Todo acto o voz genial, viene del pueblo y vá hacia él. Cesar vallejo. “El arte que se nutre del alma de nuestro pueblo, de sus sufrimientos y esperanzas es un arte que no muere, que vive eternamente en los corazones que luchan y cantan”. Jose carlos mariategui
musica con sentido e sentimiento
terça-feira, outubro 04, 2011
la multiplicacion de los indignados
los indignados se multiplican en los estados unidos
sexta-feira, fevereiro 19, 2010
terça-feira, outubro 28, 2008
A crise do capitalismo e a importância atual de Marx
Entrevistamos o historiador por ocasião da publicação do livro “Karl Marx’s Grundrisse. Foundations of the Critique of Political Economy 150 Years Later” (Os Manuscritos de Karl Marx. Elementos fundamentais para a Crítica da Economia Política, 150 anos depois).
Nesta conversa, abordamos o renovado interesse que os escritos de Marx vêm despertando nos últimos anos e mais ainda agora após a nova crise de Wall Street. Nosso colaborador Marcello Musto entrevistou Hobsbawm para Sin Permiso.
Marcello Musto: Professor Hobsbawm, duas décadas depois de 1989, quando foi apressadamente relegado ao esquecimento, Karl Marx regressou ao centro das atenções. Livre do papel de intrumentum regni que lhe foi atribuído na União Soviética e das ataduras do “marxismo-leninismo”, não só tem recebido atenção intelectual pela nova publicação de sua obra, como também tem sido objeto de crescente interesse. Em 2003, a revista francesa Nouvel Observateur dedicou um número especial a Marx, com um título provocador: “O pensador do terceiro milênio?”. Um ano depois, na Alemanha, em uma pesquisa organizada pela companhia de televisão ZDF para estabelecer quem eram os alemães mais importantes de todos os tempos, mais de 500 mil espectadores votaram em Karl Marx, que obteve o terceiro lugar na classificação geral e o primeiro na categoria de “relevância atual”.
Em 2005, o semanário alemão Der Spiegel publicou uma matéria especial que tinha como título “Ein Gespenst Kehrt zurük” (A volta de um espectro), enquanto os ouvintes do programa “In Our Time” da rádio 4, da BBC, votavam em Marx como o maior filósofo de todos os tempos. Em uma conversa com Jacques Attali, recentemente publicada, você disse que, paradoxalmente, “são os capitalistas, mais que outros, que estão redescobrindo Marx” e falou também de seu assombro ao ouvir da boca do homem de negócios e político liberal, George Soros, a seguinte frase: “Ando lendo Marx e há muitas coisas interessantes no que ele diz”. Ainda que seja débil e mesmo vago, quais são as razões para esse renascimento de Marx? É possível que sua obra seja considerada como de interesse só de especialistas e intelectuais, para ser apresentada em cursos universitários como um grande clássico do pensamento moderno que não deveria ser esquecido? Ou poderá surgir no futuro uma nova “demanda de Marx”, do ponto de vista político?
Eric Hobsbawm: Há um indiscutível renascimento do interesse público por Marx no mundo capitalista, com exceção, provavelmente, dos novos membros da União Européia, do leste europeu. Este renascimento foi provavelmente acelerado pelo fato de que o 150° aniversário da publicação do Manifesto Comunista coincidiu com uma crise econômica internacional particularmente dramática em um período de uma ultra-rápida globalização do livre-mercado.
Marx previu a natureza da economia mundial no início do século XXI, com base na análise da “sociedade burguesa”, cento e cinqüenta anos antes. Não é surpreendente que os capitalistas inteligentes, especialmente no setor financeiro globalizado, fiquem impressionados com Marx, já que eles são necessariamente mais conscientes que outros sobre a natureza e as instabilidades da economia capitalista na qual eles operam.
A maioria da esquerda intelectual já não sabe o que fazer com Marx. Ela foi desmoralizada pelo colapso do projeto social-democrata na maioria dos estados do Atlântico Norte, nos anos 1980, e pela conversão massiva dos governos nacionais à ideologia do livre mercado, assim como pelo colapso dos sistemas políticos e econômicos que afirmavam ser inspirados por Marx e Lênin. Os assim chamados “novos movimentos sociais”, como o feminismo, tampouco tiveram uma conexão lógica com o anti-capitalismpo (ainda que, individualmente, muitos de seus membros possam estar alinhados com ele) ou questionaram a crença no progresso sem fim do controle humano sobre a natureza que tanto o capitalismo como o socialismo tradicional compartilharam. Ao mesmo tempo, o “proletariado”, dividido e diminuído, deixou de ser crível como agente histórico da transformação social preconizada por Marx.
Devemos levar em conta também que, desde 1968, os mais proeminentes movimentos radicais preferiram a ação direta não necessariamente baseada em muitas leituras e análises teóricas. Claro, isso não significa que Marx tenha deixado de ser considerado como um grande clássico e pensador, ainda que, por razões políticas, especialmente em países como França e Itália, que já tiveram poderosos Partidos Comunistas, tenha havido uma apaixonada ofensiva intelectual contra Marx e as análises marxistas, que provavelmente atingiu seu ápice nos anos oitenta e noventa. Há sinais agora de que a água retomará seu nível.
Marcello Musto: Ao longo de sua vida, Marx foi um agudo e incansável investigador, que percebeu e analisou melhor do que ninguém em seu tempo o desenvolvimento do capitalismo em escala mundial. Ele entendeu que o nascimento de uma economia internacional globalizada era inerente ao modo capitalista de produção e previu que este processo geraria não somente o crescimento e prosperidade alardeados por políticos e teóricos liberais, mas também violentos conflitos, crises econômicas e injustiça social generalizada. Na última década, vimos a crise financeira do leste asiático, que começou no verão de 1997; a crise econômica Argentina de 1999-2002 e, sobretudo, a crise dos empréstimos hipotecários que começou nos Estados Unidos em 2006 e agora tornou-se a maior crise financeira do pós-guerra. É correto dizer, então, que o retorno do interesse pela obra de Marx está baseado na crise da sociedade capitalista e na capacidade dele ajudar a explicar as profundas contradições do mundo atual?
Eric Hobsbawm: Se a política da esquerda no futuro será inspirada uma vez mais nas análises de Marx, como ocorreu com os velhos movimentos socialistas e comunistas, isso dependerá do que vai acontecer no mundo capitalista. Isso se aplica não somente a Marx, mas à esquerda considerada como um projeto e uma ideologia política coerente. Posto que, como você diz corretamente, a recuperação do interesse por Marx está consideravelmente – eu diria, principalmente – baseado na atual crise da sociedade capitalista, a perspectiva é mais promissora do que foi nos anos noventa. A atual crise financeira mundial, que pode transformar-se em uma grande depressão econômica nos EUA, dramatiza o fracasso da teologia do livre mercado global descontrolado e obriga, inclusive o governo norte-americano, a escolher ações públicas esquecidas desde os anos trinta.
As pressões políticas já estão debilitando o compromisso dos governos neoliberais em torno de uma globalização descontrolada, ilimitada e desregulada. Em alguns casos, como a China, as vastas desigualdades e injustiças causadas por uma transição geral a uma economia de livre mercado, já coloca problemas importantes para a estabilidade social e mesmo dúvidas nos altos escalões de governo. É claro que qualquer “retorno a Marx” será essencialmente um retorno à análise de Marx sobre o capitalismo e seu lugar na evolução histórica da humanidade – incluindo, sobretudo, suas análises sobre a instabilidade central do desenvolvimento capitalista que procede por meio de crises econômicas auto-geradas com dimensões políticas e sociais. Nenhum marxista poderia acreditar que, como argumentaram os ideólogos neoliberais em 1989, o capitalismo liberal havia triunfado para sempre, que a história tinha chegado ao fim ou que qualquer sistema de relações humanas possa ser definitivo para todo o sempre.
Marcello Musto: Você não acha que, se as forças políticas e intelectuais da esquerda internacional, que se questionam sobre o que poderia ser o socialismo do século XXI, renunciarem às idéias de Marx, estarão perdendo um guia fundamental para o exame e a transformação da realidade atual?
Eric Hobsbawm: Nenhum socialista pode renunciar às idéias de Marx, na medida que sua crença em que o capitalismo deve ser sucedido por outra forma de sociedade está baseada, não na esperança ou na vontade, mas sim em uma análise séria do desenvolvimento histórico, particularmente da era capitalista. Sua previsão de que o capitalismo seria substituído por um sistema administrado ou planejado socialmente parece razoável, ainda que certamente ele tenha subestimado os elementos de mercado que sobreviveriam em algum sistema pós-capitalista.
Considerando que Marx, deliberadamente, absteve-se de especular acerca do futuro, não pode ser responsabilizado pelas formas específicas em que as economias “socialistas” foram organizadas sob o chamado “socialismo realmente existente”. Quanto aos objetivos do socialismo, Marx não foi o único pensador que queria uma sociedade sem exploração e alienação, em que os seres humanos pudessem realizar plenamente suas potencialidades, mas foi o que expressou essa idéia com maior força e suas palavras mantêm seu poder de inspiração.
No entanto, Marx não regressará como uma inspiração política para a esquerda até que se compreenda que seus escritos não devem ser tratados como programas políticos, autoritariamente ou de outra maneira, nem como descrições de uma situação real do mundo capitalista de hoje, mas sim como um caminho para entender a natureza do desenvolvimento capitalista. Tampouco podemos ou devemos esquecer que ele não conseguiu realizar uma apresentação bem planejada, coerente e completa de suas idéias, apesar das tentativas de Engels e outros de construir, a partir dos manuscritos de Marx, um volume II e III de “O Capital”. Como mostram os “Grundrisse”, aliás. Inclusive, um Capital completo teria conformado apenas uma parte do próprio plano original de Marx, talvez excessivamente ambicioso.
Por outro lado, Marx não regressará à esquerda até que a tendência atual entre os ativistas radicais de converter o anti-capitalismo em anti-globalização seja abandonada. A globalização existe e, salvo um colapso da sociedade humana, é irreversível. Marx reconheceu isso como um fato e, como um internacionalista, deu as boas vindas, teoricamente. O que ele criticou e o que nós devemos criticar é o tipo de globalização produzida pelo capitalismo.
Marcello Musto: Um dos escritos de Marx que suscitaram o maior interesse entre os novos leitores e comentadores são os “Grundrisse”. Escritos entre 1857 e 1858, os “Grundrisse” são o primeiro rascunho da crítica da economia política de Marx e, portanto, também o trabalho inicial preparatório do Capital, contendo numerosas reflexões sobre temas que Marx não desenvolveu em nenhuma outra parte de sua criação inacabada. Por que, em sua opinião, estes manuscritos da obra de Marx, continuam provocando mais debate que qualquer outro texto, apesar do fato dele tê-los escrito somente para resumir os fundamentos de sua crítica da economia política? Qual é a razão de seu persistente interesse?
Eric Hobsbawm: Desde o meu ponto de vista, os "Grundrisse" provocaram um impacto internacional tão grande na cena marxista intelectual por duas razões relacionadas. Eles permaneceram virtualmente não publicados antes dos anos cinqüenta e, como você diz, contendo uma massa de reflexões sobre assuntos que Marx não desenvolveu em nenhuma outra parte. Não fizeram parte do largamente dogmatizado corpus do marxismo ortodoxo no mundo do socialismo soviético. Mas não podiam simplesmente ser descartados. Puderam, portanto, ser usados por marxistas que queriam criticar ortodoxamente ou ampliar o alcance da análise marxista mediante o apelo a um texto que não podia ser acusado de herético ou anti-marxista. Assim, as edições dos anos setenta e oitenta, antes da queda do Muro de Berlim, seguiram provocando debate, fundamentalmente porque nestes escritos Marx coloca problemas importantes que não foram considerados no “Capital”, como por exemplo as questões assinaladas em meu prefácio ao volume de ensaios que você organizou (Karl Marx's Grundrisse. Foundations of the Critique of Political Economy 150 Years Later, editado por M. Musto, Londres-Nueva York, Routledge, 2008).
Marcello Musto: No prefácio deste livro, escrito por vários especialistas internacionais para comemorar o 150° aniversário de sua composição, você escreveu: “Talvez este seja o momento correto para retornar ao estudo dos “Grundrisse”, menos constrangidos pelas considerações temporais das políticas de esquerda entre a denúncia de Stalin, feita por Nikita Khruschev, e a queda de Mikhail Gorbachev”. Além disso, para destacar o enorme valor deste texto, você diz que os “Grundrisse” “trazem análise e compreensão, por exemplo, da tecnologia, o que leva o tratamento de Marx do capitalismo para além do século XIX, para a era de uma sociedade onde a produção não requer já mão-de-obra massiva, para a era da automatização, do potencial de tempo livre e das transformações do fenômeno da alienação sob tais circunstâncias. Este é o único texto que vai, de alguma maneira, mais além dos próprios indícios do futuro comunista apontados por Marx na “Ideologia Alemã”. Em poucas palavras, esse texto tem sido descrito corretamente como o pensamento de Marx em toda sua riqueza. Assim, qual poderia ser o resultado da releitura dos “Grundrisse” hoje?
Eric Hobsbawm: Não há, provavelmente, mais do que um punhado de editores e tradutores que tenham tido um pleno conhecimento desta grande e notoriamente difícil massa de textos. Mas uma releitura ou leitura deles hoje pode ajudar-nos a repensar Marx: a distinguir o geral na análise do capitalismo de Marx daquilo que foi específico da situação da sociedade burguesa na metade do século XIX. Não podemos prever que conclusões podem surgir desta análise. Provavelmente, somente podemos dizer que certamente não levarão a acordos unânimes.
Marcello Musto: Para terminar, uma pergunta final. Por que é importante ler Marx hoje?
Eric Hobsbawm: Para qualquer interessado nas idéias, seja um estudante universitário ou não, é patentemente claro que Marx é e permanecerá sendo uma das grandes mentes filosóficas, um dos grandes analistas econômicos do século XIX e, em sua máxima expressão, um mestre de uma prosa apaixonada. Também é importante ler Marx porque o mundo no qual vivemos hoje não pode ser entendido sem levar em conta a influência que os escritos deste homem tiveram sobre o século XX. E, finalmente, deveria ser lido porque, como ele mesmo escreveu, o mundo não pode ser transformado de maneira efetiva se não for entendido. Marx permanece sendo um soberbo pensador para a compreensão do mundo e dos problemas que devemos enfrentar.
fonte Da Agência Carta Maior
sexta-feira, outubro 17, 2008
No hay peor ciego
Banqueros de Asia y gobernantes europeos expresan sin tapujos que los males de la economía mundial provienen del desenfreno de los grandes de las finanzas, en particular de Estados Unidos. Ha pasado, expresan, la época del laissez-faire (dejad hacer). Es hora de que el Estado no sólo ponga dinero, sino que regule también.
Nicolas Sarkozy, presidente de Francia, ha abreviado una negociación en Canadá para conversar con George W. Bush sobre la catástrofe. Como se sabe, el mandatario francés ha planteado que el tiempo del mercado libre ha periclitado, no sirve ya a la economía mundial.
Asia, encabezada por China, se incorpora al estado de alarma. Los días 24 y 25 de este mes se reunirán en Beijing en la cumbre de la ASEM (Reunión Asia-Europa) para examinar la crisis y buscar salidas. En la cita estarán los jefes de Estados de los 27 países de la Unión Europea y 18 primeros mandatarios asiáticos. No estarán presentes asesores ni secretarios (se busca secreto).
El momento es, pues, sumamente grave. No es que el capitalismo se venga abajo de inmediato. Lo que se viene es recesión en cadena, desempleo, pobreza mayor, intervención estatal en la economía. Y, desde luego, radicalización política. Se fortalecerán las izquierdas y sus demandas de reformas profundas; pero (¡cuidado!) la derecha extrema puede lanzarse a la demagogia, el racismo, el ataque a los inmigrantes, el recorte de las conquistas sociales, las guerras y la represión brutal.
Francis Fukuyama, el hombre que supuso que había llegado el fin de la historia y la victoria definitiva del capitalismo, publica esta semana en Newsweek un extenso ensayo de título elocuente: The fall of America, Inc, (La caída de Estados Unidos Corporatión).
El texto lleva este epígrafe: “Junto con las más historiadas firmas de Wall Street, ha colapsado cierta visión del capitalismo”.
Señala Fukuyama que la “revolución” conservadora de Ronald Reagan se extravió porque muchos de sus seguidores la convirtieron en una ideología irrecusable. “Dos conceptos”, dice, “eran sacrosantos: que los recortes de impuestos se autofinanciarían y que los mercados financieros se autorregularían”.
Bush, igual que sus acólitos criollos, persistió en ese delirio reaccionario. Los resultados están a la vista: quiebra contagiosa, pánico general.
Pero nuestros mandones no se inquietan. Al borde del abismo, no hay peor ciego que el que no quiere ver.
fuente(editorial cesar levano)
quarta-feira, outubro 15, 2008
O rentável negócio da droga nos EUA
Ópio, cocaína, maconha e anfetaminas mobilizam mundialmente, cada ano, um orçamento que pode dobrar o de um país petroleiro como Venezuela. Devidamente lavados e levados a honoráveis bolsas de comércio, os lucros anuais do narcotráfico chegam a representar, em ações perfeitamente legais, mais de 3 trilhões de dólares: uma cifra que torna ridícula a pretendida idéia de que é este um negócio manejado por capos terceiro-mundistas que se escondem em algum bunker da Colômbia ou do Afeganistão.
Um camponês boliviano – ponhamos Julio Quispe, para inventar um nome – que evada o monopólio estatal da coca, receberá 1.375 dólares pelos 275 quilos de folhas necessárias para produzir um quilo de pasta ou base de cocaína. Um narcocolombiano – digamos, Álvaro Jaramillo – poderá processar esse quilo de pasta e vendê-la a qualquer congênere por uns 5 mil dólares, ou transformá-la em cloridrato e revendê-la em Cartagena ou Bogotá por 15 mil dólares. No Harlem, ou na Broadway, ou em Harvard, um Tom Smith ou Jimmy Johnson qualquer poderá optar entre oferecer o pó puro, a uns 30 mil dólares o quilo, ou adulterá-lo até obter, por cada grama de pedra ou craque, entre 40 e 80 dólares. Os 1.375 dólares de Julio Quispe são, agora, em média, 60 mil.
Um negócio simples, dir-se-á: não requer mais do que umas folhas que crescem quase silvestres, algo de querosene, um pouco de ácido sulfúrico e acetona, um narcomula ou uma propina ou um disfarce talvez. E, claro, um tanto de má consciência e outro de ousadia para deslocar de um lugar a outro esses mil gramas.
Mas não é um quilo: são 992 mil, pois essa foi, segundo o Escritório das Nações Unidas para as Drogas e o Crime (UNODC, na sua sigla em inglês), a produção mundial de cocaína em um ano tão qualquer como 2007. E não é só coca: também há, igualmente lucrativos ou mais, 8,87 milhões de quilos de ópio. E 41,4 milhões de quilos de maconha. E 494 mil de anfetaminas várias. E pare você de contar alucinógenos e outras espécies.
Falamos, então, de mobilizar por todo o mundo, desde as selvas mais apartadas até os colégios e universidades e bares e escritórios de qualquer cidadezinha primeiro-mundista, algo mais de 50 milhões de quilos de substâncias ilícitas, que são objeto de perseguição feroz e de guerra à morte. Falamos, ademais, de mover também pelo mundo inteiro outra coisa ainda muito mais difícil de fazer passar inadvertida: os 500 bilhões de dólares que, como mínimo, no dizer dos especialistas (da ONU, do Fundo Monetário Internacional, da Drug Enforcement Administration ou DEA), essas substâncias dão de lucro anual. Em preços de 2006.
Isso é o narcotráfico. E é apenas o começo.
Coisas que podes saber só de olhá-las
No começo da longa cadeia do narcotráfico, nem tudo são elos perdidos: conhece-se perfeitamente os grandes centros de produção. E as grandes rotas de distribuição também.
Com 193 mil hectares semeados de dormideira, o Afeganistão concentra 92% da produção mundial de ópio. Pura, ou transformada em morfina ou heroína, a droga afegã flui para a Europa através do Paquistão, das ex-repúblicas soviéticas do Turcomenistão e do Uzbequistão, do longo corredor curdo, da Geórgia, da Chechênia, dos Balcãs. De longe, Miamar compete com seus 27 mil hectares de papoula.
A Colômbia é dona de 55% do cultivo mundial de folhas de coca: 99 mil hectares. Seguem-lhe Peru, com cerca da metade disso, e Bolívia, com 28.900 hectares quase inteiramente dedicados ao processamento e comércio legal. O cloridrato de cocaína tem por destino principal os Estados Unidos. Sobe pelo Pacífico, via Panamá, ou pelo Caribe colombiano, ou atravessa a Venezuela para fazer escala nas Antilhas. Outra parte, menor, cruza o Atlântico e toca a África antes de entrar na Europa.
A Ásia oriental e tecnologizada representa 55% do mercado mundial de anfetaminas (êxtases e outros estimulantes), e se encarrega por si mesma de produzir e consumir seus tabletes. O mesmo o fazem seus outros dois grandes competidores: a culta Europa e os Estados Unidos da implacável DEA.
Desses mesmos super vigiados prédios da DEA no território estadunidense, sabe-se com certeza que os Estados Unidos ficam com a maior porção do bolo no mercado mundial de produção e consumo de maconha, graças às técnicas de cultivo hidropônico em interiores e inclusive em subsolos. Ainda que mais democrático em sua irrigação pelo globo, a cannabis se semeia em 172 países, a América concentra 55% da produção e tem em seu lado Norte uma das mais altas taxas de prevalência mundial: 10,5% dos norte-americanos entre 15 e 64 anos são consumidores. Na Europa, com três milhões de viciados (consumo diário), essa erva encabeça as estatísticas do Observatório Europeu das Drogas e Toxicomanias.
Com apenas esses poucos dados, algumas coisas começam já a chamar a atenção no obscuro mundo do narcotráfico. Coisas, digamos, que não parecem ser casuais.
Por exemplo, que Afeganistão, o quase monopólico centro mundial de produção de opiáceos, esteja literalmente cruzado de tropas invasoras, mísseis, tanques e mortos, e, no entanto...
Que do Paquistão e até das ex-repúblicas soviéticas do sul, amistosamente ocidentais, não se fale. Que Geórgia e Chechênia, o corredor curdo (Irã, Iraque, Turquia), e a porta de fundos da Europa (Albânia, os Balcâs) sejam tão cruamente cenário de guerras, de intervenções, de vigilância extrema pela mal chamada comunidade internacional, e, no entanto...
Que Miamar esteja na lista dos Estados falidos, e, no entanto...
Que a Colômbia acumule nove anos de Plano Colômbia, de balas, de deslocados e de mortes outra vez, e, no entanto...
Que o Caribe seja tão decididamente mare nostrum dos gringos, tão sulcado de patrulhas, e de satélites, e, no entanto...
Ou, por exemplo, que a maconha, por longo tempo a rubrica de maior peso no narcotráfico mundial (80%), em termos de tonelagem, a que mais alarmes de consumo acende nos países altamente desenvolvidos, e a que ali mesmo se produz, assim como as anfetaminas, seja justamente a droga menos perseguida.
Mas, claro: ninguém se imagina um Plano Holanda, um bombardeio incendiário de laboratórios semeados em Borgonha, uma invasão aliada contra Londres, umas autodefesas que desloquem e aniquilem as populações do Harlem ou do Queens. Ainda que sejam negros, ainda que sejam boricuas [porto-riquenho cuja família reside em Porto Rico há várias gerações]. Ali, o narcotráfico serve para outra coisa.
Peões, capatazes, laranjas
Um simples cálculo matemático estabelece que se as 50 mil toneladas de produção mundial de drogas se transportassem em contêineres de uso corrente, se necessitariam 1.250 gôndolas para carregá-los. Outros, mais ociosamente, calcularam que os lucros respectivos, empilhados em cédulas de cem dólares uma sobre a outra, formariam uma torre de mil metros de altura: quatro torres do Parque Central de Caracas, uma em cima da outra.
Não é fácil esconder um frete assim. Segundo diversos informes internacionais, os orçamentos do combate mundial contra o narcotráfico equivalem quase ao mesmo valor gerado pelo comércio de drogas (colombiadrogas.wordpress.com). Só o Plano Colômbia, no momento de sua aprovação por Bill Clinton, contemplou para esse fim um montante de 1,3 trilhões de dólares. Um total de 87 escritórios da DEA se repartem em 63 países, além dos 227 existentes em território estadunidense, para recordar ao mundo que essa luta é exigência da maior das potências econômicas, militares e policiais.
E, no entanto: durante todo 2007, esse mesmo DEA teve que jactar-se como logro maior uma apreensão de 19.434 quilos de cocaína num barco de bandeira panamenha: 1,9% da produção mundial.
Os supostos grandes capos da droga que terminam presos ou mortos guardam proporção com essas últimas cifras. Carlos Lehder, co-fundador do Cartel de Medellín, era, ao ser capturado dono de dois hotéis, dois aviões, sete fazendas em Quindío e outros departamentos, lanchas e ao menos 1,8 milhões de dólares aplicados (www.pabloescobargaviria.info/index). Ao ultra-famoso e finado Pablo Escobar Gaviria, se lhe atribuiu uma fortuna (nunca auditada, jamais comprovada) de entre 5 e 10 bilhões de dólares: 1% ou 2% do que produz “o negócio” em 12 meses apenas.
Esses grandes czares nunca foram mais que pequenos intermediários. Hoje, quando já não estão, quando já não é possível ser a um mesmo tempo capataz de fazenda produtora e presidente de um banco ou uma universidade, seus sucessores são milhares e milhares de peões que só se alçam um escalão ou dois por sobre essa raia miúda do narcotráfico do tal Jaramillo ou Tom Smith ou Jimmy Johnson.
Disse uma vez o ex-presidente venezuelano Carlos Andrés Pérez, conhecedor de ofício: “Há duas coisas impossíveis de ocultar: a tosse e a riqueza”.
A grande lavadora
Como se faz para esconder quatro torres do Parque Central feitas de cédulas de cem dólares? Como se apaga um orçamento que é quase o dobro do de um país que flutua em petróleo como a Venezuela? Como podem passar despercebidos 500 bilhões de dólares por ano?
Porque, obviamente, a finalidade do narcotráfico não consiste em enterrar pacotes sob o piso.
Antes de chegar ao extremo superior da cadeia, o negócio das drogas tem, como é sabido, um elo fundamental na lavagem de dinheiro. De cumprir essa função nos níveis dos laranjas e intermediários, se encarregam sistemas artesanais: desde o individuo que abre 10 ou 20 contas em outros tantos bancos até esses centros de diversões que repentinamente, sem motivo aparente, se põem na moda e se enchem de luxuosos edifícios e centros comerciais que logo ficam abandonados ou nunca se concluem.
Não obstante, como toda grande indústria num mundo de extremo capitalismo e livre mercado, também esta é altamente concentradora e monopolizada. Quem tenha, pois, um modesto 10% desse bolo, deverá lavar, cada ano, 50 bilhões de dólares. Vale dizer, a mesma cifra que, desde o ano 2000, A ONU vem pedindo reunir, inutilmente, para poder cumprir seu grande Objetivo do Milênio: a redução da pobreza.
Para dissolver problemas desse tipo, o branqueamento de dinheiro sujo de qualquer espécie, o sistema financeiro internacional permite e apadrinha um não-sistema: um espaço de extraterritorialidade alheio a todas as leis nacionais, superintendências bancárias, regulações, convênios internacionais: alheio a tudo quanto não seja o dinheiro e sua intrínseca tendência ao lucro e à acumulação.
Esse espaço é o dos assim chamados paraísos fiscais e os bancos offshore, cujas interioridades foram exaustivamente reveladas pelo jornalista e escritor argentino Julio Sevares, em estudo intitulado “O dinheiro sujo, sangue do sistema econômico e o poder”.
No ano de 2004, existiam no mundo 72 desses paraísos, nos quais funcionavam um milhão de sociedades amparadas pelo anonimato: empresas virtuais ou reais que nada nem ninguém obriga a apresentar balancetes, estabelecer sua composição acionária ou, inclusive, ter capital algum. Não obstante, a elas se somavam mais de 4 mil bancos offshore com depósitos conjuntos que superavam os cinco bilhões de dólares.
Paraísos fiscais célebres são os das Bahamas e das Ilhas Caymann, no Caribe, mas os há por todo o mundo: funcionam profusamente no centro de Londres, em Mônaco, em Tóquio, no diminuto estado de Delaware, a poucos minutos de Nova York e de Wall Street. E os há inclusive em lugares tão curiosos como o Principado de Sealand, que funciona em uma antiga plataforma petroleira do Mar do Norte, ou o Domínio de Melchizedek, situado sobre um desértico atol vizinho às Ilhas Marshal, qu, através da página web www.Melchizedek.com, oferece cidadania, passaporte e facilidades para toda classe de negócios. Sem um único edifício à vista, tem, em seus bancos, 25 bilhões de dólares.
No livro “Capitalismo criminal: ensaios críticos” (Bogotá: Universidade Nacional da Colômbia, 2008), Tom Blickman precisa a magnitude e o modus operandi dessas eficientes lavadoras: A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE), que agrupa os 30 países mais ricos do mundo, estima que o volume do comércio mundial que passa pelos paraísos fiscais de maneira documentada cresceu, desde começos dos anos 1970 até 2004, cerca de 50%, pese a que esses lugares representam apenas 3% do produto bruto mundial. Essa extraordinária discrepância é uma indicação do grau em que a maioria das principais corporações aproveitam a mobilidade transnacional de seus capitais para lavar seus lucros através de paraísos fiscais e regimes de impostos baixos.
E acrescenta em seguida: Ditas corporações utilizam uma variedade de mecanismos, como a re-fatura e os preços de transferência bens comercializados entre companhias com um dono comum a preços arbitrários, independentes do mercado, e que permitem baixar impostos declarando custos altos e preços de venta baixos nos lugares de maior tributação dos lucros, ou como as transações realizadas para companhias de papel e para fundos fiduciários secretos extraterritoriais. Meios tais como as contas fiduciárias móveis, que se trasladam automaticamente a outra jurisdição quanto se realizam averiguações ou solicitações de assistência mútua judicial, facilitam claramente o delito.
Como a imensa maioria das empresas assentadas em tais territórios, boa parte dos bancos offshore não mostrarão nunca ao cliente nem escritórios nem empregados: são, na realidade, instituições virtuais, conhecidas na gíria como co-responsáveis, que, para funcionar, só requerem de uma conta aberta em uma instituição bancária fisicamente estabelecida nesse ou outro paraíso. Se ainda maior segurança no apagamento de toda pista que vincule depositário e depósito é requerida e necessária, recorre-se ao nesting ou ennidado: uma conta em um banco que, por sua vez, tenha conta em outro banco que tenha conta em um offshore.
Quem tenha dúvidas imerecidas, há que se dizer sobre a seriedade desse sistema bancário virtual. Pode, assim, perfeitamente depositar sua confiança no respaldo que lhe proporcionam principalíssimos bancos da Suíça, da Inglaterra, da Alemanha, do Japão, dos Estados Unidos e muitos mais.
Julio Sevares recolhe informação da revista The Economist, em sua edição de 14 de abril de 2001, que permite em tal sentido dissipar as apreensões do mais desconfiado dos narcotraficantes: Três quartos dos grandes bancos investigados pelo Senado estadunidense têm, cada um, mais de mil contas de bancos co-responsáveis. Os dois maiores bancos da lista, que não são estadunidenses, têm 12 mil e 7.500 contas cada um. Em meados de 1999, os cinco principais bancos estadunidenses com contas de co-responsáveis tinham 17 bilhões de dólares nessas contas. Os 75 maiores bancos tinham depositados nelas 35 bilhões de dólares.
Esse é o não-sistema. Num informe de 1999 (Mercados internacionais de capital), o Fundo Monetário Internacional (FMI) citava Alan Greenspan, então presidente do Federal Reserve (Banco Central dos EUA): Nós não entendemos completamente a dinâmica do novo sistema.
Mas não interessa entendê-lo. Funciona. E como lava!
O último elo da cadeia
Se nunca houve nem haverá um Plano Holanda, tampouco se pensou jamais numa mera Operação Melchizedek. Ao final da longa cadeia do narcotráfico não há batidas, nem invasões, nem repressões, nem fotos de frente e perfil com número embaixo. Óbvio.
Quem queira, pois, nomes e rostos, deverá levar em conta o bom olfato ou a má língua dos jornalistas. Ou confiar em sua própria perspicácia.
Recordar, por exemplo, que Lucio Gelli, grande capo da Loja P-2, teve por sócio principal o Banco Ambrosiano do Vaticano, lá pelos anos 1970.
Que no escândalo do Bank of Credit and Commerce International (BBCI), sétima instituição bancária no ranking mundial, saíram à luz, em 1991, assuntos tais como financiamento do terrorismo e lavagem de dinheiro, contas pessoais de Manuel Noriega, Saddam Hussein, Ferdinando Marcos, e depósitos da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), do serviço secreto israelense (Mossad) e dos “contra” nicaragüense. E que, com o banco, veio abaixo a gigantesca transnacional de auditorias (auditorias!) Price Waterhouse. E que, nos julgamentos subseqüentes, do lado da defesa de um dos grandes sócios do BBCI, interveio certo escritório entre cujos advogados estava certa Hillary Rodham, mais tarde conhecida, apesar da Lewinsky, como Hillary Clinton.
Que o seríssimo Citibank deixou de sê-lo pelas contínuas investigações e denúncias que o vincularam à prática da lavagem, com diretas referências a regimes altamente corruptos como o do mexicano Carlos Salinas de Gortari, o do peruano Alberto Fujimori e o do filipino Joseph Estrada. Não casualmente, chefes de Estado em países produtores de drogas.
Que, no caso do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, foi descoberto, em seu vasto conglomerado midiático, uma contabilidade paralela para 64 empresas fantasmas: espécie de super-lavadora para uso pessoal.
Que, enfim, a KBR, gigantesca transnacional da engenharia e da construção, fechou, nesses últimos anos, bilionários contratos em todos esses grandes centros de produção de drogas aqui citados, e nos corredores que vão do Paquistão à Bósnia e da Colômbia ao México. E que sócios-chaves dessa empresa são a família Bush e seu segundo na cadeia de comando, o vice-presidente Dick Cheney.
Por que ou para quê?
Não tem então muito sentido perguntar-se por que os governos que regem o destino do planeta dedicam tanta energia ao tema do narcotráfico e não apontam suas armas contra os quartéis generais dessa indústria. Caberia mais perguntar-se o porquê de botarem tão aparentemente o mundo em pé de guerra contra ele.
Catherine Austin Fitts, uma ex-funcionária do governo de Bush pai, e atualmente diretora de um fundo de inversões em Wall Street, aponta um motivo que ajuda a compreender as razões dessa suposta contradição: cada dólar que se aponta na linha de lucros de uma transnacional como General Motors, Toyota, British Petroleum, por exemplo, representa, automaticamente, por essa estranha lógica do livre mercado, um incremento de seis dólares no valor de suas ações.
Não é pouca coisa, se multiplicamos por seis os 500 bilhões do narcotráfico. Cedidos em empréstimo a juros baixos, ou inclusive em troca simples por ações, são 3 trilhões de dólares. Perfeitamente legais, cambiáveis, usáveis. Em mútuo benefício. Um montante que não convém deixar ao alcance de potenciais competidores.
Disse o renomado jornalista francês Christian de Brie: O abandono das soberanias nacionais e a mundialização liberal que permite aos capitais circular sem controle de um lado a outro do planeta possibilitaram o crescimento explosivo de um mercado financeiro fora da lei, motor da expansão capitalista lubrificado pelos lucros do grande crime (Crime, a maior empresa livre do mundo, em mondediplo.com).
Assim, enquanto os lucros do narcotráfico faz as vezes de motor do seleto grupo de empresas que realmente domina o planeta, e enquanto as guerras lhes permitem apoderar-se para esse ou outros negócios de países inteiros, a raia miúda da droga serve de carne de canhão.
Lá longe, Julio Quispe, Alvaro Jaramillo, Tom Smith ou Jimmy Johnson contam felizes seus parcos lucros, sem saber que são ao mesmo tempo vítimas e propulsores necessaríssimos do neoliberalismo selvagem. Uma droga como qualquer outra.
fonte (brasil de fato)
segunda-feira, outubro 13, 2008
O império do consumo - questões ideológicas
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| Autores latino-americanos - Uruguai |
| Qui, 14 de Agosto de 2008 14:37 |
| Da Agência Carta maior (publicado originalmente em 13 de julho de 2008) Eduardo Galeano A explosão do consumo no mundo atual faz mais barulho do que todas as guerras e mais algazarra do que todos os carnavais. Como diz um velho provérbio turco, aquele que bebe a conta, fica bêbado em dobro. A gandaia aturde e anuvia o olhar; esta grande bebedeira universal parece não ter limites no tempo nem no espaço. Mas a cultura de consumo faz muito barulho, assim como o tambor, porque está vazia; e na hora da verdade, quando o estrondo cessa e acaba a festa, o bêbado acorda, sozinho, acompanhado pela sua sombra e pelos pratos quebrados que deve pagar. A expansão da demanda se choca com as fronteiras impostas pelo mesmo sistema que a gera. O sistema precisa de mercados cada vez mais abertos e mais amplos tanto quanto os pulmões precisam de ar e, ao mesmo tempo, requer que estejam no chão, como estão, os preços das matérias primas e da força de trabalho humana. O sistema fala em nome de todos, dirige a todos suas imperiosas ordens de consumo, entre todos espalha a febre compradora; mas não tem jeito: para quase todo o mundo esta aventura começa e termina na telinha da TV. A maioria, que contrai dívidas para ter coisas, termina tendo apenas dívidas para pagar suas dívidas que geram novas dívidas, e acaba consumindo fantasias que, às vezes, materializa cometendo delitos. O direito ao desperdício, privilégio de poucos, afirma ser a liberdade de todos. Dize-me quanto consomes e te direi quanto vales. Esta civilização não deixa as flores dormirem, nem as galinhas, nem as pessoas. Nas estufas, as flores estão expostas à luz contínua, para fazer com que cresçam mais rapidamente. Nas fábricas de ovos, a noite também está proibida para as galinhas. E as pessoas estão condenadas à insônia, pela ansiedade de comprar e pela angústia de pagar. Este modo de vida não é muito bom para as pessoas, mas é muito bom para a indústria farmacêutica. Os EUA consomem metade dos calmantes, ansiolíticos e demais drogas químicas que são vendidas legalmente no mundo; e mais da metade das drogas proibidas que são vendidas ilegalmente, o que não é uma coisinha à-toa quando se leva em conta que os EUA contam com apenas cinco por cento da população mundial. «Gente infeliz, essa que vive se comparando», lamenta uma mulher no bairro de Buceo, em Montevidéu. A dor de já não ser, que outrora cantava o tango, deu lugar à vergonha de não ter. Um homem pobre é um pobre homem. «Quando não tens nada, pensas que não vales nada», diz um rapaz no bairro Villa Fiorito, em Buenos Aires. E outro confirma, na cidade dominicana de San Francisco de Macorís: «Meus irmãos trabalham para as marcas. Vivem comprando etiquetas, e vivem suando feito loucos para pagar as prestações». Invisível violência do mercado: a diversidade é inimiga da rentabilidade, e a uniformidade é que manda. A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todas partes suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora do que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar. O consumidor exemplar é o homem quieto. Esta civilização, que confunde quantidade com qualidade, confunde gordura com boa alimentação. Segundo a revista científica The Lancet, na última década a «obesidade mórbida» aumentou quase 30% entre a população jovem dos países mais desenvolvidos. Entre as crianças norte-americanas, a obesidade aumentou 40% nos últimos dezesseis anos, segundo pesquisa recente do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Colorado. O país que inventou as comidas e bebidas light, os diet food e os alimentos fat free, tem a maior quantidade de gordos do mundo. O consumidor exemplar desce do carro só para trabalhar e para assistir televisão. Sentado na frente da telinha, passa quatro horas por dia devorando comida plástica. Vence o lixo fantasiado de comida: essa indústria está conquistando os paladares do mundo e está demolindo as tradições da cozinha local. Os costumes do bom comer, que vêm de longe, contam, em alguns países, milhares de anos de refinamento e diversidade e constituem um patrimônio coletivo que, de algum modo, está nos fogões de todos e não apenas na mesa dos ricos. Essas tradições, esses sinais de identidade cultural, essas festas da vida, estão sendo esmagadas, de modo fulminante, pela imposição do saber químico e único: a globalização do hambúrguer, a ditadura do fast food. A plastificação da comida em escala mundial, obra do McDonald´s, do Burger King e de outras fábricas, viola com sucesso o direito à autodeterminação da cozinha: direito sagrado, porque na boca a alma tem uma das suas portas. A Copa do Mundo de futebol de 1998 confirmou para nós, entre outras coisas, que o cartão MasterCard tonifica os músculos, que a Coca-Cola proporciona eterna juventude e que o cardápio do McDonald´s não pode faltar na barriga de um bom atleta. O imenso exército do McDonald´s dispara hambúrgueres nas bocas das crianças e dos adultos no planeta inteiro. O duplo arco dessa M serviu como estandarte, durante a recente conquista dos países do Leste Europeu. As filas na frente do McDonald´s de Moscou, inaugurado em 1990 com bandas e fanfarras, simbolizaram a vitória do Ocidente com tanta eloqüência quanto a queda do Muro de Berlim. Um sinal dos tempos: essa empresa, que encarna as virtudes do mundo livre, nega aos seus empregados a liberdade de filiar-se a qualquer sindicato. O McDonald´s viola, assim, um direito legalmente consagrado nos muitos países onde opera. Em 1997, alguns trabalhadores, membros disso que a empresa chama de Macfamília, tentaram sindicalizar-se em um restaurante de Montreal, no Canadá: o restaurante fechou. Mas, em 98, outros empregados do McDonald´s, em uma pequena cidade próxima a Vancouver, conseguiram essa conquista, digna do Guinness. As massas consumidoras recebem ordens em um idioma universal: a publicidade conseguiu aquilo que o esperanto quis e não pôde. Qualquer um entende, em qualquer lugar, as mensagens que a televisão transmite. No último quarto de século, os gastos em propaganda dobraram no mundo todo. Graças a isso, as crianças pobres bebem cada vez mais Coca-Cola e cada vez menos leite e o tempo de lazer vai se tornando tempo de consumo obrigatório. Tempo livre, tempo prisioneiro: as casas muito pobres não têm cama, mas têm televisão, e a televisão está com a palavra. Comprado em prestações, esse animalzinho é uma prova da vocação democrática do progresso: não escuta ninguém, mas fala para todos. Pobres e ricos conhecem, assim, as qualidades dos automóveis do último modelo, e pobres e ricos ficam sabendo das vantajosas taxas de juros que tal ou qual banco oferece. Os especialistas sabem transformar as mercadorias em mágicos conjuntos contra a solidão. As coisas possuem atributos humanos: acariciam, fazem companhia, compreendem, ajudam, o perfume te beija e o carro é o amigo que nunca falha. A cultura do consumo fez da solidão o mais lucrativo dos mercados. Os buracos no peito são preenchidos enchendo-os de coisas, ou sonhando com fazer isso. E as coisas não só podem abraçar: elas também podem ser símbolos de ascensão social, salvo-condutos para atravessar as alfândegas da sociedade de classes, chaves que abrem as portas proibidas. Quanto mais exclusivas, melhor: as coisas escolhem você e salvam você do anonimato das multidões. A publicidade não informa sobre o produto que vende, ou faz isso muito raramente. Isso é o que menos importa. Sua função primordial consiste em compensar frustrações e alimentar fantasias. Comprando este creme de barbear, você quer se transformar em quem? O criminologista Anthony Platt observou que os delitos das ruas não são fruto somente da extrema pobreza. Também são fruto da ética individualista. A obsessão social pelo sucesso, diz Platt, incide decisivamente sobre a apropriação ilegal das coisas. Eu sempre ouvi dizer que o dinheiro não trás felicidade; mas qualquer pobre que assista televisão tem motivos de sobra para acreditar que o dinheiro trás algo tão parecido que a diferença é assunto para especialistas. Segundo o historiador Eric Hobsbawm, o século XX marcou o fim de sete mil anos de vida humana centrada na agricultura, desde que apareceram os primeiros cultivos, no final do paleolítico. A população mundial torna-se urbana, os camponeses tornam-se cidadãos. Na América Latina temos campos sem ninguém e enormes formigueiros urbanos: as maiores cidades do mundo, e as mais injustas. Expulsos pela agricultura moderna de exportação e pela erosão das suas terras, os camponeses invadem os subúrbios. Eles acreditam que Deus está em todas partes, mas por experiência própria sabem que atende nos grandes centros urbanos. As cidades prometem trabalho, prosperidade, um futuro para os filhos. Nos campos, os esperadores olham a vida passar, e morrem bocejando; nas cidades, a vida acontece e chama. Amontoados em cortiços, a primeira coisa que os recém chegados descobrem é que o trabalho falta e os braços sobram, que nada é de graça e que os artigos de luxo mais caros são o ar e o silêncio. Enquanto o século XIV nascia, o padre Giordano da Rivalto pronunciou, em Florença, um elogio das cidades. Disse que as cidades cresciam «porque as pessoas sentem gosto em juntar-se». Juntar-se, encontrar-se. Mas, quem encontra com quem? A esperança encontra-se com a realidade? O desejo, encontra-se com o mundo? E as pessoas, encontram-se com as pessoas?Se as relações humanas foram reduzidas a relações entre coisas, quanta gente encontra-se com as coisas? O mundo inteiro tende a transformar-se em uma grande tela de televisão, na qual as coisas se olham mas não se tocam. As mercadorias em oferta invadem e privatizam os espaços públicos. Os terminais de ônibus e as estações de trens, que até pouco tempo atrás eram espaços de encontro entre pessoas, estão se transformando, agora, em espaços de exibição comercial. O shopping center, o centro comercial, vitrine de todas as vitrines, impõe sua presença esmagadora. As multidões concorrem, em peregrinação, a esse templo maior das missas do consumo. A maioria dos devotos contempla, em êxtase, as coisas que seus bolsos não podem pagar, enquanto a minoria compradora é submetida ao bombardeio da oferta incessante e extenuante. A multidão, que sobe e desce pelas escadas mecânicas, viaja pelo mundo: os manequins vestem como em Milão ou Paris e as máquinas soam como em Chicago; e para ver e ouvir não é preciso pagar passagem. Os turistas vindos das cidades do interior, ou das cidades que ainda não mereceram estas benesses da felicidade moderna, posam para a foto, aos pés das marcas internacionais mais famosas, tal e como antes posavam aos pés da estátua do prócer na praça. Beatriz Solano observou que os habitantes dos bairros suburbanos vão ao center, ao shopping center, como antes iam até o centro. O tradicional passeio do fim-de-semana até o centro da cidade tende a ser substituído pela excursão até esses centros urbanos. De banho tomado, arrumados e penteados, vestidos com suas melhores galas, os visitantes vêm para uma festa à qual não foram convidados, mas podem olhar tudo. Famílias inteiras empreendem a viagem na cápsula espacial que percorre o universo do consumo, onde a estética do mercado desenhou uma paisagem alucinante de modelos, marcas e etiquetas. A cultura do consumo, cultura do efêmero, condena tudo à descartabilidade midiática. Tudo muda no ritmo vertiginoso da moda, colocada à serviço da necessidade de vender. As coisas envelhecem num piscar de olhos, para serem substituídas por outras coisas de vida fugaz. Hoje, quando o único que permanece é a insegurança, as mercadorias, fabricadas para não durar, são tão voláteis quanto o capital que as financia e o trabalho que as gera. O dinheiro voa na velocidade da luz: ontem estava lá, hoje está aqui, amanhã quem sabe onde, e todo trabalhador é um desempregado em potencial. Paradoxalmente, os shoppings centers, reinos da fugacidade, oferecem a mais bem-sucedida ilusão de segurança. Eles resistem fora do tempo, sem idade e sem raiz, sem noite e sem dia e sem memória, e existem fora do espaço, além das turbulências da perigosa realidade do mundo. Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efêmera, que se esgota assim como se esgotam, pouco depois de nascer, as imagens disparadas pela metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem pausa, no mercado. Mas, para qual outro mundo vamos nos mudar? Estamos todos obrigados a acreditar na historinha de que Deus vendeu o planeta para umas poucas empresas porque, estando de mau humor, decidiu privatizar o universo? A sociedade de consumo é uma armadilha para pegar bobos. Aqueles que comandam o jogo fazem de conta que não sabem disso, mas qualquer um que tenha olhos na cara pode ver que a grande maioria das pessoas consome pouco, pouquinho e nada, necessariamente, para garantir a existência da pouca natureza que nos resta. A injustiça social não é um erro por corrigir, nem um defeito por superar: é uma necessidade essencial. Não existe natureza capaz de alimentar um shopping center do tamanho do planeta. Tradução: Verso Tradutores Fonte: Agência Carta Maior |
quarta-feira, setembro 24, 2008
jaque mate al capitalismo
Pero todos sabemos, y ellos también que lo que realmente mueve al capitalismo es en afan extremo del lucro con el menor esfuerzo. Para esto inventaron la bolsa de valores, la especulación, el trafico de influencias, la manipulación de información muchas veces confidencial. Trabajando en las sombras con espías electrónicos y servicios secretos para vender y comprar acciones e información economica de individuos de instituciones financieras y de gobiernos en el mundo. Gran parte de los salarios millonarios de los "grandes"ejecutivos esta basado en ese trabajo sucio, pueril. Y ellos crian que el sistema capitalista nunca iba roer bajo sus escombros.
Pues su hora llegó. Pero en ves de se auto-criticar, en ves de reconocer que el capitalismo es flaco y perverso, salieron corriendo parapedir salvación de parte del gobierno norteamericano. Donde está la invencibilidad del capitalismo?, es decir, cuando se trata de lucrar, el estado esta sobrando, que no se meta en la enconomia mundial; cuando de trata de perder, salen corriendo cual condenados pidiendo dinero al usuario, al consumidor!!!, pues el dinero que tiene el estado en cualquier parte de gobiernos mundiales es nada mas que el dinero del contribuyente.
para peorar, el equino orejudo de bush, en su ultimo discurso de la ONU no dijo absolutamente nada, supongo que fué porque tenia vergüenza de reconocer ante los ojos del mundo
que el sistema capitalismo es pésimo, es salvaje, no es duradero y tiene fallas de concepcion. Es por eso que tentó distraer al mundo hablando de un asunto que en principio es el hijo putativo del sistema de dominación mundial : imperialismo basado en el capitalismo.
Esto nos refuerza la idea que otro mundo, otro sistema es posible y necesario, donde exita respeto a las soberania de todos los paises, independientemente de tu extension territorial, de su numero de habitantes o su poderio economico. otro camino es posible, donde la naturaleza sea respetada, donde el hombre sea hermano del hombre y que prime los intereses de grandes mayorias!.
segunda-feira, junho 23, 2008
terça-feira, maio 13, 2008

ei aqui a razão da existencia e aprofundamento da diferenças de classes sociais.
porque ser dono das maquinas da direito a nao trabalhar e ganhar mais?
terça-feira, janeiro 15, 2008
Las relaciones de producción capitalistas
El cuento preferido por los economistas que celebran el capitalismo es que la competencia y los mercados aseguran que los capitalistas satisfagan las necesidades del pueblo, no por humanidad y benevolencia, sino (como lo expresó Adam Smith) «por su propio interés». Al competir en el mercado con otros capitalistas se ven impulsados (como espoleados por una mano invisible) a servir al pueblo. Sin embargo, para Marx, esta visión de la competencia y del mercado oscurece aquello que precisamente distingue al capitalismo de otras economías de mercado: sus relaciones de producción específicas. Las relaciones de producción capitalistas se caracterizan por dos ámbitos básicos: el ámbito capitalista y el ámbito de los obreros. Por un lado existen capitalistas-dueños de la riqueza, dueños de los medios físicos y materiales de producción. Y su orientación va dirigida hacia el crecimiento de su riqueza. Empezando con un capital de un cierto valor, en forma de dinero, los capitalistas compran productos con el objetivo de ganar más dinero, un valor añadido, una plusvalía. Y ahí está el quid, en los beneficios. Como capitalistas, todo lo que les importa es el incremento de su capital.
Por otro lado, tenemos a los obreros, personas que no tienen bienes materiales que puedan vender ni medios materiales para producir los bienes que necesitan para sí mismos. Sin estos medios de producción, no pueden producir mercancías que vender en el mercado a modo de intercambio. Así pues, ¿cómo obtienen los bienes que necesitan? Vendiendo lo único que tienen para vender, su fuerza de trabajo. Pueden vendérsela a quien quieran, pero no pueden elegir entre vender o no vender su capacidad para trabajar... si quieren sobrevivir.
Sin embargo, antes de poder hablar de capitalismo, deben haberse dado unas determinadas condiciones. No sólo debe existir una economía basada en productos y dinero, en la que unos sean los dueños de los medios de producción, sino que debe haber también un producto especial en el mercado: la capacidad para realizar trabajo. Para que ello suceda, argumenta Marx, los obreros deben ser primero libres en un doble sentido: deben ser libres para vender su fuerza de trabajo (por ejemplo, tener derechos de propiedad respecto a su capacidad para trabajar, algo de lo que carece el esclavo), y deben estar «libres de medios de producción (es decir, que los medios de producción deben de haber sido separados de los productores). En otras palabras, un aspecto singular de las relaciones de producción capitalista es la existencia de personas que, carentes de medios de producción, son capaces y se ven obligadas a vender un derecho de propiedad, el derecho de disponer de su capacidad para trabajar. Se ven obligadas a vender su capacidad para producir con el fin de conseguir dinero con el que comprar los bienes que necesitan.
Sin embargo, es importante comprender que, si bien la separación de los medios de producción de los productores es una condición necesaria para las relaciones de producción capitalista, no es una condición suficiente. Si los obreros están separados de los medios de producción, queda dos posibilidades: 1) los obreros venden su fuerza de trabajo a los dueños de los medios de producción; o 2) los obreros alquilan medios de producción a sus dueños. Existe una larga tradición en las ciencias económicas hegemónicas que postula que no importa que el capitalismo alquile fuerza de trabajo o que la fuerza de trabajo alquile capital, porque el resultado sería el mismo. Como veremos, para Marx existía una profunda diferencia: sólo en el primer caso, en el que tiene lugar la venta de la fuerza de trabajo, se puede hablar de capitalismo; sólo en este caso vemos las características específicas del capitalismo.
Sin embargo, no es simplemente el trabajo asalariado lo determinante. El capitalismo exige que exista fuerza de trabajo en tanto que mercancía y su combinación con el capital. ¿Quién compra ese derecho de propiedad concreto en el mercado y por qué? El capitalista compra el derecho a disponer de la capacidad de los obreros para realizar trabajo precisamente porque es un medio de lograr su objetivo: obtener beneficios. Porque eso y sólo eso, el incremento del capital, es lo que le interesa al capitalista.
Ya tenemos la base para un intercambio entre dos ámbitos del mercado, el propietario del dinero y el propietario de la fuerza de trabajo. Ambos quieren lo que le otro tiene; ambos obtienen algo a cambio en ese intercambio. ¡Parecería una transacción libre! Y ahí se detienen precisamente la mayoría de los economistas no marxistas. Tales economistas observan las transacciones que tienen lugar en el mercado y afirman: «Vemos libertad». Esto es lo que Marx describió como «el reino de la Libertad, la Igualdad, la Propiedad y Bentham». De hecho, como quiera que el partidario del libre comercio vulgaris sólo ve las transacciones en el mercado, sólo ve libertad.
Pero lo que aquí describimos no es toda economía de mercado. No toda economía de mercado se caracteriza por la venta de la fuerza de trabajo a un capitalista. Una defensa de una economía de mercado como tal no equivale a una defensa del capitalismo, como tampoco una defensa del mercado es una defensa de la esclavitud (que, por supuesto, implica la compra y venta de esclavos). Esta distinción entre capitalismo y mercados no es, sin embargo, la que los defensores del capitalismo tienden a hacer (según Marx, su ideología los conduce a confundir, desde la base, las características de las economías de mercado precapitalistas con el capitalismo).
¿Por qué? Pensemos en la característica específica de esa economía de mercado en la que la fuerza de trabajo se vende al capitalismo. Una vez concluida la transacción, observó Marx, vemos que tal transacción ha surtido un efecto en ambos ámbitos: «El que previamente era el dueño del dinero emerge como capitalista; y el propietario de la fuerza de trabajo lo sigue como su obrero». ¿Adónde van? Se adentran en el ámbito del trabajo; se adentran en el territorio en el que el capitalista tiene ahora la oportunidad de utilizar el derecho de propiedad que ha comprado.
quarta-feira, janeiro 09, 2008
Al igual que otros socialistas del siglo XIX, la visión de Karl Marx de una buena sociedad era aquella que permitiese el pleno desarrollo del potencial humano. «¿Cuál es el objetivo de los comunistas?», preguntaba el camarada de Marx, Friedrich Engels, en su primer borrador del Manifiesto del Partido Comunista. «Organizar la sociedad de tal manera que cada uno de sus miembros pueda desarrollar y utilizar su potencial y sus facultades en completa libertad y, por lo tanto, sin desnaturalizar la esencia básica de esa sociedad». En la versión final de Marx del Manifiesto, esa nueva sociedad se presenta como una «asociación en la que el libre desarrollo de cada uno es la condición para el libre desarrollo de todos.» [1]
Esta idea del desarrollo del potencial humano está presente en toda la obra de Marx, la posibilidad de seres humanos ricos con necesidades humanas ricas, el potencial para producir seres humanos lo más ricos posible en cuanto a sus necesidades y capacidades. ¿Qué es, en definitiva, la riqueza, pregunta, «sino la universalidad de las necesidades individuales, capacidades, placeres, fuerzas productivas…?». Pensad en el «desarrollo de la rica individualidad que entraña el perfecto encaje entre la producción y su consumo»; pensad en «el pleno rendimiento de esos potenciales creativos». El verdadero objetivo es el «desarrollo de toda la capacidad humana como un objetivo en sí mismo».
Sin embargo, la realización de este potencial no puede caer del cielo. Exige el desarrollo de una sociedad en la que las personas no se consideren independientes entre sí, en la que conscientemente reconozcamos nuestra interdependencia y cooperemos libremente sobre la base de este reconocimiento. Cuando nos relacionamos con los demás como seres humanos, postula Marx, producimos para todos, simplemente porque entendemos que los demás necesitan de los resultados de nuestra actividad, y sentimos placer y satisfacción por el simple hecho de ser conscientes de que hacemos algo que es útil. Nuestra necesidad bastaría para asegurar nuestra actividad y, como consecuencia de ello, nos sentiríamos «afirmados tanto en el pensamiento como en el amor de los demás». Lo que Marx describía es, por supuesto, el concepto de familia humana.
La visión de Marx de una sociedad de productores libremente asociados, de una sociedad profundamente ética y moral, lo condujo bastante pronto, ya en su juventud, a plantear determinadas cuestiones analíticas. ¿Qué es esta sociedad en la que vivimos, y en la que si tuvieras que decirme que tienes una necesidad respecto de algo que yo pudiera satisfacer, sería considerado como una súplica, una humillación «y, por consiguiente, expresada con un sentimiento de vergüenza y degradación?». «¿A qué se debe -preguntaba- que en lugar de afirmar que soy capaz de desarrollar una actividad que ayuda a otros seres humanos, tus necesidades sean, en cambio una fuente de poder para mí?». «Lejos de ser los medios los que te concederían el poder sobre mi producción, (tus necesidades) son en cambio los medios que me dan poder sobre ti».
Como quiera que no nos relacionamos como miembros de una comunidad humana, sino como aspirantes a propietarios, concluyó Marx, esta perversa separación de las personas se reproduce constantemente. De manera que Marx se vio impulsado a analizar la naturaleza de las relaciones sociales que existen entre las personas, el carácter de las relaciones en las que participan al producir, al producirse a sí mismas a la vez que producen para los demás. A partir de ahí empezó su análisis del Capitalismo.fonte (en espanhol)
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Hoy salio el relatorio final del informe científico encomendado por la ONU en relación a las mudanzas climáticas a nivel mundial.
El informe dice que la temperatura subirá hasta el 2100 entre 2 a 4 grados centigrados, aumentando el nivel del agua en 18-58 cm, inundaciones de ondas de calor mas frecuentes, y cicloes mas violentos. El informe también afirma en un 90%, la principal causa es la emision de CO2, el famoso dioxido de carbono, el resto seria en otras formas de poluentes.
És obvio que este cuadrado dramático ya se sabia desde hace algunos años, és claro tambien que el cuadro es mucho peor, puesto que habrá sequias, falta de agua, generando mortandad de milloes de animales plantas y talvez guerras por un poco de agua. la elevacion del nivel del mar hara desaparecer cientos de islas, playas, ciudades costeras, generando a su vez fujo de seres humandos com hambre y sin hogar.
El informe es inútil, puesto que lo único que se hizo es formalizar ante los ojos del mundo, algo que ya se sabe ó se sabia. es inútil e incompleto tambien porque nó apunta quienes son los paises que contribuyen de una forma descarada a este cuadro alarmante. Al contrario, dice únicamente que el hombre es el principal culpable por la agudizacion del problema climático, claro como dice eduardo galenao: "si todos los hombres son culpados, nadie es culpado"
Todo el mundo sabe que los paises industrializados, son los principales culpados en esta masacre del medio ambiente. Y de ellos estados unidos es el principal responsable, junto con europa, china, india y los paises emergentes en el capitalismo salvage. Pero la ONU, simplemente se quedó mudo, ante estas denuncias. Más que probable, devido a que la ONU es un organo a más del estado imperial, y supongo que el imperio paga los salarios de sus funcionarios.
El miso tratado de Kyoto, para regular la emision de CO2, nó fue firmado por estados unidos, como siempre, estados unidos es el paise que menos cumple tratatos internacionales: como derechos humanos, soberania, y asuntos relaciones a medio ambiente.
Tenemos que señalar con firmeza los principales culpados de esta situación, puesto que mismo en esta época moderna de la cultura occidental, los indios en los andes, en la selva amazonica aún acreditan como siempre acreditaron en la convivencia armoniosa e equilibrada con la madre naturaleza, y claramente ellos nunca tuvieron la culpa en esta agresion mundial del capitalismo salvage al medio ambiente, pero son ellos los que ya están pagando el precio. Ya estan desapareciendo rios, algunos tipos de peces, aumentando enfermedades por la intoxicacion de rios por los afluentes contaminados (por ejemplo : el mercurio usado para capturar oro en los rios del peru y brasil, está contaminando a los peces y seres humanos).
Es el capitalismo que con las ganas de satisfazer la mega-consumismo del mundo occidental, esta destruyendo la selva tropical, esta colocando eucaliptos para fabricar celulosa. Es el capitalismo que está aumentando los cultivos de soya, está aniquilando selva virgen para enviar madera a estados unidos, europa y otras principales capitales del mundo.
Al capitalismo solo le interesa vender y lucrar, es asi que nos ofrecen miles y miles de carros a todos los precios en todos los rincones del mundo, sabiendo desde tiempo atrás que estos son los verdaderos distruidores del medio ambiente. Con leyes mas rigidas en sus paises de origen como finlandia, las empresas transnacionales, tentan construir fabricas en uruguay, con claro impacto negativo al medio ambiente y al ser humano.
En el futuro con clara falta de agua en muchas regiones del planeta, habrá sed, hambre y guerra por agua. No es de extrañar que el capitalismo occidental ya está mirando la amazonia como fuente de lucro y poder. Y ultimamente ya están lanzando sus papitaciones como la de comprar bastar tierras con florestas y rios, diz-que para proteger...yo diria que és para comprar barato
y despues vender caro, en el mismisimo estilo capitalista.
Otras informaciones en relacíon a asuntos similares puede leer aqui (del mes de setiembre)




