musica con sentido e sentimiento

sábado, outubro 18, 2008



el ultimo amanecer-kjarkas bolivia (ojala que no sea el ultimo !!)

A través de un moll oyn
entre nubes de radiación
el sol saldrá como ayer
en el último amanecer.

Cuando todo sea olvido
y de plástico el corazón.

Cuando todo sea olvido
y de plástico el corazón.

El hombre con su ambición
sembrara su destrucción.

El hombre con su ambición
sembrara su destrucción.

Lluvia acida, esterilidad
donde fue verde y fecundidad.

En lo profundo del mar
cuando muere el ultimo ser
entre polvo y solución
ver las aves perecer.

Cuando lo hermoso del bosque
se convierta en carbón.

Cuando lo hermoso del bosque
se convierta en carbón.

Y la semilla no encuentre
lo que fue la creación.

Y la semilla no encuentre
lo que fue la creación.

Lluvia acida esterilidad
donde fue verde y fecundidad.

Será el fin, será el fin.

sexta-feira, outubro 17, 2008

No hay peor ciego

Hay en el mundo un intenso debate sobre la crisis global, crisis que no amaina, sino que avanza incontenible. Los estadistas se reúnen por eso de prisa y sin pausa. La Unión Europea acaba de concluir una cita en la cual han acordado emplear casi dos billones de euros para evitar nuevas quiebras financieras.

Banqueros de Asia y gobernantes europeos expresan sin tapujos que los males de la economía mundial provienen del desenfreno de los grandes de las finanzas, en particular de Estados Unidos. Ha pasado, expresan, la época del laissez-faire (dejad hacer). Es hora de que el Estado no sólo ponga dinero, sino que regule también.

Nicolas Sarkozy, presidente de Francia, ha abreviado una negociación en Canadá para conversar con George W. Bush sobre la catástrofe. Como se sabe, el mandatario francés ha planteado que el tiempo del mercado libre ha periclitado, no sirve ya a la economía mundial.

Asia, encabezada por China, se incorpora al estado de alarma. Los días 24 y 25 de este mes se reunirán en Beijing en la cumbre de la ASEM (Reunión Asia-Europa) para examinar la crisis y buscar salidas. En la cita estarán los jefes de Estados de los 27 países de la Unión Europea y 18 primeros mandatarios asiáticos. No estarán presentes asesores ni secretarios (se busca secreto).

El momento es, pues, sumamente grave. No es que el capitalismo se venga abajo de inmediato. Lo que se viene es recesión en cadena, desempleo, pobreza mayor, intervención estatal en la economía. Y, desde luego, radicalización política. Se fortalecerán las izquierdas y sus demandas de reformas profundas; pero (¡cuidado!) la derecha extrema puede lanzarse a la demagogia, el racismo, el ataque a los inmigrantes, el recorte de las conquistas sociales, las guerras y la represión brutal.

Francis Fukuyama, el hombre que supuso que había llegado el fin de la historia y la victoria definitiva del capitalismo, publica esta semana en Newsweek un extenso ensayo de título elocuente: The fall of America, Inc, (La caída de Estados Unidos Corporatión).

El texto lleva este epígrafe: “Junto con las más historiadas firmas de Wall Street, ha colapsado cierta visión del capitalismo”.

Señala Fukuyama que la “revolución” conservadora de Ronald Reagan se extravió porque muchos de sus seguidores la convirtieron en una ideología irrecusable. “Dos conceptos”, dice, “eran sacrosantos: que los recortes de impuestos se autofinanciarían y que los mercados financieros se autorregularían”.

Bush, igual que sus acólitos criollos, persistió en ese delirio reaccionario. Los resultados están a la vista: quiebra contagiosa, pánico general.

Pero nuestros mandones no se inquietan. Al borde del abismo, no hay peor ciego que el que no quiere ver.

fuente(editorial cesar levano)

quarta-feira, outubro 15, 2008

O rentável negócio da droga nos EUA

Não obstante, como toda grande indústria num mundo de capitalismo e livre mercado, também esta é altamente concentradora e monopolizada

Ópio, cocaína, maconha e anfetaminas mobilizam mundialmente, cada ano, um orçamento que pode dobrar o de um país petroleiro como Venezuela. Devidamente lavados e levados a honoráveis bolsas de comércio, os lucros anuais do narcotráfico chegam a representar, em ações perfeitamente legais, mais de 3 trilhões de dólares: uma cifra que torna ridícula a pretendida idéia de que é este um negócio manejado por capos terceiro-mundistas que se escondem em algum bunker da Colômbia ou do Afeganistão.

Um camponês boliviano – ponhamos Julio Quispe, para inventar um nome – que evada o monopólio estatal da coca, receberá 1.375 dólares pelos 275 quilos de folhas necessárias para produzir um quilo de pasta ou base de cocaína. Um narcocolombiano – digamos, Álvaro Jaramillo – poderá processar esse quilo de pasta e vendê-la a qualquer congênere por uns 5 mil dólares, ou transformá-la em cloridrato e revendê-la em Cartagena ou Bogotá por 15 mil dólares. No Harlem, ou na Broadway, ou em Harvard, um Tom Smith ou Jimmy Johnson qualquer poderá optar entre oferecer o pó puro, a uns 30 mil dólares o quilo, ou adulterá-lo até obter, por cada grama de pedra ou craque, entre 40 e 80 dólares. Os 1.375 dólares de Julio Quispe são, agora, em média, 60 mil.

Um negócio simples, dir-se-á: não requer mais do que umas folhas que crescem quase silvestres, algo de querosene, um pouco de ácido sulfúrico e acetona, um narcomula ou uma propina ou um disfarce talvez. E, claro, um tanto de má consciência e outro de ousadia para deslocar de um lugar a outro esses mil gramas.

Mas não é um quilo: são 992 mil, pois essa foi, segundo o Escritório das Nações Unidas para as Drogas e o Crime (UNODC, na sua sigla em inglês), a produção mundial de cocaína em um ano tão qualquer como 2007. E não é só coca: também há, igualmente lucrativos ou mais, 8,87 milhões de quilos de ópio. E 41,4 milhões de quilos de maconha. E 494 mil de anfetaminas várias. E pare você de contar alucinógenos e outras espécies.

Falamos, então, de mobilizar por todo o mundo, desde as selvas mais apartadas até os colégios e universidades e bares e escritórios de qualquer cidadezinha primeiro-mundista, algo mais de 50 milhões de quilos de substâncias ilícitas, que são objeto de perseguição feroz e de guerra à morte. Falamos, ademais, de mover também pelo mundo inteiro outra coisa ainda muito mais difícil de fazer passar inadvertida: os 500 bilhões de dólares que, como mínimo, no dizer dos especialistas (da ONU, do Fundo Monetário Internacional, da Drug Enforcement Administration ou DEA), essas substâncias dão de lucro anual. Em preços de 2006.

Isso é o narcotráfico. E é apenas o começo.

Coisas que podes saber só de olhá-las

No começo da longa cadeia do narcotráfico, nem tudo são elos perdidos: conhece-se perfeitamente os grandes centros de produção. E as grandes rotas de distribuição também.

Com 193 mil hectares semeados de dormideira, o Afeganistão concentra 92% da produção mundial de ópio. Pura, ou transformada em morfina ou heroína, a droga afegã flui para a Europa através do Paquistão, das ex-repúblicas soviéticas do Turcomenistão e do Uzbequistão, do longo corredor curdo, da Geórgia, da Chechênia, dos Balcãs. De longe, Miamar compete com seus 27 mil hectares de papoula.

A Colômbia é dona de 55% do cultivo mundial de folhas de coca: 99 mil hectares. Seguem-lhe Peru, com cerca da metade disso, e Bolívia, com 28.900 hectares quase inteiramente dedicados ao processamento e comércio legal. O cloridrato de cocaína tem por destino principal os Estados Unidos. Sobe pelo Pacífico, via Panamá, ou pelo Caribe colombiano, ou atravessa a Venezuela para fazer escala nas Antilhas. Outra parte, menor, cruza o Atlântico e toca a África antes de entrar na Europa.

A Ásia oriental e tecnologizada representa 55% do mercado mundial de anfetaminas (êxtases e outros estimulantes), e se encarrega por si mesma de produzir e consumir seus tabletes. O mesmo o fazem seus outros dois grandes competidores: a culta Europa e os Estados Unidos da implacável DEA.

Desses mesmos super vigiados prédios da DEA no território estadunidense, sabe-se com certeza que os Estados Unidos ficam com a maior porção do bolo no mercado mundial de produção e consumo de maconha, graças às técnicas de cultivo hidropônico em interiores e inclusive em subsolos. Ainda que mais democrático em sua irrigação pelo globo, a cannabis se semeia em 172 países, a América concentra 55% da produção e tem em seu lado Norte uma das mais altas taxas de prevalência mundial: 10,5% dos norte-americanos entre 15 e 64 anos são consumidores. Na Europa, com três milhões de viciados (consumo diário), essa erva encabeça as estatísticas do Observatório Europeu das Drogas e Toxicomanias.

Com apenas esses poucos dados, algumas coisas começam já a chamar a atenção no obscuro mundo do narcotráfico. Coisas, digamos, que não parecem ser casuais.

Por exemplo, que Afeganistão, o quase monopólico centro mundial de produção de opiáceos, esteja literalmente cruzado de tropas invasoras, mísseis, tanques e mortos, e, no entanto...

Que do Paquistão e até das ex-repúblicas soviéticas do sul, amistosamente ocidentais, não se fale. Que Geórgia e Chechênia, o corredor curdo (Irã, Iraque, Turquia), e a porta de fundos da Europa (Albânia, os Balcâs) sejam tão cruamente cenário de guerras, de intervenções, de vigilância extrema pela mal chamada comunidade internacional, e, no entanto...

Que Miamar esteja na lista dos Estados falidos, e, no entanto...

Que a Colômbia acumule nove anos de Plano Colômbia, de balas, de deslocados e de mortes outra vez, e, no entanto...

Que o Caribe seja tão decididamente mare nostrum dos gringos, tão sulcado de patrulhas, e de satélites, e, no entanto...

Ou, por exemplo, que a maconha, por longo tempo a rubrica de maior peso no narcotráfico mundial (80%), em termos de tonelagem, a que mais alarmes de consumo acende nos países altamente desenvolvidos, e a que ali mesmo se produz, assim como as anfetaminas, seja justamente a droga menos perseguida.

Mas, claro: ninguém se imagina um Plano Holanda, um bombardeio incendiário de laboratórios semeados em Borgonha, uma invasão aliada contra Londres, umas autodefesas que desloquem e aniquilem as populações do Harlem ou do Queens. Ainda que sejam negros, ainda que sejam boricuas [porto-riquenho cuja família reside em Porto Rico há várias gerações]. Ali, o narcotráfico serve para outra coisa.

Peões, capatazes, laranjas

Um simples cálculo matemático estabelece que se as 50 mil toneladas de produção mundial de drogas se transportassem em contêineres de uso corrente, se necessitariam 1.250 gôndolas para carregá-los. Outros, mais ociosamente, calcularam que os lucros respectivos, empilhados em cédulas de cem dólares uma sobre a outra, formariam uma torre de mil metros de altura: quatro torres do Parque Central de Caracas, uma em cima da outra.

Não é fácil esconder um frete assim. Segundo diversos informes internacionais, os orçamentos do combate mundial contra o narcotráfico equivalem quase ao mesmo valor gerado pelo comércio de drogas (colombiadrogas.wordpress.com). Só o Plano Colômbia, no momento de sua aprovação por Bill Clinton, contemplou para esse fim um montante de 1,3 trilhões de dólares. Um total de 87 escritórios da DEA se repartem em 63 países, além dos 227 existentes em território estadunidense, para recordar ao mundo que essa luta é exigência da maior das potências econômicas, militares e policiais.
E, no entanto: durante todo 2007, esse mesmo DEA teve que jactar-se como logro maior uma apreensão de 19.434 quilos de cocaína num barco de bandeira panamenha: 1,9% da produção mundial.

Os supostos grandes capos da droga que terminam presos ou mortos guardam proporção com essas últimas cifras. Carlos Lehder, co-fundador do Cartel de Medellín, era, ao ser capturado dono de dois hotéis, dois aviões, sete fazendas em Quindío e outros departamentos, lanchas e ao menos 1,8 milhões de dólares aplicados (www.pabloescobargaviria.info/index). Ao ultra-famoso e finado Pablo Escobar Gaviria, se lhe atribuiu uma fortuna (nunca auditada, jamais comprovada) de entre 5 e 10 bilhões de dólares: 1% ou 2% do que produz “o negócio” em 12 meses apenas.

Esses grandes czares nunca foram mais que pequenos intermediários. Hoje, quando já não estão, quando já não é possível ser a um mesmo tempo capataz de fazenda produtora e presidente de um banco ou uma universidade, seus sucessores são milhares e milhares de peões que só se alçam um escalão ou dois por sobre essa raia miúda do narcotráfico do tal Jaramillo ou Tom Smith ou Jimmy Johnson.

Disse uma vez o ex-presidente venezuelano Carlos Andrés Pérez, conhecedor de ofício: “Há duas coisas impossíveis de ocultar: a tosse e a riqueza”.

A grande lavadora

Como se faz para esconder quatro torres do Parque Central feitas de cédulas de cem dólares? Como se apaga um orçamento que é quase o dobro do de um país que flutua em petróleo como a Venezuela? Como podem passar despercebidos 500 bilhões de dólares por ano?

Porque, obviamente, a finalidade do narcotráfico não consiste em enterrar pacotes sob o piso.

Antes de chegar ao extremo superior da cadeia, o negócio das drogas tem, como é sabido, um elo fundamental na lavagem de dinheiro. De cumprir essa função nos níveis dos laranjas e intermediários, se encarregam sistemas artesanais: desde o individuo que abre 10 ou 20 contas em outros tantos bancos até esses centros de diversões que repentinamente, sem motivo aparente, se põem na moda e se enchem de luxuosos edifícios e centros comerciais que logo ficam abandonados ou nunca se concluem.

Não obstante, como toda grande indústria num mundo de extremo capitalismo e livre mercado, também esta é altamente concentradora e monopolizada. Quem tenha, pois, um modesto 10% desse bolo, deverá lavar, cada ano, 50 bilhões de dólares. Vale dizer, a mesma cifra que, desde o ano 2000, A ONU vem pedindo reunir, inutilmente, para poder cumprir seu grande Objetivo do Milênio: a redução da pobreza.

Para dissolver problemas desse tipo, o branqueamento de dinheiro sujo de qualquer espécie, o sistema financeiro internacional permite e apadrinha um não-sistema: um espaço de extraterritorialidade alheio a todas as leis nacionais, superintendências bancárias, regulações, convênios internacionais: alheio a tudo quanto não seja o dinheiro e sua intrínseca tendência ao lucro e à acumulação.

Esse espaço é o dos assim chamados paraísos fiscais e os bancos offshore, cujas interioridades foram exaustivamente reveladas pelo jornalista e escritor argentino Julio Sevares, em estudo intitulado “O dinheiro sujo, sangue do sistema econômico e o poder”.

No ano de 2004, existiam no mundo 72 desses paraísos, nos quais funcionavam um milhão de sociedades amparadas pelo anonimato: empresas virtuais ou reais que nada nem ninguém obriga a apresentar balancetes, estabelecer sua composição acionária ou, inclusive, ter capital algum. Não obstante, a elas se somavam mais de 4 mil bancos offshore com depósitos conjuntos que superavam os cinco bilhões de dólares.

Paraísos fiscais célebres são os das Bahamas e das Ilhas Caymann, no Caribe, mas os há por todo o mundo: funcionam profusamente no centro de Londres, em Mônaco, em Tóquio, no diminuto estado de Delaware, a poucos minutos de Nova York e de Wall Street. E os há inclusive em lugares tão curiosos como o Principado de Sealand, que funciona em uma antiga plataforma petroleira do Mar do Norte, ou o Domínio de Melchizedek, situado sobre um desértico atol vizinho às Ilhas Marshal, qu, através da página web www.Melchizedek.com, oferece cidadania, passaporte e facilidades para toda classe de negócios. Sem um único edifício à vista, tem, em seus bancos, 25 bilhões de dólares.

No livro “Capitalismo criminal: ensaios críticos” (Bogotá: Universidade Nacional da Colômbia, 2008), Tom Blickman precisa a magnitude e o modus operandi dessas eficientes lavadoras: A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE), que agrupa os 30 países mais ricos do mundo, estima que o volume do comércio mundial que passa pelos paraísos fiscais de maneira documentada cresceu, desde começos dos anos 1970 até 2004, cerca de 50%, pese a que esses lugares representam apenas 3% do produto bruto mundial. Essa extraordinária discrepância é uma indicação do grau em que a maioria das principais corporações aproveitam a mobilidade transnacional de seus capitais para lavar seus lucros através de paraísos fiscais e regimes de impostos baixos.

E acrescenta em seguida: Ditas corporações utilizam uma variedade de mecanismos, como a re-fatura e os preços de transferência bens comercializados entre companhias com um dono comum a preços arbitrários, independentes do mercado, e que permitem baixar impostos declarando custos altos e preços de venta baixos nos lugares de maior tributação dos lucros, ou como as transações realizadas para companhias de papel e para fundos fiduciários secretos extraterritoriais. Meios tais como as contas fiduciárias móveis, que se trasladam automaticamente a outra jurisdição quanto se realizam averiguações ou solicitações de assistência mútua judicial, facilitam claramente o delito.

Como a imensa maioria das empresas assentadas em tais territórios, boa parte dos bancos offshore não mostrarão nunca ao cliente nem escritórios nem empregados: são, na realidade, instituições virtuais, conhecidas na gíria como co-responsáveis, que, para funcionar, só requerem de uma conta aberta em uma instituição bancária fisicamente estabelecida nesse ou outro paraíso. Se ainda maior segurança no apagamento de toda pista que vincule depositário e depósito é requerida e necessária, recorre-se ao nesting ou ennidado: uma conta em um banco que, por sua vez, tenha conta em outro banco que tenha conta em um offshore.

Quem tenha dúvidas imerecidas, há que se dizer sobre a seriedade desse sistema bancário virtual. Pode, assim, perfeitamente depositar sua confiança no respaldo que lhe proporcionam principalíssimos bancos da Suíça, da Inglaterra, da Alemanha, do Japão, dos Estados Unidos e muitos mais.

Julio Sevares recolhe informação da revista The Economist, em sua edição de 14 de abril de 2001, que permite em tal sentido dissipar as apreensões do mais desconfiado dos narcotraficantes: Três quartos dos grandes bancos investigados pelo Senado estadunidense têm, cada um, mais de mil contas de bancos co-responsáveis. Os dois maiores bancos da lista, que não são estadunidenses, têm 12 mil e 7.500 contas cada um. Em meados de 1999, os cinco principais bancos estadunidenses com contas de co-responsáveis tinham 17 bilhões de dólares nessas contas. Os 75 maiores bancos tinham depositados nelas 35 bilhões de dólares.

Esse é o não-sistema. Num informe de 1999 (Mercados internacionais de capital), o Fundo Monetário Internacional (FMI) citava Alan Greenspan, então presidente do Federal Reserve (Banco Central dos EUA): Nós não entendemos completamente a dinâmica do novo sistema.

Mas não interessa entendê-lo. Funciona. E como lava!

O último elo da cadeia

Se nunca houve nem haverá um Plano Holanda, tampouco se pensou jamais numa mera Operação Melchizedek. Ao final da longa cadeia do narcotráfico não há batidas, nem invasões, nem repressões, nem fotos de frente e perfil com número embaixo. Óbvio.

Quem queira, pois, nomes e rostos, deverá levar em conta o bom olfato ou a má língua dos jornalistas. Ou confiar em sua própria perspicácia.

Recordar, por exemplo, que Lucio Gelli, grande capo da Loja P-2, teve por sócio principal o Banco Ambrosiano do Vaticano, lá pelos anos 1970.

Que no escândalo do Bank of Credit and Commerce International (BBCI), sétima instituição bancária no ranking mundial, saíram à luz, em 1991, assuntos tais como financiamento do terrorismo e lavagem de dinheiro, contas pessoais de Manuel Noriega, Saddam Hussein, Ferdinando Marcos, e depósitos da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), do serviço secreto israelense (Mossad) e dos “contra” nicaragüense. E que, com o banco, veio abaixo a gigantesca transnacional de auditorias (auditorias!) Price Waterhouse. E que, nos julgamentos subseqüentes, do lado da defesa de um dos grandes sócios do BBCI, interveio certo escritório entre cujos advogados estava certa Hillary Rodham, mais tarde conhecida, apesar da Lewinsky, como Hillary Clinton.

Que o seríssimo Citibank deixou de sê-lo pelas contínuas investigações e denúncias que o vincularam à prática da lavagem, com diretas referências a regimes altamente corruptos como o do mexicano Carlos Salinas de Gortari, o do peruano Alberto Fujimori e o do filipino Joseph Estrada. Não casualmente, chefes de Estado em países produtores de drogas.

Que, no caso do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, foi descoberto, em seu vasto conglomerado midiático, uma contabilidade paralela para 64 empresas fantasmas: espécie de super-lavadora para uso pessoal.

Que, enfim, a KBR, gigantesca transnacional da engenharia e da construção, fechou, nesses últimos anos, bilionários contratos em todos esses grandes centros de produção de drogas aqui citados, e nos corredores que vão do Paquistão à Bósnia e da Colômbia ao México. E que sócios-chaves dessa empresa são a família Bush e seu segundo na cadeia de comando, o vice-presidente Dick Cheney.

Por que ou para quê?

Não tem então muito sentido perguntar-se por que os governos que regem o destino do planeta dedicam tanta energia ao tema do narcotráfico e não apontam suas armas contra os quartéis generais dessa indústria. Caberia mais perguntar-se o porquê de botarem tão aparentemente o mundo em pé de guerra contra ele.

Catherine Austin Fitts, uma ex-funcionária do governo de Bush pai, e atualmente diretora de um fundo de inversões em Wall Street, aponta um motivo que ajuda a compreender as razões dessa suposta contradição: cada dólar que se aponta na linha de lucros de uma transnacional como General Motors, Toyota, British Petroleum, por exemplo, representa, automaticamente, por essa estranha lógica do livre mercado, um incremento de seis dólares no valor de suas ações.

Não é pouca coisa, se multiplicamos por seis os 500 bilhões do narcotráfico. Cedidos em empréstimo a juros baixos, ou inclusive em troca simples por ações, são 3 trilhões de dólares. Perfeitamente legais, cambiáveis, usáveis. Em mútuo benefício. Um montante que não convém deixar ao alcance de potenciais competidores.

Disse o renomado jornalista francês Christian de Brie: O abandono das soberanias nacionais e a mundialização liberal que permite aos capitais circular sem controle de um lado a outro do planeta possibilitaram o crescimento explosivo de um mercado financeiro fora da lei, motor da expansão capitalista lubrificado pelos lucros do grande crime (Crime, a maior empresa livre do mundo, em mondediplo.com).

Assim, enquanto os lucros do narcotráfico faz as vezes de motor do seleto grupo de empresas que realmente domina o planeta, e enquanto as guerras lhes permitem apoderar-se para esse ou outros negócios de países inteiros, a raia miúda da droga serve de carne de canhão.

Lá longe, Julio Quispe, Alvaro Jaramillo, Tom Smith ou Jimmy Johnson contam felizes seus parcos lucros, sem saber que são ao mesmo tempo vítimas e propulsores necessaríssimos do neoliberalismo selvagem. Uma droga como qualquer outra.

fonte (brasil de fato)

terça-feira, outubro 14, 2008

consumo elevado de álcool encolhe cérebro

Quanto mais você bebe, mais seu cérebro encolhe, o grupo liderado por Carol Ann Paul, da Faculdade Wellesley, em Massachusetts, comprovou que a bebida ajuda na perda do volume cerebral acarretada pela idade.


Na verdade, os abstêmios convictos tinham a menor perda cerebral. Em seguida, pela ordem, vinham os ex-consumidores, os consumidores moderados e os consumidores abusivos, segundo o artigo publicado na revista Archives of Neurology.

A tendência era mais notável em mulheres do que em homens, o que pode se dever à maior sensibilidade feminina aos efeitos do álcool e à menor massa corporal. "Sabe-se que as pessoas que bebem têm um declínio no volume cerebral. O que eu estava procurando era um efeito protetor nas pessoas que bebem uma a sete doses por semana", disse Paul por telefone.

"Minha expectativa era de que seria protetor. E não foi assim", acrescentou ela, que realizou o estudo quando estava na Escola de Saúde Pública da Universidade de Boston. As conclusões foram baseadas em dados de 1.839 norte-americanos de 33 a 88 anos, que fizeram relatos sobre o seu consumo de álcool e tomografias por ressonância magnética. Eles fazem parte de um estudo mais amplo em andamento em Massachusetts.

Quem bebia mais do que 14 doses por semana tinha o cérebro em média 1% menor do que os abstêmios, segundo os pesquisadores. Em geral, o volume cerebral diminui cerca de 2% por década. A atrofia está vinculada a dificuldades cognitivas e motoras.

Vários estudos indicam os benefícios cardíacos do consumo moderado de álcool, mas o consumo excessivo pode provocar problemas graves e fatais, especialmente no fígado e cérebro.

segunda-feira, outubro 13, 2008

O império do consumo - questões ideológicas


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Autores latino-americanos - Uruguai
Qui, 14 de Agosto de 2008 14:37

Da Agência Carta maior (publicado originalmente em 13 de julho de 2008)

Eduardo Galeano

A explosão do consumo no mundo atual faz mais barulho do que todas as guerras e mais algazarra do que todos os carnavais. Como diz um velho provérbio turco, aquele que bebe a conta, fica bêbado em dobro. A gandaia aturde e anuvia o olhar; esta grande bebedeira universal parece não ter limites no tempo nem no espaço. Mas a cultura de consumo faz muito barulho, assim como o tambor, porque está vazia; e na hora da verdade, quando o estrondo cessa e acaba a festa, o bêbado acorda, sozinho, acompanhado pela sua sombra e pelos pratos quebrados que deve pagar. A expansão da demanda se choca com as fronteiras impostas pelo mesmo sistema que a gera. O sistema precisa de mercados cada vez mais abertos e mais amplos tanto quanto os pulmões precisam de ar e, ao mesmo tempo, requer que estejam no chão, como estão, os preços das matérias primas e da força de trabalho humana. O sistema fala em nome de todos, dirige a todos suas imperiosas ordens de consumo, entre todos espalha a febre compradora; mas não tem jeito: para quase todo o mundo esta aventura começa e termina na telinha da TV. A maioria, que contrai dívidas para ter coisas, termina tendo apenas dívidas para pagar suas dívidas que geram novas dívidas, e acaba consumindo fantasias que, às vezes, materializa cometendo delitos. O direito ao desperdício, privilégio de poucos, afirma ser a liberdade de todos.

Dize-me quanto consomes e te direi quanto vales. Esta civilização não deixa as flores dormirem, nem as galinhas, nem as pessoas. Nas estufas, as flores estão expostas à luz contínua, para fazer com que cresçam mais rapidamente. Nas fábricas de ovos, a noite também está proibida para as galinhas. E as pessoas estão condenadas à insônia, pela ansiedade de comprar e pela angústia de pagar. Este modo de vida não é muito bom para as pessoas, mas é muito bom para a indústria farmacêutica. Os EUA consomem metade dos calmantes, ansiolíticos e demais drogas químicas que são vendidas legalmente no mundo; e mais da metade das drogas proibidas que são vendidas ilegalmente, o que não é uma coisinha à-toa quando se leva em conta que os EUA contam com apenas cinco por cento da população mundial.

«Gente infeliz, essa que vive se comparando», lamenta uma mulher no bairro de Buceo, em Montevidéu. A dor de já não ser, que outrora cantava o tango, deu lugar à vergonha de não ter. Um homem pobre é um pobre homem. «Quando não tens nada, pensas que não vales nada», diz um rapaz no bairro Villa Fiorito, em Buenos Aires. E outro confirma, na cidade dominicana de San Francisco de Macorís: «Meus irmãos trabalham para as marcas. Vivem comprando etiquetas, e vivem suando feito loucos para pagar as prestações».

Invisível violência do mercado: a diversidade é inimiga da rentabilidade, e a uniformidade é que manda. A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todas partes suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora do que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.

O consumidor exemplar é o homem quieto. Esta civilização, que confunde quantidade com qualidade, confunde gordura com boa alimentação. Segundo a revista científica The Lancet, na última década a «obesidade mórbida» aumentou quase 30% entre a
população jovem dos países mais desenvolvidos. Entre as crianças norte-americanas, a obesidade aumentou 40% nos últimos dezesseis anos, segundo pesquisa recente do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Colorado. O país que inventou as comidas e bebidas light, os diet food e os alimentos fat free, tem a maior quantidade de gordos do mundo. O consumidor exemplar desce do carro só para trabalhar e para assistir televisão. Sentado na frente da telinha, passa quatro horas por dia devorando comida plástica.

Vence o lixo fantasiado de comida: essa indústria está conquistando os paladares do mundo e está demolindo as tradições da cozinha local. Os costumes do bom comer, que vêm de longe, contam, em alguns países, milhares de anos de refinamento e diversidade e constituem um patrimônio coletivo que, de algum modo, está nos fogões de todos e não apenas na mesa dos ricos. Essas tradições, esses sinais de identidade cultural, essas festas da vida, estão sendo esmagadas, de modo fulminante, pela imposição do saber químico e único: a globalização do hambúrguer, a ditadura do fast food. A plastificação da comida em escala mundial, obra do McDonald´s, do Burger King e de outras fábricas, viola com sucesso o direito à autodeterminação da cozinha: direito sagrado, porque na boca a alma tem uma das suas portas.

A Copa do Mundo de futebol de 1998 confirmou para nós, entre outras coisas, que o cartão MasterCard tonifica os músculos, que a Coca-Cola proporciona eterna juventude e que o cardápio do McDonald´s não pode faltar na barriga de um bom atleta. O imenso exército do McDonald´s dispara hambúrgueres nas bocas das crianças e dos adultos no planeta inteiro. O duplo arco dessa M serviu como estandarte, durante a recente conquista dos países do Leste Europeu.

As filas na frente do McDonald´s de Moscou, inaugurado em 1990 com bandas e fanfarras, simbolizaram a vitória do Ocidente com tanta eloqüência quanto a queda do Muro de Berlim. Um sinal dos tempos: essa empresa, que encarna as virtudes do mundo livre, nega aos seus empregados a liberdade de filiar-se a qualquer sindicato. O McDonald´s viola, assim, um direito legalmente consagrado nos muitos países onde opera. Em 1997, alguns trabalhadores, membros disso que a empresa chama de Macfamília, tentaram sindicalizar-se em um restaurante de Montreal, no Canadá: o restaurante fechou. Mas, em 98, outros empregados do McDonald´s, em uma pequena cidade próxima a Vancouver, conseguiram essa conquista, digna do Guinness.

As massas consumidoras recebem ordens em um idioma universal: a publicidade conseguiu aquilo que o esperanto quis e não pôde.

Qualquer um entende, em qualquer lugar, as mensagens que a televisão transmite. No último quarto de século, os gastos em propaganda dobraram no mundo todo. Graças a isso, as crianças pobres bebem cada vez mais Coca-Cola e cada vez menos leite e o tempo de lazer vai se tornando tempo de consumo obrigatório. Tempo livre, tempo prisioneiro: as casas muito pobres não têm cama, mas têm televisão, e a televisão está com a palavra. Comprado em prestações, esse animalzinho é uma prova da vocação democrática do progresso: não escuta ninguém, mas fala para todos.

Pobres e ricos conhecem, assim, as qualidades dos automóveis do último modelo, e pobres e ricos ficam sabendo das vantajosas taxas de juros que tal ou qual banco oferece. Os especialistas sabem transformar as mercadorias em mágicos conjuntos contra a solidão. As coisas possuem atributos humanos: acariciam, fazem companhia, compreendem, ajudam, o perfume te beija e o carro é o amigo que nunca falha. A cultura do consumo fez da solidão o mais lucrativo dos mercados.

Os buracos no peito são preenchidos enchendo-os de coisas, ou sonhando com fazer isso. E as coisas não só podem abraçar: elas também podem ser símbolos de ascensão social, salvo-condutos para atravessar as alfândegas da sociedade de classes, chaves que abrem as portas proibidas. Quanto mais exclusivas, melhor: as coisas escolhem você e salvam você do anonimato das multidões. A publicidade não informa sobre o produto que vende, ou faz isso muito raramente. Isso é o que menos importa. Sua função primordial consiste em compensar frustrações e alimentar fantasias. Comprando este creme de barbear, você quer se transformar em quem?

O criminologista Anthony Platt observou que os delitos das ruas não são fruto somente da extrema pobreza. Também são fruto da ética individualista. A obsessão social pelo sucesso, diz Platt, incide decisivamente sobre a apropriação ilegal das coisas. Eu sempre ouvi dizer que o dinheiro não trás felicidade; mas qualquer pobre que assista televisão tem motivos de sobra para acreditar que o dinheiro trás algo tão parecido que a diferença é assunto para especialistas.

Segundo o historiador Eric Hobsbawm, o século XX marcou o fim de sete mil anos de vida humana centrada na agricultura, desde que apareceram os primeiros cultivos, no final do paleolítico. A população mundial torna-se urbana, os camponeses tornam-se cidadãos. Na América Latina temos campos sem ninguém e enormes formigueiros urbanos: as maiores cidades do mundo, e as mais injustas. Expulsos pela agricultura moderna de exportação e pela erosão das suas terras, os camponeses invadem os subúrbios. Eles acreditam que Deus está em todas partes, mas por experiência própria sabem que atende nos grandes centros urbanos.

As cidades prometem trabalho, prosperidade, um futuro para os filhos. Nos campos, os esperadores olham a vida passar, e morrem bocejando; nas cidades, a vida acontece e chama. Amontoados em cortiços, a primeira coisa que os recém chegados descobrem é que o trabalho falta e os braços sobram, que nada é de graça e que os artigos de luxo mais caros são o ar e o silêncio.

Enquanto o século XIV nascia, o padre Giordano da Rivalto pronunciou, em Florença, um elogio das cidades. Disse que as cidades cresciam «porque as pessoas sentem gosto em juntar-se». Juntar-se, encontrar-se. Mas, quem encontra com quem? A esperança encontra-se com a realidade? O desejo, encontra-se com o mundo? E as pessoas, encontram-se com as pessoas?Se as relações humanas foram reduzidas a relações entre coisas, quanta gente encontra-se com as coisas?

O mundo inteiro tende a transformar-se em uma grande tela de televisão, na qual as coisas se olham mas não se tocam. As mercadorias em oferta invadem e privatizam os espaços públicos.

Os terminais de ônibus e as estações de trens, que até pouco tempo atrás eram espaços de encontro entre pessoas, estão se transformando, agora, em espaços de exibição comercial. O shopping center, o centro comercial, vitrine de todas as vitrines, impõe sua presença esmagadora. As multidões concorrem, em peregrinação, a esse templo maior das missas do consumo. A maioria dos devotos contempla, em êxtase, as coisas que seus bolsos não podem pagar, enquanto a minoria compradora é submetida ao bombardeio da oferta incessante e extenuante. A multidão, que sobe e desce pelas escadas mecânicas, viaja pelo mundo: os manequins vestem como em Milão ou Paris e as máquinas soam como em Chicago; e para ver e ouvir não é preciso pagar passagem. Os turistas vindos das cidades do interior, ou das cidades que ainda não mereceram estas benesses da felicidade moderna, posam para a foto, aos pés das marcas internacionais mais famosas, tal e como antes posavam aos pés da estátua do prócer na praça.

Beatriz Solano observou que os habitantes dos bairros suburbanos vão ao center, ao shopping center, como antes iam até o centro. O tradicional passeio do fim-de-semana até o centro da cidade tende a ser substituído pela excursão até esses centros urbanos. De banho tomado, arrumados e penteados, vestidos com suas melhores galas, os visitantes vêm para uma festa à qual não foram convidados, mas podem olhar tudo. Famílias inteiras empreendem a viagem na cápsula espacial que percorre o universo do consumo, onde a estética do mercado desenhou uma paisagem alucinante de modelos, marcas e etiquetas.

A cultura do consumo, cultura do efêmero, condena tudo à descartabilidade midiática. Tudo muda no ritmo vertiginoso da moda, colocada à serviço da necessidade de vender. As coisas envelhecem num piscar de olhos, para serem substituídas por outras coisas de vida fugaz. Hoje, quando o único que permanece é a insegurança, as mercadorias, fabricadas para não durar, são tão voláteis quanto o capital que as financia e o trabalho que as gera. O dinheiro voa na velocidade da luz: ontem estava lá, hoje está aqui, amanhã quem sabe onde, e todo trabalhador é um desempregado em potencial.

Paradoxalmente, os shoppings centers, reinos da fugacidade, oferecem a mais bem-sucedida ilusão de segurança. Eles resistem fora do tempo, sem idade e sem raiz, sem noite e sem dia e sem memória, e existem fora do espaço, além das turbulências da perigosa realidade do mundo.

Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efêmera, que se esgota assim como se esgotam, pouco depois de nascer, as imagens disparadas pela metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem pausa, no mercado. Mas, para qual outro mundo vamos nos mudar? Estamos todos obrigados a acreditar na historinha de que Deus vendeu o planeta para umas poucas empresas porque, estando de mau humor, decidiu privatizar o universo? A sociedade de consumo é uma armadilha para pegar bobos.

Aqueles que comandam o jogo fazem de conta que não sabem disso, mas qualquer um que tenha olhos na cara pode ver que a grande maioria das pessoas consome pouco, pouquinho e nada, necessariamente, para garantir a existência da pouca natureza que nos resta. A injustiça social não é um erro por corrigir, nem um defeito por superar: é uma necessidade essencial. Não existe natureza capaz de alimentar um shopping center do tamanho do planeta.

Tradução: Verso Tradutores

Fonte: Agência Carta Maior

quinta-feira, outubro 09, 2008

Quando se trata de Palestina e Israel, os EUA simplesmente não entendem nada*


Robert Fisk

Os palestinos deixaram de existir nos EUA, 3ª-feira à noite. Joe Biden e Sarah Palin deram jeito e não pronunciaram a palavra-veneno. “Palestina” e “palestinos” – conceitos cancerosos, escorregadios, perigosos – simplesmente viraram inexistentes, no debate dos candidatos à vice-presidência.

A expressão “ocupação por Israel” deus seja servido não apareceu. Nem “colônia de judeus” nem “assentamento de judeus” – sequer “vizinhança israelense”, invenção acovardada do jornalismo norte-americano – deram o ar de sua graça. Nada.

Aqueles audazes competidores pela vice-presidência dos EUA, tão rápidos ao demonstrar tanta audácia no que tenha a ver com “defesa”, esconderam-se como coelhos, fugindo do epicentro do terremoto do Oriente Médio: a existência de um povo na Palestina. Claro, falou-se de uma solução “Dois Estados”, mas só para enganar, porque ninguém entende a Região.

Biden bem que quase pareceu provocar George Bush, que teria pressionado a favor das “eleições” – outra vez, ficou faltando a parte “na Palestina” – que levou à vitória do Hamás. Mas foi como se o Hamás só existisse em alguma terra-do-nunca-nunca, vasta paisagem que gradualmente se vai convertendo em desertos negros imensos que se estendem, na imaginação dos políticos norte-americanos, do Mediterrâneo ao Paquistão.

“Os mísseis (nucleares) paquistaneses já podem atingir Israel”, trovejou Biden. Mas… que conversa é essa?! O Paquistão não ameaçou Israel. Que se saiba, o Paquistão é aliado dos EUA. Os dois candidatos pareciam pensar que seu aliado na “guerra ao terror” teria virado a casaca e ter-se-ia coligado ao eixo do mal. Nem o Islam escapa à tentação.

Um dos boletins mais engraçados da semana, mais uma investigação sobre a educação de Obama, veio da agência de notícias Associated Press. O aspirante à presidência, anunciou a Associated Press, freqüentou escola muçulmana, mas não “praticou” o Islam.

Que diabo significa isso?!, pensei comigo. A Associated Press noticiaria, por exemplo, que McCain freqüentou escola cristã, mas não “praticou” a cristandade? Então, entendi. Obama fumou Islam, mas não tragou.

Viajando pelos EUA essa semana – de Seattle a Houston e Washington e daí a Nova York – por toda parte tropecei nos efeitos do terror induzido pela Casa Branca. Num almoço, uma senhora bem-educada, de classe média alta, virou-se para mim e contou-me sobre seu medo, “porque o Islam quer tomar a América”. Quando tentei sugerir que assim, francamente, já era demais, ela informou-me que “os muçulmanos já tomaram a França”.

Como se responde a uma coisa dessas? É como ser informado por alguém pressuposto racional e são de que os marcianos pousaram ontem no Tennessee. Tive de usar o golpe do velho Fisk, quando cercado por adeptos da religião do “digamos que George Bush inventou o 11/9”. Olhei o relógio, adotei cara de susto e gritei: “Tô atrasado!”

Falando sério. Lá estava Biden, na 3ª à noite, contando que na faixa de fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão – referia-se, é claro, à antiga fronteira traçada por Sir Mortimer Durrand, considerada peça de ficção pelos pashtuns (e, portanto, por todos os taliban) – “foram construídas 7.000 madrassas ... numa das quais mora bin Laden, onde o procuraríamos, se tivéssemos realmente inteligência (sic)”.

Sete mil? De onde, santo deus, saiu esse número? Sim, há milhares de escolas religiosas no Paquistão – mas não todas, é claro, na fronteira. Em outro extraordinário golpe de inventar mitos, o homem de Obama disse que “chutamos o Hizbóllah para fora do Líbano” – o que é perfeita mentira.

E, é claro, Israel – palavra que deve ser pronunciada, repetidamente, quanto mais, melhor, por todos os candidatos nos EUA – é o centro que mantém equilibrado todo o Oriente Médio, “nação pacífica e amante da paz, nosso melhor e mais forte aliado no Oriente Médio” (Palin falando)..., que ninguém “defendeu mais aplicadamente, no Senado dos EUA, que Joe Biden” (Biden falando).

Israel estaria “sob grave risco” se os EUA conversassem com o Iran”, Palin revelou. “Temos de garantir a Israel que jamais permitiremos um segundo Holocausto”. E outra vez acordaram o cadáver de Hitler – exatamente como McCain operou a ressurreição das sombras da II Guerra Mundial, quando cacarejou sobre o senso de responsabilidade de Eisenhower antes do Dia D. Que Israel pode defender-se muito adequadamente com 264 ogivas nucleares, é claro, ninguém disse, porque ver e fazer ver o real poder de Israel destrói a imagem de país pequeno e vulnerável, cuja defesa depende dos EUA.

Os israelenses merecem viver em segurança. Mas onde está a segurança que devemos garantir aos palestinos? Onde se meteu a simpatia com que os norte-americanos considerariam qualquer outro povo que viva hoje sob ocupação? Dessa simpatia, desnecessário dizer, não se viu nem rastro. Porque temos de endurecer, preparando-nos para a próxima guerra contra o mundo do mal no Paquistão.

Biden chegou a “exigir” governo “estável” em Islamabad, o que beira a total hipocrisia, poucos dias depois de soldados dos EUA terem invadido a fronteira legal e soberana do Paquistão e explodido uma casa que, disseram, seria usada pelos taliban. E disse o General David Petraeus ao The New York Times essa semana, “Andamos na direção errada, no Afeganistão (...). Será muito difícil retomar o controle em várias áreas que os taliban reocuparam”.

É uma situação esquisitíssima. Obama e Biden querem dar por concluída a operação Iraque e re-conquistar o Afeganistão. Para a Escola Palin de Clichês, tratar-se-ia de “aceitar a bandeira branca da rendição no Iraque”, ao mesmo tempo em que continua a alertar contra os perigos que vêm do Iran, onde só o nome daquele presidente ensandecido, Ahmadinejad, bastou para derrotar McCain, no pseudo debate da semana passada, três vezes.

E é sempre a mesma velha história. A única lição que aprendemos nos EUA, nessas duas semanas, citando “Oh! Que delícia de guerra”, de Joan Littlewood, é que a guerra continua.

* ROBERT FISK © The Independent, UK. Na internet, em http://www.independent.co.uk/opinion/commentators/fisk/robert-fisks-world-when-it-comes-to-palestine-and-israel-the-us-simply-doesnt-get-it-950812.html.

Noticias más silenciadas por la prensa

(1) La prensa y la televisión estadounidense y mundial minimizan las protestas contra las guerras que se libran en Medio Oriente. (2) El genocidio en Iraq ha sido ocultado por los grandes medios. (3) Mapa político varía en América Latina a favor de las nuevas ideas. (4) Multinacionales militarizan zona de libre comercio en Norteamérica.




























El genocidio en Iraq, con 1,2 millones de civiles muertos por las tropas estadounidenses desde que comenzó la invasión hace cinco años es el tema que encabeza el ranking anual de las 25 noticias más ocultadas por la gran prensa de EEUU y del mundo en 2007/2008, según “Censored 2009”, el informe del Proyecto Censurado de la Universidad Sonoma State de California.

Además de las 25 historias más censuradas, el libro contiene valiosos trabajos académicos sobre la situación actual del periodismo, nuevas visiones del cambiante mapa de la gran concentración de la propiedad mediática y análisis de contenido sobre lo sesgado de la información en diversos temas.

El Proyecto Censurado, que dirige el sociólogo Peter Phillips, indaga desde hace 33 años las 25 noticias más relevantes que nunca fueron puestas a disposición del público por los grandes medios de comunicación corporativos que hoy ejercen el control mediático mundial.

América Latina está presente en varios trabajos. Por ejemplo, los periodistas Laura Carlsen, Stephen Lendman y Constance Fogal investigaron cómo el espacio económico del Tratado de Libre Comercio de América del Norte o NAFTA, que incluye a EEUU, México y Canadá, se está convirtiendo en un espacio militarizado a cargo del Comando Norte estadounidense.

Otra noticia absolutamente desatendida por los grandes medios es el posible nuevo cambio del mapa político de América Latina que puede darse en 2009 en favor de las ideas progresistas.

Matanza de civiles
Éste es un resumen de las 10 primeras historias más censuradas expuestas en el mismo orden del Proyecto Censurado:

1) La ocupación de EEUU mata a más de un millón de iraquíes (por Michael Schwartz, Joshua Holland, Luke Baker, Maki al-Nazzal y Dahr Jamail): Las tropas estadounidenses han dado muerte a 1,2 millones de civiles iraqueses desde que comenzó la invasión hace cinco años, según el grupo británico de investigación Opinion Research Business (ORB).

Estas cifras hacen rivalizar la invasión y ocupación de Iraq con las grandes matanzas del siglo pasado, como el terrible balance de hasta 900,000 seres humanos que se cree mataron en el genocidio de Ruanda en 1994 y está acercándose al 1’700,000 que murió en Camboya bajo el Khmer Rouge, en los ‘70.

2) EEUU, Canadá y México militarizan el NAFTA (por Laura Carlsen, Stephen Lendman y Constance Fogal): El espacio económico del Tratado de Libre Comercio de América del Norte, que agrupa a EEUU, Canadá y México se está convirtiendo en un espacio militarizado controlado por el Comando Norte estadounidense, “seguro para los negocios” e inmune al terrorismo, llamado Sociedad de la Seguridad y la Prosperidad (SPP, en inglés).

Las corporaciones transnacionales promotoras de esta conjunción de apariencia trinacional, pero verdaderamente “supranacional”, son viejas conocidas: la General Electric, Ford Motors, General Motors, Wal-Mart, Lockheed-Martin, Merck, Chevron y otras mega compañías. La SPP, que apunta a integrar a las tres naciones en un solo bloque político, económico y de seguridad al mando de Washington.

Licencia para matar
3) El FBI ofrece licencia para matar (por Matthew Rothschild): El gobierno estadounidense recluta negocios e individuos que se integran a InfraGard, una importante pieza en la compleja estructura de un panóptico industrial destinado a acechar a la sociedad de la vigilancia que construye Washington.

Más de 23,000 pequeños y medianos empresarios del comercio y la industria estadounidense trabajan silenciosamente con el FBI y el departamento de Seguridad de la Patria (DHS, en inglés) en la recolección y suministro de información sobre las amistades de los estadounidenses. En recompensa, los miembros de InfraGard, que es el nombre de este grupo, reciben advertencias secretas sobre amenazas terroristas mucho antes que el público y, ocasionalmente, antes que ciertos funcionarios.

4) ILEA: ¿Resurgen las guerras sucias de EEUU en América Latina? (por Comunidad en Solidaridad con el Pueblo de El Salvador, Wes Enzinna y Benjamin Dangl): La vieja Escuela de las Américas revivió en El Salvador como Academia Internacional de Aplicación del Derecho (ILEA, en inglés), con una base satélite en el Perú y 16,5 millones de dólares del presupuesto federal 2008 de EEUU.

La ILEA, con inmunidad ante probables crímenes contra la humanidad, entrena anualmente en "técnicas antiterroristas" a 1,500 oficiales de policía, jueces, fiscales y otros “funcionarios de la ley” de América Latina, mientras el viejo militarismo de EEUU amenaza de nuevo la paz y la democracia en la región y aumenta la ayuda militar, que en 2005 creció 34 veces respecto a 2000.

Requisa de bienes
5) Apoderándose de los bienes de los manifestantes contra la guerra (por Michel Chossudovsky y Matthew Rothschild): Bush firmó dos órdenes ejecutivas que facultan al Departamento del Tesoro para apoderarse de los bienes de quien sea percibido como amenaza para las operaciones en Oriente Medio, inclusive sus niños.

La primera, "Bloqueando las propiedades de personas que amenazan los esfuerzos de estabilización en Iraq", firmada el 17 de julio de 2007, autoriza al Departamento de Hacienda, en consulta con el Departamento de Estado y el Pentágono, a confiscar bienes de ciudadanos y organizaciones de EEUU que "directa o indirectamente" amenacen las operaciones en Iraq. La segunda, "Bloqueando la propiedad de personas que minan la soberanía del Líbano, sus procesos e instituciones democráticas", del 1 de agosto, es casi idéntica pero más severa. Sin el derecho al debido proceso, la secretaría de Hacienda puede apoderarse de las propiedades de cualquiera que se oponga vagamente a la agenda de EEUU o arbitrariamente se le atribuya riesgo de violencia.

6) Derrota de la ley contra el “terrorismo doméstico de cosecha propia” (por Jessica Lee, Lindsay Beyerstein y Matt Renner): Una buena noticia es que parece haber fracasado otra ley “antiterrorismo doméstico”, esta vez contra ciudadanos de ascendencia árabe o que profesen la fe islámica, sectores opuestos a la globalización y también críticos de la versión oficial del desplome de las Torres Gemelas y del Edificio Nº 7 el 11 de septiembre de 2001 en Nueva York.

La legislación, que también es una afrenta a las libertades estadounidenses de expresión, al uso libre de Internet, a la privacidad y asociación, fue aprobada por 404-6 –casi por unanimidad– en la Casa de Representantes, pero el Senado la dejó de lado, contrariando a sus dos principales promotores bipartidarios: la congresista demócrata por California Jane Harman, jefa del Subcomité de Inteligencia, Información Compartida y Riesgo de Terrorismo, y el senador republicano por Connecticut Joseph Lieberman, presidente de los comités de Seguridad de la Patria y Asuntos Gubernamentales. Entretanto, Lieberman ha tratado de llevar la censura al popular YouTube, de Google.

Como esclavos
7) Guest Workers Inc.: fraude y tráfico humano (por Mary Bauer, Sarah Reynolds, Felicia Mello y Chidanand Rajghatta): El sistema del “trabajador invitado” que emigra a trabajar a EEUU contratado en sus países de origen resulta lo más parecido a la esclavitud del siglo 21, según el congresista demócrata por Harlem Charles Rangel. El programa, que victimiza a los trabajadores inmigrantes pero ha sido elogiado y recomendado por Bush, es probable que sirva de plantilla para futuras reformas de la inmigración.

Bush y las órdenes secretas
Otro artículo se refiere a que las órdenes presidenciales pueden cambiarse en secreto (por Sheldon Whitehouse [Senador de EEUU] y Marcy Wheeler): El senador Sheldon Whitehouse, demócrata por Rhode Island y miembro del Comité de Inteligencia del Senado, informó haber desclasificado tres documentos jurídicos de la Oficina de Consejos Legales del Ministerio de Justicia que revelan que el presidente Bush gobierna con Órdenes Ejecutivas secretas que tienen preeminencia sobre el Congreso, el Poder Judicial, el Ministerio de Justicia y todo el sistema jurídico estadounidense.

Ernesto Carmona
(Especial para ARGENPRESS.info)

segunda-feira, outubro 06, 2008

Viúva de Paulo Freire, repudia a "veja"

TEXTO DA VEJA (editorial)


'...Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização...



Diante disso a viúva de Paulo Freire, Nita, escreveu a seguinte carta de repúdio á VEJA:

'Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE - e um dos maiores de toda a história da humanidade -, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobre sua postura danosa através do jornalismo crítico. Não proclama sua opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas, camufladamente, age em nome do reacionarismo desta.

Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoar pessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo, apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.

A matéria publicada no nº 2074, de 20/8/2008, conta, lamentavelmente com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente em favor da ética do mercado, contra a ética da vida criada por Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.

Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que, certamente para se sentirem e serem parceiras do "filósofo" e aceitas pelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedade brasileira atual.

Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável, elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam em favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais pobres e os mais fracos do mundo, embora para desgosto deles, estamos conseguindo, no Brasil, superar esse sonho macabro reacionário.

Superação realizada não só pela política federal de extinção da pobreza, mas , sobretudo pelo trabalho de meu marido – no qual esta política de distribuição da renda se baseou - que demonstrou ao mundo que todos e todas somos sujeitos da história e não apenas objeto dela.

Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a má apreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dão continuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cata às bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo ato humanista no nefasto período da Ditadura Militar.

Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu "Norte" e "Bíblia", esta matéria revela quase tão somente temerem as idéias de um homem humilde, que conheceu a fome dos nordestinos, e que na sua altivez e dignidade restaurou a esperança no Brasil.

Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os e as que a fazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante na educação das crianças, jovens e adultos: o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso país, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião.

Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!

São Paulo, 11 de setembro de 2008 Ana Maria Araújo Freire."

quarta-feira, setembro 24, 2008

jaque mate al capitalismo

El sistema financiero (baluarte del capitalismo) que tiene su cabeza en las entrañas del imperio norteamericano, y que tiene sus tentaculos en el mundo entero, tremió como un castillo de arena, como una casa de madera hecha en tierras arenosas. Acaso no era un sistema poderoso, fuerte, indomable?. Os ideólogos no decían que el capitalismo se tenia qu desarrollar sin intervención del estado, que la oferta y demanda iba equilibrar las cuentas?.
Pero todos sabemos, y ellos también que lo que realmente mueve al capitalismo es en afan extremo del lucro con el menor esfuerzo. Para esto inventaron la bolsa de valores, la especulación, el trafico de influencias, la manipulación de información muchas veces confidencial. Trabajando en las sombras con espías electrónicos y servicios secretos para vender y comprar acciones e información economica de individuos de instituciones financieras y de gobiernos en el mundo. Gran parte de los salarios millonarios de los "grandes"ejecutivos esta basado en ese trabajo sucio, pueril. Y ellos crian que el sistema capitalista nunca iba roer bajo sus escombros.

Pues su hora llegó. Pero en ves de se auto-criticar, en ves de reconocer que el capitalismo es flaco y perverso, salieron corriendo parapedir salvación de parte del gobierno norteamericano. Donde está la invencibilidad del capitalismo?, es decir, cuando se trata de lucrar, el estado esta sobrando, que no se meta en la enconomia mundial; cuando de trata de perder, salen corriendo cual condenados pidiendo dinero al usuario, al consumidor!!!, pues el dinero que tiene el estado en cualquier parte de gobiernos mundiales es nada mas que el dinero del contribuyente.

para peorar, el equino orejudo de bush, en su ultimo discurso de la ONU no dijo absolutamente nada, supongo que fué porque tenia vergüenza de reconocer ante los ojos del mundo
que el sistema capitalismo es pésimo, es salvaje, no es duradero y tiene fallas de concepcion. Es por eso que tentó distraer al mundo hablando de un asunto que en principio es el hijo putativo del sistema de dominación mundial : imperialismo basado en el capitalismo.

Esto nos refuerza la idea que otro mundo, otro sistema es posible y necesario, donde exita respeto a las soberania de todos los paises, independientemente de tu extension territorial, de su numero de habitantes o su poderio economico. otro camino es posible, donde la naturaleza sea respetada, donde el hombre sea hermano del hombre y que prime los intereses de grandes mayorias!.

segunda-feira, setembro 15, 2008

nuevo tipo de hormiga en la amazonia






























En la Amazonía brasileña siguen habiendo animales hasta ahora nunca vistos. Investigadores alemanes detectaron un tipo de hormiga hasta ahora desconocida, que por sus características únicas fue bautizada como "la hormiga marciana", informó hoy lunes el Museo de Ciencias Naturales de Karlsruhe.

Se trata de un insecto pálido, sin ojos, tiene el tamaño de unos tres milímetros, lleva una vida subterránea y caza a sus víctimas con unas alargadas tenazas con forma de pinzas, tal es la descripción que ofreció el investigador Christian Rabeling, junto a Manfred Verhaagh uno de los integrantes de la expedición que dio con el animal.

La hormiga está en una etapa de evolución tan primitiva que los científicos la bautizaron Martialis Heureka, para dejar en claro que parecería ser originaria de otro planeta.

El descubrimiento fue de casualidad, un atardecer a la vera de la ruta nacional AM010, en el kilómetro 28, en el estado de Amazonas.


Assim falou Sarah Palin


“Eu nunca hesitei um segundo em relação a ir para a guerra no Iraque"

“A invasão e ocupação do Iraque pelos EUA é uma guerra de Deus".

“Todos os jovens da América devem lutar contra o Islam”.
“A invasão do Iraque foi uma missão divina”.





Sin duda, ella representa el sector mas fundamentalista del conservadorismo republicano. Con ella se vienen tiempos dificiles para el mundo, pero tambien para estados unidos.

sábado, setembro 13, 2008

Luego de perder, fascismo contra-ataca en bolivia

Hay golpes en la vida

La violencia fascista contra el gobierno constitucional de Evo Morales en Bolivia coincide con los planes de golpe de estado y magnicidio en Venezuela.

Esa simultaneidad coincide, en el fondo, con el malestar de la administración Bush frente al creciente rechazo latinoamericano a la política imperialista, rechazo manifestado en una elección tras otra.

Nada agradaría más al presidente de Estados Unidos que la caída de algunos de los gobiernos progresistas de nuestra América. Le daría la oportunidad de anunciar, en vísperas de las elecciones de noviembre en su país, un “triunfo de la libertad” en América, ya que en Irak y Afganistán se ahonda su fracaso.

No es la primera vez que el imperialismo norteamericano recurre a la violencia golpista en más de un país, de modo simultáneo y hasta idéntico.

El presidente de Ecuador Jaime Roldós, socialcristiano que iniciaba una acción progresista, murió el 24 de mayo de 1981 en avión del Ejército que estalló en pleno vuelo.

Dos meses después, caía el general Omar Torrijos, militar nacionalista que había introducido una reforma agraria y de la educación, y logrado que la ONU reconociera los derechos de Panamá sobre el Canal. Luego, mediante el Tratado Torrijos-Carter, había consagrado la soberanía panameña en esa vía. Fue asesinado el 31 de julio de 1981, en extraña explosión en avión en vuelo. Hace tres años, el embajador de Panamá, primo hermano del general, me recordó, en entrevista para Caretas, la frase de un panameño: “A Torrijos lo murieron”.

Un peruano me informó que mi entrevista fue reproducida en Panamá y reavivó allá la polémica sobre la extraña muerte del mandatario.

En setiembre del 2000, según lo precisa el estadounidense Christopher Hitchens en su libro Juicio a Kissinger, la propia CIA se vio obligada, por disposición legislativa, a informar sobre su actividad en Chile tanto para armar el golpe de Pinochet como para sostener la dictadura sanguinaria, y actuar criminalmente en otros países de América.

Ese texto recuerda cuándo se originó el Plan Cóndor. Dice el informe de la CIA citado por Hitchens:

“Dentro del año que siguió al golpe (de Pinochet), la CIA y otras agencias del gobierno norteamericano tuvieron conocimiento de la cooperación bilateral entre servicios de inteligencia de la zona para rastrear las actividades y, al menos en unos cuantos casos, matar a adversarios políticos. Este fue el antecedente del Plan Cóndor, un acuerdo de compartir información secreta concluido en 1975 entre Chile, Argentina, Brasil, Paraguay y Uruguay”.

En ese marco histórico se produjeron otros crímenes notables. Por ejemplo, el asesinato en Buenos Aires del general Juan José Torres, ex presidente nacionalista y popular de Bolivia.

Pues bien: la CIA sigue existiendo y el imperialismo también.

fuente: diario la primera

Cesar levano (Blog)

Comentario: È evidente que esta acción desesperada por parte de la burguesia latifundiaria de Bolivia con apoyo de estados unidos, se puede llamar de violencia fascista o usando el lenguaje de ellos de terrorismo. Pues en el ultimo referendum, Evo Morales ganó con absoluta maioria. No cabe duda que existen periodistas y algunas emisoras como la CNN que hablan directamente sin verguenza en un magnicidio en la america latina (ver entrevista de jayme bayly) (1).
Frente a esto, aquella grande mayoria de bolivianos que dieron su respaldo en las elecciones
precisan tomar una actitud. si hay necesidade de cercar santa cruz, tendrá que hacerse.
El gobierno tambien precisa identificar los fascistas participantes de los desmanes y crimenes
y detenerlos. Simultaneamente precisa presionar al poder judicial que tome actitud yá contra ese proceso violento, sedicioso y genocida por parte de esa minoria que dominar algunos sectores de produccion y television en bolivia.
El pueblo boliviano vá y tendrá que mostrar que el verdadero poder está en las manos de ellos, y ellos son mayoria!!!

(1)
María Elvira Salazar, CNN en español, y el periodista Federico Jimenez, son algunos que propalan abiertamente sobre el asesinato de Chavez, evo morales y el presidente Correa de ecuador


(2) Federico Jiménez Losantos es columnista del diario español El Mundo. Desde 2007, varias sentencias judiciales han sido falladas en su contra a raíz de diferentes demandas interpuestas por políticos, organizaciones y periodistas, objeto de sus críticas. Cuenta con el apoyo de la Conferencia Episcopal española


sobre estos dos últimos pontos informese aqui melhor(diario la republica-peru)

quinta-feira, setembro 04, 2008

Jucio a Fujimori

La madre de todas las torturas

El coronel argentino José Luis García demostró ayer, ante el tribunal que juzga a Fujimori, que los crímenes contra los derechos humanos cometidos en América Latina durante medio siglo tienen una fuente común: el Pentágono estadounidense.

Con documentos debidamente exhibidos el militar en situación de retiro explicó que el Pentágono se encargó de inocular la doctrina de la “seguridad nacional” y la guerra de baja intensidad.

El órgano encargado de transmitir esas enseñanzas fue la Escuela de las Américas, también llamada Escuela de Asesinos y de Dictadores, fundada en 1946. El coronel García, especializado en defensa de los derechos humanos, sostuvo que el Departamento de Defensa de Estados Unidos creó una “diplomacia paralela” que subordinó las fuerzas armadas latinoamericanas a los intereses del imperio, so pretexto de combatir el comunismo.

El coronel indicó que los métodos regresivos estaban contenidos en manuales que aprobaban torturas, ejecuciones y extorsión. Recordó lo que le dijo un general de su país: “De cada diez torturados se logra que uno hable”. Se justificaban, pues, los métodos que se aplicaron en el Perú en los días de la violencia.

El coronel insistió en que crímenes como los de La Cantuta y Barrios Altos no se cometen por orden escrita, pero no pueden ejecutarse sin el conocimiento de las máximas autoridades civiles y militares.

La exposición subrayó que las políticas de terror de Estado fueron iguales en nuestros países precisamente por la orientación de la Escuela de las Américas.

No en vano estudiaron allí el dictador argentino Leopoldo Galtieri, condenado y destituido por violación de los derechos humanos y por su responsabilidad en la guerra de las Malvinas; el coronel Roberto D’ Aubuisson, jefe de los escuadrones de la muerte de El Salvador y autor del asesinato de seis sacerdotes jesuitas (muchos militares de esos escuadrones son hoy fuerza sanguinaria al servicio del galopante narcotráfico en México); el dictador boliviano Hugo Bánzer y el narcotraficante panameño Manuel Noriega.

Como precisó el militar argentino, en la Escuela de las Américas estudiaron cerca de 60 mil oficiales de los institutos armados de América Latina.

García reforzó su exposición con páginas del diario bonaerense Clarín que citan un documento de 1996 en el cual el Pentágono reconoce que la Escuela de las Américas había utilizado manuales en inglés y español que aprobaban y enseñaban métodos de guerra sucia.

Parece que la contundencia de los argumentos del coronel argentino quebró el ánimo de Fujimori y su abogado, César Nakazaki. Particularmente la aseveración, nutrida de experiencia internacional, de que las operaciones especiales de inteligencia forman parte de una política de Estado, que les promete impunidad.

fuente

domingo, agosto 31, 2008

Manifestantes frente a Convención Demócrata exigen fin de invasión a Irak


TeleSUR _ Hace: 2 dias

En Denver, Colorado, donde tiene lugar la Convención Nacional del Partido Demócrata de EEUU, por tercer día consecutivo se realiza una manifestación encabezada por ex marines, veteranos guerra, pacifistas y organizaciones sociales, que tomaron las calles para exigir el fin de la invasión a Irak.

Los manifestantes tenían como meta llegar a la Convención Demócrata para entregar al candidato presidencial de esa tolda, Barack Obama, una carta con una serie de reclamos que comprendía una justa indemnización al pueblo iraquí por la agresión

Aproximadamente 500 manifestantes marcharon desde el Civic Center Park, cerca del Capitolio Estatal, hasta el edificio de las cortes federales ubicado a varias cuadras de distancia.

Algunos de los manifestantes se vistieron como prisioneros de la cárcel de Abu Ghraib, en Irak, donde soldados estadounidenses sometieron a tortura a los internos, en incidentes que fueron documentados en fotografías.

Los participantes en la marcha gritaban: 'Sin justicia, no hay paz' y portaban carteles de 'No Guerra por Imperio' y 'No a la Tortura'.

También rechazaron los planes anunciados por Obama sobre un eventual aumento de tropas en Afganistán.

"Queremos a las tropas fuera de Irak y de vuelta a casa, no queremos a las tropas trasladándose a Afganistán, y menos una guerra preventiva", dijeron los manifestantes.

Sheehan¨Irak sigue siendo lo principal

"Si quieren mi voto van a tener que retirar las tropas de Irak en cuanto asuman y no en el 2011 como dice Obama", dijo Cindy Sheehan, líder pacifista que perdió a su hijo en Irak, agregando que su intención es votar por Cynthia McKinney, del Partido Verde.

Cuando le preguntaron si al votar no tendría en cuenta otros temas como el aumento del salario mínimo o el aborto, Sheehan no lo dudó: "Mi hijo murió en Irak y para mí eso es lo más importante", señaló.

Los activistas salieron a las calles pese a las detenciones masivas en protestas anteriores, cuando las autoridades abrieron procesos judiciales contra
al menos 100 detenidos.



sexta-feira, agosto 29, 2008

Halo solar em sp













































halo solar, fenômeno óptico que aparece perto ou arredor do sol ou a lua. geralmente é causado por cristais de gelo presentes nas nuvens localizadas a 5-10km de altura. A forma particular e orientação dos cristais é responsável pelo fenômeno. A luz é refletida e refratada pelos cristais de gelo e pode gerar as cores que formam parte da luz visível por dispersão em forma similar como acontece no arco-íris.

eduardo galeno para o che!

Eduardo Galeano

O NASCEDOR

Por que será que o Che
Tem este perigoso costume
De seguir sempre renascendo?
Quanto mais o insultam,
O manipulam
O atraiçoam
Mais ele renasce.
Ele é o mais renascedor de todos!
Não será por que Che
Dizia o que pensava e fazia o que dizia?
Não será por isso que segue sendo
tão extraordinário,
Num mundo onde palavras
e atos tão raramente se encontram?
E quando se encontram
raramente se saúdam
Por que não se reconhecem?

segunda-feira, agosto 18, 2008

terça-feira, agosto 12, 2008

Pimenta arde para evitar ataque de fungo


Uma pesquisa de cientistas bolivianos e americanos mostrou que uma mesma espécie do gênero de plantas do qual fazem parte a pimenta chili e a popular malagueta varia o ardor do seu fruto de acordo com a ameaça, maior ou menor, de um fungo causador de doença.
Em geral, não é uma boa idéia para uma planta ter frutos muito ardidos ou amargos. A função principal de uma fruta, dizem os autores do estudo logo na sua primeira frase, é atrair animais para dispersar sementes viáveis através das suas fezes. É um caso de amor ou rejeição à primeira mordida.

Outros consumidores são menos desejados: insetos que atacam os frutos e micróbios que destroem as sementes em vez de dispersá-las. No caso da pimenta estudada, o buraco feito pelo inseto era o canal perfeito para a invasão do fungo.

A planta tenta se defender dessas pragas microscópicas produzindo substâncias tóxicas. Mas não pode exagerar na dose, senão os animais dispersores passam a evitar frutos ardidos demais. É um autêntico "come-lá-dá-cá".

Foram estudadas sete populações da pimenteira, distribuídas em 1.600 km2 de território boliviano, e notou-se que, quanto maior o risco de ataque por inseto ou por fungo em uma região, maior a quantidade das capsaicinas.

Fonte(revista científica "PNAS")

sábado, agosto 09, 2008






































































China mostra 5000 años de cultura milenar, sus logros en artes, ciencias e sociedad.
El papel, la seda, la pólvora, la brújula, la navegación marítima, la era espacial, arquitectura futurista, fueron las estrellas de esta cultura. la china fue construida e unificada con el lema, "un pais debajo del sol". Es claro que debemos apelar para que todas las etnias de la china continental sean proteguidas, respetadas sin necesidad de separatismos.

quinta-feira, agosto 07, 2008