolta com latas de spray nas paredes da minha cidade. Todos são crimes horríveis de silenciamento, e todos devem ser condenados, mas cada um tem suas particularidades, razões e contextos próprios e únicos, e não podemos cair no erro de diluir nossa crítica no simplismo maniqueísta, ou corremos o risco de que a voz que queremos dar à democracia seja um megafone para os absurdos da teoria de "choque de civilizações" de Huntington.
Por tudo isso, eu Não sou Charlie.
quinta-feira, setembro 04, 2014
Últimas instantáneas del corresponsal fotográfico Andréi Stenin
El periodista ruso Andréi Stenin fué asesinado posiblemente por las fuerza militares ucranianas
aqui algunas de sus últimas fotos
Dmitri Kiseliov, Director general de Rossiya Segodnya, anunció este 3 de septiembre la muerte del corresponsal fotográfico Andréi Stenin. El director de la agencia lo informó después de que fueran revelados los resultados del peritaje genético. Andréi pereció hace un mes en el vehículo en que viajaba para cumplir una tarea de la agencia. El automóvil fue atacado y devorado por las llamas en una carretera no lejos de Donetsk. Las últimas instantáneas tomadas por Andréi y que enviara a la redacción, en la secuencia fotográfica de Ria.ru.
Estas fotografías justamente fueron el pretexto del Ministerio del Interior de Ucrania para declarar que Andréi Stenin “estuvo presente en torturas y asesinatos en Shajtiorsk”, y que se dedicaba a “ensalzar el terrorismo”.
Fotos llegadas a la redacción el 31 de julio. Incendio en una gasolinera en Shajtiorsk, como consecuencia del impacto de una mina.
Fotos llegadas a la redacción el 31 de julio. Militar ucraniano prisionero cava una fosa para sus subordinados caídos en combate en la ciudad de Shajtiorsk, de Donetsk.
aqui algunas de sus últimas fotos
Dmitri Kiseliov, Director general de Rossiya Segodnya, anunció este 3 de septiembre la muerte del corresponsal fotográfico Andréi Stenin. El director de la agencia lo informó después de que fueran revelados los resultados del peritaje genético. Andréi pereció hace un mes en el vehículo en que viajaba para cumplir una tarea de la agencia. El automóvil fue atacado y devorado por las llamas en una carretera no lejos de Donetsk. Las últimas instantáneas tomadas por Andréi y que enviara a la redacción, en la secuencia fotográfica de Ria.ru.
Estas fotografías justamente fueron el pretexto del Ministerio del Interior de Ucrania para declarar que Andréi Stenin “estuvo presente en torturas y asesinatos en Shajtiorsk”, y que se dedicaba a “ensalzar el terrorismo”.
Fotos llegadas a la redacción el 31 de julio. Incendio en una gasolinera en Shajtiorsk, como consecuencia del impacto de una mina.
Fotos llegadas a la redacción el 31 de julio. Militar ucraniano prisionero cava una fosa para sus subordinados caídos en combate en la ciudad de Shajtiorsk, de Donetsk.
El 29 de agosto entregaron una carta a la madre de Andréi Stenin del
soldado ucraniano Andréi Panasiuk, cuya detención por los milicianos
populares fue fotografiada por nuestro corresponsal.
Panasiuk escribía. “Quiero contarle de vuestro hijo, de cuando estuve
herido. No recuerdo muy bien, pero su hijo no me golpeó ni me torturó,
sino que simplemente cumplía su labor de fotógrafo. Me da pena que las
cosas salieran así. Pienso que algún día llegará la paz”.
Andréi envió a la redacción las últimas fotografías el 5 de agosto. En
ellas, pobladores de Shajtiorsk que sufrieron un ataque de la artillería
de Poroshenko a la entrada de su casa, consecuencias de los ataques a
la ciudad y monumento de Lenin dañado por las esquirlas.
ps: la pregunta es, por que alguien o un gobierno mataria a un periodista que estaba mostrando al mundo las tragediade una guerra ??
una guerra que solo sirve a los intereses expansionisas de otan?.. una tragedia que los medios e informacion occidentales intentan ocultar.
si el periodista hizo algo contra las leyes de ucrania, deveria ser juzgado y no asesinado de una forma vil y despiadada.
la muerte de este periodista, mas una vez indica la prepotencia y la falta de moral del gobierno ucraniano, vendidos a los intereses de estados unidos y otan.
por la carta del prisionero y por las fotos de stenin , se percibe que los soldados ucranianos son utilizados como carne de cañon para masacrar poblacion civil en el este de ucrania.
la paz? solo cuando otan salga de ucrania, y este pais respete a todas las etnias por igual.
segunda-feira, julho 07, 2014
quinta-feira, junho 12, 2014
Dudu e Marina: um casamento de inconveniências
Uma hóspede sem teto chega à casa de seu anfitrião, que a recebe com as melhores condições possíveis de sobrevivência e abrigo, luxo até, estendendo-lhe o tapete vermelho e abrindo para ela o arsenal de foguetório. Aquela que está ali alojada na casa alheia, depois de curto período de gratidão, começa a voltar-se contra o salvador, e para isso tudo é pretexto. Da decoração da estalagem ao ciúme pela forma cordial como ele recebe também o séquito da viajante de passagem.
Acusa-o de ter extremo mau gosto, critica seu sofá alaranjado e impõe que o troque por um esverdeado, mais a seu gosto. Avisa que ali se instalará por apenas quatro meses, mas nessa fase não aceita cruzar com nenhum dos antigos amigos do dono da casa e exige que seu desejo seja uma ordem, como se direito fosse, até que consiga terminar a reforma da sua própria casa para se mudar em segurança.
O hospedeiro, feliz com a chegada de quem acreditava possuidora de uma varinha de condão para realizar seus sonhos, vai aceitando as imposições, aparentemente como ossos do ofício. Um ou outro dos amigos do hospedeiro se rebela e aparece no recinto, apesar das proibições, ousadia que enfurece a hóspede. É o que detona o ataque ao próprio dono do alojamento.
Marina Silva é a hóspede, Eduardo Campos, candidato do PSB à presidência, o hospedeiro. Candidata a vice, está alí abrigada, alegadamente apenas por um curto tempo, junto com seu pequeno séquito mais próximo de militantes ambientalistas e religiosos, enquanto continua a montar e registrar a sua própria agremiação, o Rede Sustentabilidade, de que será finalmente dona e de onde não precisará sair a cada vez que tiver uma de suas exigências recusadas pelos anfitriões que a receberam vida política afora.
Quando a abrigou, o candidato certamente imaginava ver transferidos votos que ela obteve na eleição de 2010 (19,3%), pelo menos aquela parte dos que não foram considerados de protesto. Isso não ocorreu, e, ao contrário, as atitudes da candidata a vice só reforçaram a sangria do apoio que Eduardo já possuia. Marina chegou reduzindo: tirou o agronegócio, a candidata melhor situada no Rio Grande do Sul, Ana Amélia, por ser do PP, para fazer aliança com o PMDB de José Sarney, protagonista nos ataques do candidato a presidente do PSB, chapa na qual é vice. Ambiguidade, confusão, incoerência. Tentou emplacar postes do Rede nas disputas de São Paulo e Minas Gerais, e não conseguindo promete sabotar. De sua região, a Amazônia, não se tem notícias de vantagens.
Esse desfazer foi sempre acompanhado de declarações reducionistas, deselegantes, arrogantes, como se líder de uma ONG em campanha presidencial fosse. Quem apostava na candidatura para valer não entende o descompromisso.
Apenas Marina Silva é o agente causador desse constrangimento na campanha de Eduardo? Não, o candidato a presidente é o maior responsável. Escancarou as portas sem que, como se faz em qualquer pensão, apresentasse à assinatura da hóspede as suas regras. Parece que nada combinaram. Apresentar como básico a manutenção das alianças históricas do seu partido, as soluções dadas pelos diretórios regionais, a manutenção das condições para fazer uma boa bancada, nada disso parece ter constado do decálogo de praxe.
O PSB não estava à venda, tinha seu rumo e seus métodos, e o ainda inexistente Rede, com o traquejo de um diretório estudantil, tomou-o de assalto, mas apenas por uns meses.
Eduardo Campos podia conhecer a personalidade de Marina e seu grupo restrito, mas não achou necessário armar redes de proteção. Faltou até agora, na sua campanha, um seguro planejamento. Sofre, também, a ausência de uma equipe profissional com experiência nacional. Hoje quem comanda é o sociólogo e marqueteiro argentino Diego Brandy, autor das campanhas de eleição e reeleição para o governo de Pernambuco. E falta também uma administração forte, hoje diluída, inclusive para gerir o problema Marina. Que poderia ser um patrimônio da campanha, mas tem sido fator de desestabilização.
Poucos artigos, na grande imprensa, descreveram tão bem o “estranho casal” formado por Eduardo Campos e Marina Silva.
Uma hóspede sem teto chega à casa de seu anfitrião, que a recebe com as melhores condições possíveis de sobrevivência e abrigo, luxo até, estendendo-lhe o tapete vermelho e abrindo para ela o arsenal de foguetório. Aquela que está ali alojada na casa alheia, depois de curto período de gratidão, começa a voltar-se contra o salvador, e para isso tudo é pretexto. Da decoração da estalagem ao ciúme pela forma cordial como ele recebe também o séquito da viajante de passagem.
Acusa-o de ter extremo mau gosto, critica seu sofá alaranjado e impõe que o troque por um esverdeado, mais a seu gosto. Avisa que ali se instalará por apenas quatro meses, mas nessa fase não aceita cruzar com nenhum dos antigos amigos do dono da casa e exige que seu desejo seja uma ordem, como se direito fosse, até que consiga terminar a reforma da sua própria casa para se mudar em segurança.
O hospedeiro, feliz com a chegada de quem acreditava possuidora de uma varinha de condão para realizar seus sonhos, vai aceitando as imposições, aparentemente como ossos do ofício. Um ou outro dos amigos do hospedeiro se rebela e aparece no recinto, apesar das proibições, ousadia que enfurece a hóspede. É o que detona o ataque ao próprio dono do alojamento.
Marina Silva é a hóspede, Eduardo Campos, candidato do PSB à presidência, o hospedeiro. Candidata a vice, está alí abrigada, alegadamente apenas por um curto tempo, junto com seu pequeno séquito mais próximo de militantes ambientalistas e religiosos, enquanto continua a montar e registrar a sua própria agremiação, o Rede Sustentabilidade, de que será finalmente dona e de onde não precisará sair a cada vez que tiver uma de suas exigências recusadas pelos anfitriões que a receberam vida política afora.
Quando a abrigou, o candidato certamente imaginava ver transferidos votos que ela obteve na eleição de 2010 (19,3%), pelo menos aquela parte dos que não foram considerados de protesto. Isso não ocorreu, e, ao contrário, as atitudes da candidata a vice só reforçaram a sangria do apoio que Eduardo já possuia. Marina chegou reduzindo: tirou o agronegócio, a candidata melhor situada no Rio Grande do Sul, Ana Amélia, por ser do PP, para fazer aliança com o PMDB de José Sarney, protagonista nos ataques do candidato a presidente do PSB, chapa na qual é vice. Ambiguidade, confusão, incoerência. Tentou emplacar postes do Rede nas disputas de São Paulo e Minas Gerais, e não conseguindo promete sabotar. De sua região, a Amazônia, não se tem notícias de vantagens.
Esse desfazer foi sempre acompanhado de declarações reducionistas, deselegantes, arrogantes, como se líder de uma ONG em campanha presidencial fosse. Quem apostava na candidatura para valer não entende o descompromisso.
Apenas Marina Silva é o agente causador desse constrangimento na campanha de Eduardo? Não, o candidato a presidente é o maior responsável. Escancarou as portas sem que, como se faz em qualquer pensão, apresentasse à assinatura da hóspede as suas regras. Parece que nada combinaram. Apresentar como básico a manutenção das alianças históricas do seu partido, as soluções dadas pelos diretórios regionais, a manutenção das condições para fazer uma boa bancada, nada disso parece ter constado do decálogo de praxe.
O PSB não estava à venda, tinha seu rumo e seus métodos, e o ainda inexistente Rede, com o traquejo de um diretório estudantil, tomou-o de assalto, mas apenas por uns meses.
Eduardo Campos podia conhecer a personalidade de Marina e seu grupo restrito, mas não achou necessário armar redes de proteção. Faltou até agora, na sua campanha, um seguro planejamento. Sofre, também, a ausência de uma equipe profissional com experiência nacional. Hoje quem comanda é o sociólogo e marqueteiro argentino Diego Brandy, autor das campanhas de eleição e reeleição para o governo de Pernambuco. E falta também uma administração forte, hoje diluída, inclusive para gerir o problema Marina. Que poderia ser um patrimônio da campanha, mas tem sido fator de desestabilização.
Disso surgem os boatos de deserção precoce da candidata a vice, de preparação do embarque do candidato a presidente na candidatura Lula, se vier o ex-presidente a trocar de lugar com Dilma. Desrespeito político do qual Eduardo e Marina não podem se queixar, pois está óbvio que a campanha de Eduardo não se preparou para o descompromisso de Marina com a vitória.
As engrenagens para alavancar Eduardo estão emperradas, mas a pesquisa Datafolha do último sábado, confirmada ontem pelo Ibope, completa um panorama eleitoral em que apenas o candidato do PSDB, Aécio Neves, está em situação de melhora, devagar, é verdade.
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texto completo aqui (tijolaço)
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terça-feira, junho 10, 2014
Democracia al estilo norteamericano
Una estadounidense pretende demandar a una prisión del estado de Indiana (EE.UU.) donde sus guardias de seguridad la desnudaron a la fuerza y la encerraron en una celda llena de gas pimienta durante largo tiempo.
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Tabitha Gentry, madre de cuatro hijos, fue detenida por la Policía el pasado 30 de marzo por alteración del orden público y resistencia a la autoridad, por lo que fue trasladada hasta la prisión del condado de Floyd, informa el canal local de noticias WDRB.
Ya en el centro de reclusión, cuatro agentes de seguridad tomaron a Gentry por el cuello, la arrojaron al piso y la despojaron de toda su ropa. Luego de un largo proceso judicial, la abogada de Tabitha logró obtener los videos de las cámaras de seguridad de la prisión, donde se puede constatar el violento procedimiento de los guardias.
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RT en español
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Ps: si una ciudadana norteamericana es torturada e hummillad desta manera, por tan poca cosa, imaginese
que es lo que no harán cuando es un ciudadado extranejero. sin duda estados unidos e a convertido a mucho tiempo en un estado policiaco, del mismo estilo de la pelicula V.
domingo, junho 08, 2014
monarquia no mas!!!
está en la hora de finalmente la monarquia y el franquismo decir adios a españa.
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sexta-feira, junho 06, 2014
niña de mi tierra-kjarkas
una musica sensacional, llena de nostalgia por los momentos que pasaron, que vive solo en el recuerdo...
esclavitud moderna, 1 dolar por dia (en estados unidos)
fig 6
Eduardo Zuniga, que passou seis meses no centro de detenção da Georgia
em 2011, antes de ser deportado, em frente a casa de seus pais, na
Cidade do México. O governo federal dos EUA conta com milhares de imigrantes ilegais para fornecer serviços fundamentais
-- geralmente por um dólar por dia, ou menos -- em centros de detenção
onde são mantidos pelas autoridades. Zuniga afirma que trabalhou na
cozinha, mas que rompeu ligamentos depois de cair em um chão encerado, o
que o deixou incapaz de andar sem a ajuda de muletas
fig1
Detenta sentada na sala de espera do centro de detenção temporária, em Houston. O governo federal dos EUA conta com milhares de imigrantes ilegais para fornecer serviços fundamentais -- geralmente por um dólar por dia, ou menos -- em centros de detenção onde são mantidos pelas autoridades
fig2
Detento da Alfândega e Inspeção Aduaneira dos Estados Unidos trabalha na lavanderia do centro de detenção de Houston. O governo federal dos EUA conta com milhares de imigrantes ilegais para fornecer serviços fundamentais -- geralmente por um dólar por dia, ou menos -- em centros de detenção onde são mantidos pelas autoridades
fig3
Detentos da Alfândega e Inspeção Aduaneira dos Estados Unidos trabalham
no Centro de Detenção de West County, em Richmond, Califórnia. O governo federal conta com milhares de imigrantes ilegais para fornecer serviços fundamentais -- geralmente por um dólar por dia, ou menos -- em centros de detenção onde são mantidos pelas autoridades
fig4
Detento da Alfândega e Inspeção Aduaneira dos Estados Unidos, Anthony
Karia prepara a cozinha no Centro de Detenção de West County, em
Richmond, Califórnia. O governo federal conta com milhares de imigrantes ilegais para fornecer serviços fundamentais -- geralmente por um dólar por dia, ou menos -- em centros de detenção onde são mantidos pelas autoridades
fig5
Detenta da Alfândega e Inspeção Aduaneira dos Estados Unidos trabalha no centro de detenção de Houston. O governo federal conta com milhares de imigrantes ilegais para fornecer serviços fundamentais -- geralmente por um dólar por dia, ou menos -- em centros de detenção onde são mantidos pelas autoridades
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la midia mundial occidental sin valor sin ética
en particular los medios de comunicacion del peru, en un 98% todos estan alineados a la midia occidental, rpp, la republica, comercio, canal 5,4,9, etc
todos tem um padron de editorial, ciegos sordos y mudos, lo unico que hacen es repetir como ventrilocos lo que les manda cnn, reuter, fox, bbc.
de ai, es facil ver que casi todas las clases sociales que usualmente asiste estas noticias de nivel internacional,tienen una opinion unilateral, sin fundamento, porque solamente tuvieron acceso un ponto de vista, como si esta fuese la unica manera de ver un acontecimiento mundial. es claro tambien que dentro de estes medios de comunicion existem operadores (periodistas mercenarisos) que plantas noticias en todo el mundo
para manipular opiniones, tergiversar hechos reales. esto deve un dia mudar, por bien de la humanidad.
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usted vio esta noticias de ucrania por algun medio de comunicacion?
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quarta-feira, junho 04, 2014
massacre na praça da Paz Celestial em Pequim
os médios de informação controlados por estados unidos e europa, tipo uol,yahoo, cnn, e seus lacaios tipo band, globo, record
recordaram o aniversario da revolta contra o governo chinês a 25 anos. as imagem confirmam que houve sim essa massacre, quantos morreram, ninguém sabe, os meios de comunicação ocidentais supõem que foram mais de mil. entre tanto, desde aquela época ate agora tiveram múltiplas massacres, e está acontecendo massacre na ucrania por parte de um governo fantoche de estados unidos, na síria, África,etc, talvez em número muito maior que o que aconteceu na China, mas esses médios de comunicação, não colocam e não colocaram no status de noticia importante o aniversario de essas massacres que aconteceram em varias partes do mundo por obra de estados unidos, otan e países europeios. Logo fica evidente o caráter unilateral, hipócrita da suas críticas ao governo chinês. claramente o governo chinês conduz um sistema capitalista com controle forte da sua economia e política do pais. não é segredo que já tem tem muitos milionários hoje em dia, não é mais um sistema comunista (como alguns propositalmente tentam ainda associar ao governo chinês). Mas reitero que a mancha de sangue que o governo chinês tem contra seu povo, em nada se compara com o mar de sangue que foi derramada pela obra do governo de estados unidos em todos os cantos do mundo. irak, iran, palestina, africa, yugoslavia??, afeganistao, os milhares de mulheres que foram sistemática mente esterilizadas por fujimori com dinheiro dos estados unidos no peru, etc. A lista é interminable, desde os governos de bush pai e filho, clinton e agora obama. mais uma vês eles tentam tampar suas própias tragedias de horror e tentam apontar uma mancha do gov chines.
esta noticia, é um claro exemplo de que os meios de comunicação do mundo virtual e das redes televisivas ocidentais, trabalham abertamente a favor dos interesses políticos e econômicos de estados unidos e Europa ou trabalham de forma encoberta. é claro que ai tem a mão e o dinheiro gasto, pela administração obama, pra que esses médios atingem todo aquele governo que tenta ter uma postura propria em relação a diversos temas de nível mundial.
também fica evidente que eses médios sao fartamente carentes de honestidade e senso critico da realidade mundial. são verdadeiras armas de propaganda da política norte americana.
O governo norte-americano e sua propaganda global, tentas de qualquer forma desestabilizar a china, desde que este pais esta se afiançando na política internacional, construindo um poder militar tanto quanto no nível de estados unidos.
A ideia é clara, criar focos de separação, criar descontentamento na população em relação ao governo, atualizar a luta de classes, criar focos de inimizade com países vizinhos como Vietam, filipinas etc.
Todos os médios de comunicação ocidentais, fazem ouvidos surdos aos bombardeios de civis no leste da ucrania, não tem nenhuma critica aos neo nazistas que circulam livremente na ucrania, nenhum editorial contra um governo que não respeita a decisão de uma região a se tornar autônoma. mais uma ves esta demonstrado que estados unidos e europa, nao são democraticos, se for do seu interesse tanto faz se for monarquia, ditadura, ou governo fantoche.
olhem... enquanto civis são mortos, estados unidos mente abertamente..
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