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sexta-feira, junho 04, 2010

agrotoxicos no dia a dia

O veneno no pão nosso de cada dia

O Brasil é líder mundial no uso de agrotóxico. As empresas transnacionais comemoram, enquanto o prejuízo fica para os trabalhadores rurais e os consumidores

Por Tatiana Merlino

Do lado esquerdo da estrada de terra vermelha, uma cerca viva impede a visão da fazenda. Do lado direito, é diferente: é possível ver o pomar repleto de árvores de laranja, embora a maioria não dê mais frutos. A época da colheita já passou, foi em agosto. Estamos em outubro. Mais alguns metros percorridos de carro pela estrada da área rural do município de Lucianópolis, interior paulista, ouve-se um som vindo por detrás do pomar.

Parece o ronco de um motor. Descemos do carro e cruzamos o limite da fazenda. O som se aproxima. Primeiro quarteirão, nada, segundo, terceiro, quarto. Lá pelo quinto quarteirão de árvores o barulho fica forte e avistamos o trator vermelho, pilotado por um homem que pulveriza um produto no laranjal. É Luiz Andrade de Souza, que trabalha e mora com a família na fazenda. Ele trabalha sem nenhum Equipamento de Proteção Individual – EPI, dispositivo exigido pela legislação do Ministério do Trabalho para a aplicação de defensivos agrícolas.

Luiz Andrade é uma vítima potencial de problemas de saúde decorrentes da manipulação dos agrotóxicos. De acordo com dados divulgados no começo de novembro pelo Censo Agropecuário 2006 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve, em 2006, pelo menos 25.008 casos de intoxicação de agricultores. Os dados também indicam que herbicidas, fungicidas e inseticidas foram usados em 1,396 milhão de fazendas.

A pesquisa mostra que mais de 1,5 milhão, das 5,2 milhões de propriedades rurais do país, utiliza agrotóxicos. E que 56% destas não recebem orientação técnica. A aplicação manual dos venenos, por meio do pulverizador costal – que é o equipamento que apresenta maior potencial de exposição aos agrotóxicos – é a mais utilizada, presente em 70,7% dos estabelecimentos agrícolas que fazem uso de algum tipo de defensivo. O Censo aponta também que 20% (296 mil) destas propriedades não utilizam proteção individual. O Rio Grande do Sul é o Estado que mais aplica agrotóxicos, com 273 mil propriedades.

Campeão mundial
Tal cenário é do país que, em 2008, foi “consagrado” com o título de campeão mundial de uso de agrotóxicos. Foram 673.862 toneladas de defensivos, o equivalente a cerca de 4 quilos por habitante. De acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Defesa Vegetal (Sindag), o faturamento da indústria química no ano passado no Brasil foi de US$ 7,125 bilhões, valor superior aos US$ 6,6 bilhões do mesmo setor dos Estados Unidos. Atreladas ao tamanho da área plantada, as maiores aplicações se deram nas culturas de soja, milho, cana-de-açúcar, algodão e cítricos.

De acordo com Gabriel Fernandes, da organização não governamental Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA), tais números deveriam servir “como um grande sinal de alerta que indica a falência do modelo agrícola das monoculturas. Quanto mais veneno se usa, maior será o desequilíbrio ambiental. E quanto maior o desequilíbrio ambiental, mais veneno se usa”.

As consequências do uso dos agrotóxicos são inúmeras: coloca-se a saúde dos trabalhadores e consumidores em risco, e se contaminam o solo e a água. No caso da saúde dos trabalhadores, os riscos variam de acordo com tempo e dose da exposição a diferentes produtos. Assim, os efeitos podem ser agudos ou crônicos. O principal efeito agudo são intoxicações, dores de cabeça, alergias, náuseas e vômitos. “Dependendo do tempo de exposição, pode haver uma intoxicação aguda completamente reversível, mas também pode haver efeitos subagudos que deixarão lesões neurológicas periféricas que podem comprometer tanto a parte da sensibilidade quanto a parte motora”, explica a médica Raquel Rigotto, professora do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC).

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sexta-feira, dezembro 14, 2007

Un síndrome del perro

sorpresa y repudio ha causado en los estamentos científicos y académicos del sector agrario la remoción del Dr. Mario Tapia Núñez del cargo de asesor en el despacho ministerial de Agricultura.

Máxima autoridad nacional en biodiversidad y sistemas agropecuarios andinos, Premio Nacional a la Innovación Tecnológica Cosapi 1995 y autor de más de diez libros en su especialidad, el Dr. Tapia Núñez había sido llamado por el propio ministro Ismael Benavides Ferreyros para ocupar dicho puesto desde el 11 de octubre reciente. En ejercicio del cargo, lo acompañó en el lanzamiento mundial del Año Internacional de la Papa en Nueva York el 18 del mismo mes y el 22 último en el lanzamiento nacional de la efeméride en Palacio de Gobierno.

Sin embargo, el banquero- hacendado ni siquiera llamó a Tapia por teléfono para advertirle que daría por cancelada su designación a partir del 24 de noviembre. El científico se enteró de esto sólo por resolución publicada en El Peruano.

El ingeniero Tapia estudió en la Universidad Técnica del Altiplano y prosiguió estudios en Suiza y otros países. Habla quechua y aymara, aparte de varios idiomas europeos. En su medular libro sobre La agricultura altoandina recomienda que los agrónomos que trabajen en los Andes aprendan por los menos el quechua y el aymara básicos.

“De lo contrario”, me dijo hace años, en una entrevista para Agronoticias, “no se puede producir el intercambio entre los conocimientos ancestrales de los campesinos y el saber científico y técnico del agrónomo.

Éste no podrá asimilar la sabiduría nativa que conoce en qué altura se produce tal o cual variedad de papa o de maíz. Y las explicaciones del ingeniero le entrarán al campesino por una oreja y le saldrán por la otra”.

¿Cuál es la explicación del grosero maltrato oficial? Muy simple: el Dr. Tapia Núñez es un investigador, promotor y defensor de la biodiversidad andina, de las comunidades campesinas conservacionistas y la producción agraria orgánica; posición incómoda para el oficialismo, que pretende hasta confiscar y rematar buena parte de los territorios comunales con todas esas riquezas adentro.

De este modo, además, queda evidenciado el fariseísmo de Alan García cuando escribió: “Ocurre también que cuando un grupo captura el poder, una región o un municipio, decide gobernar solo y bloquea el aporte técnico y profesional de muchos otros ciudadanos”. Síndrome del perro.

En el Ministerio de Agricultura no hay un solo funcionario de alto nivel que conozca –siquiera por lecturas– la realidad y el potencial del agro altoandino. Sin embargo, el mastín político de los bancos y transnacionales ha querido darse el lujo de echar a uno de los pocos peruanos que domina ese universo alimentario y social.

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